TRIGO: É possível prever um panorama de preços para a safra nova?
Publicado em 17/08/2012 11:06
Conversamos hoje com agentes de mercado gaúcho e paranaense sobre o futuro do trigo nacional, que se encontra com preços bem acima dos preços mínimos no mercado de lotes e muito próximos dos R$ 600/ton no caso do Paraná. Moinhos do Oeste, traders gaúchas e moinhos paranaenses minimizam as chances de queda expressiva nos preços do trigo local em função da demanda e da paridade de importação. Há alguns aspectos que amenizam a pressão de alta sobre os preços nacionais no período de colheita, porém no cenário geral de trigo o ano sem dúvida é de altas.
O que a AF News Análises vê neste momento é que a colheita paranaense menor do que nos anteriores deve alavancar a procura. Vale salientar aqui há “trigos e trigos”, a qualidade determina a demanda e os preços pagos pelos lotes. Mas o fato é que trader gaúcha levanta que a soma de preços altos internacionais, perdas na colheita do Centro-Oeste, demanda paulista e mineira como agentes de fortalecimento da procura pelo trigo paranaense. Isso obviamente traz aumento de procura e valorização dos preços.
No Rio Grande do Sul grande parte da produção (acredita-se em um terço) foi exportada e isso reduz a oferta para vendas em outros Estados e no próprio mercado interno. No entanto outra preocupação quanto à aceitação do produto nacional por outros Estados (agente de alta) é a grande probabilidade de uma primavera chuvosa (padrão climático de El Niño) o que limitaria sua qualidade e consequentemente a demanda por outros Estados (agente de alta).
O argumento de alta nacional forte segue sendo o contexto internacional, com as perdas na Rússia e Ucrânia intimamente ligadas aos aumentos recentes e a situação do milho sendo preponderante. A situação de estoques mundiais de trigo não é tão limitante quanto no milho, aliás não chega nem perto, isso traz a dependência da soja e do milho. No nosso país vizinho Argentina, menor produção e menor cota exportável limitam a necessidade de vendas aceleradas no período de colheita e portanto preços descolados do contexto internacional ao longo do ano safra (mais altos). A questão logística pesa também, com o desconto sendo amenizado pela exigência de ritmo forte de vendas no período de janeiro, fevereiro e março.
De certo temos um ano de preços altos, acima do mínimo, e com menor potencial de uso dos estoques públicos na próxima entressafra (junho/13 a setembro/13), pelos recentes relatos da CONAB. E com certeza após a limitação das exportações russas, que em se confirmando as estimativas atuais e no ritmo do último mês devem perdurar sem intervenções até novembro-dezembro.
Assim as únicas pressões de queda nos preços que haverá sobre a colheita paranaense será a dificuldade de exportações (pelo escoamento do milho em um primeiro momento e depois da soja); a dificuldade de armazenamento frente a grande colheita atual de milho e a expectativa de superssafra na soja. E o apetite paraguaio (que sofre mesmas pressões logísticas e de armazenagem que o trigo do Paraná) em baixar ou não preços. Lembrando que o custo de produção paraguaio é muito mais reduzido.
Quem não sofrer estas pressões ou não tiver estes problemas de espaço físico e concorrência paraguaia terá muito mercado para trigos valorizados ao longo de toda a safra. Os lotes de qualidade panificável, com minolta adequada (trigo claro) e de bom ph não sofrem concorrência em função da vantagem logística ao trigo argentino para os moinhos do Estado. Se imaginarmos então que a safra 2013/14 de trigo poderá ser ainda menor caso os produtores invistam no binômio soja x milho de forma definitiva, o futuro do mercado de trigo pode ser ainda melhor aos produtores e cooperativas que tiverem produto ou poderá até reverter a tendência atual de substituição da cultura, função direta dos esforços em pesquisa, mudanças de legislação, abertura de mercados de exportação, etc.
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Fonte:
AFNews
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