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Publicado em 23/07/2012 17:02

Infraestrutura no Mato Grosso e seca nos Estados Unidos

Por Odacir Klein, sócio da Klein&Associados, consultor, palestrante na área do agronegócio e presidente-executivo da União Brasileira do Biodiesel (UBRABIO).

Sou um preocupado e, por isto, muitas vezes tenho necessidade de buscar informações para encontrar explicações.
 
O abrupto aumento do preço do milho em decorrência da seca nos Estados Unidos e a correlação com a expressiva segunda safra brasileira passaram a trazer-me algumas perplexidades.
 
Há um mês a preocupação era que o excesso de oferta não causasse acentuada queda de preço, pelo que, com vistas à formação de estoques públicos e garantia de comercialização, nos somávamos a reivindicações da Aprosoja/MT na defesa da adoção imediata de contratos públicos de opção de venda para o milho.
 
A intempérie estadunidense suprimiu tal preocupação. O mercado internacional, com grande queda de oferta, dita os preços externos e internos.
 
No entanto, em curto lapso de tempo, ocorre a colheita da segunda safra com volume mais expressivo no Mato Grosso.
 
Se compararmos o que será colhido com o consumo interno do estado, haverá excedentes de aproximadamente 12 milhões de toneladas.
 
Diante de tais dados, passei a lembrar de notícias de anos anteriores quando o Mato Grosso colhia metade do volume atual e divulgava-se a falta de armazenagem com safras colocadas a céu aberto.
 
É óbvio que embora saibamos que as exportações brasileiras crescerão com o novo cenário internacional, a retirada do produto destinado ao mercado internacional será paulatina e o consumido internamente, em outras regiões brasileiras, também terá escalonada saída do território mato-grossense.
 
À primeira vista, dever-se-ia concluir que o problema de armazenagem seria agravado. No entanto, buscando informações, a primeira que recebemos é que a safra de soja foi praticamente escoada, pelo que há considerável espaço para armazenagem do milho.
 
Mesmo assim, a parcela que não tiver condições de ser imediatamente armazenada deverá permanecer na lavoura, secando, enquanto abrem-se novos espaços para armazenagem do grão.
 
Ouvi do presidente da Aprosoja/MT Carlos Fávaro algumas ponderações que chamam a atenção. A primeira é de que o escoamento da expressiva safra – o dobro do que há anos recentes – ocorrerá com a mesma infraestrutura viária e portuária anterior. Embora os anúncios e a expectativa para o futuro, em termos de pavimentação de rodovias, implantação de ferrovias e hidrovias e escoamento por portos do norte, poucos avanços ocorreram.
 
Diante disto e até por sabermos que hoje há um atraso nos portos relativamente aos embarques de produtos agrícolas, são previsíveis dificuldades relativas à administração logística para a movimentação da expressiva safra de milho.
 
Não há dúvidas de que a segunda safra será cada vez maior e que preços garantidos por intempéries são circunstanciais.
 
Como é preciso raciocinar a longo prazo, é fundamental que a infraestrutura da região já altamente produtora de soja e agora com expressiva produção de milho na segunda safra seja melhorada.
 
Pelas informações que recebi, se neste momento não há preocupação com o preço, em função do clima nos Estados Unidos e consequente queda de produção, diminuindo a oferta mundial, as dificuldades com a infraestrutura poderão causar sérios percalços para o escoamento a safra originando problemas inclusive de armazenagem, por ocasião da futura colheita de soja.
 
Não há como raciocinar em termos de agronegócio brasileiro e prevermos que o Brasil concorrerá significativamente para alimentar o mundo se não insistirmos na busca de soluções que garantam escoamento de safras no Centro-Oeste e Norte do país e, inclusive, de carnes e outras proteínas, em estados do Sul, como é o caso de Santa Catarina.
Fonte: Aprosoja
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