A prioridade é a reeleição. O Brasil é um país que vive a priorização eleitoral ao invés da estrutural

Publicado em 13/05/2013 17:52 e atualizado em 14/05/2013 08:45
Por Glauber Silveira, engenheiro agrônomo, produtor rural e Presidente da Aprosoja Brasil.
Estive presente no terceiro Clube da Soja, evento da FMC com o apoio da Aprosoja Brasil que reuniu mais de 200 produtores. Produtores estes que representam 20% da área de soja e milho do Brasil. A importância do evento aumenta a cada ano, à medida que a representatividade aumenta e também por refletir os principais temas relacionados ao desenvolvimento sustentável da soja no Brasil.

Um dos temas mais importantes abordados, e não poderia ser diferente, foi a logística. O professor Raul Velloso colocou muito bem as dificuldades enfrentadas no Brasil,agravadas pela falta de priorização do governo neste tema. Prova disso, é que o país tem investido apenas 1,7% do PIB em infraestrutura, e leia-se aqui tudo, saneamento, estradas, etc., enquanto a China investe 8%.Mas a diferença é ainda maior se comparamos em termos de valor do PIB (soma de todas as riquezas produzidas pelo país), a China tem um PIB de8,22 trilhões de dólares e o Brasil 2,39 trilhões de dólares.

Por aí vemos o que é o planejamento de longo prazo. Mesmo a Índia com um PIB menor que o brasileiro e com problemas mais crônicos,têm investido muito em infraestrutura. Similar a isso, é o investimento em educação, cujo efeito é ao longo do tempo.A Índia com um PIB de 1,82 trilhõesde dólares investe 7,6% em infraestrutura, ou seja, 138 bilhões, enquanto o Brasil investe 40 bilhões. Nesse quesito, perdemos até para o México que é a 14° economia do mundo e investe 42 bilhões em infraestrutura.

Como bem levantado durante o Clube da Soja, tudo passa pelo processo eleitoral. O Brasil é um país que vive a priorização eleitoral ao invés da estrutural, onde o governo tem todo seu foco no trabalhador, em aumentar sua remuneração a todo custo, afinal isso dá voto! E hoje, temos um dos maiores custos unitários de trabalho do mundo, tendo dobrado nos últimos 10 anos.Mas, o problema do Brasil é que temos um alto custo do trabalho, e com um dos piores índices de produtividade do trabalho.

Daí fica a pergunta: como o governo vai fazer para conciliar o crescimento da indústria que precisa de produtividade, rendimento, investimentos em infraestrutura, redução de tributos e o seu pesado foco na população de massa, com seus programas sociais e pesados benefícios aos trabalhadores? Veja o que causou a Lei dos caminhoneiros. Como foi colocado durante o evento,o governo deve buscar o equilíbrio entre crescimento do País e a remuneração progressiva de seus trabalhadores e não apenas bônus eleitoral com a espoliação do setor produtivo.

Outro tema muito discutido foi à sustentabilidade ambiental. E foi unânime a importância da conciliação equilibrada da produção e da preservação, mas como sempre o tema gerou discussões calorosas. E embora tenham sido discutidas propostas como a remuneração por serviços ambientais, ficou claro que a maioria das leis ambientais são apenas de comando e controle e quase nenhuma de estímulo à preservação e muito menos de remuneração.

Por isso, a discussão se voltou para a necessidade de transparência e consolidação de uma vez por todas das leis ambientais. É preciso dar segurança jurídica a todos os setores na questão ambiental, seja às ONGs ou aos produtores. Essa insegurança tem criado diversos problemas ao desenvolvimento do Brasil, com sérios problemas de licenças ambientais que não são concedidas e têm sido uma trava as obras de infraestrutura e desenvolvimento. É imprescindível que seja priorizado e dado agilidade as liberações das licenças ambientais, caso contrário,o Brasil entra num beco sem saída.

Mas é claro que, para os produtores presentes,um tema muito aguardado foi o das perspectivas para a próxima safra e, infelizmente,neste momento ela não é das mais positivas. Com relação ao milho iremos passar pela crise da abundância,em que pela capacidade dos produtores produzirem e a morosidades dos investimentos em infraestrutura farão os preços despencarem, afinal o Brasil tem uma capacidade limitada de exportação em torno de oito milhões de toneladas mês, se tudo der certo.
Se nada mudar no cenário da soja, teremos preços mais baixos para a próxima safra, e isto requer cautela, principalmente porque os custos de produção estão navegando na onda dos preços altos. A rentabilidade média em MT, por exemplo,deve cair de 743 reais para 358 reais, considerando soja e milho sem arrendamento, segundo dados da Agroconsult. Ou seja, para quem paga arrendamento de 10 sacas, a rentabilidade é zero, por isso convém muita atenção nesta próxima safra.

As dificuldades apresentadas aos produtores são as mesmas de 20 ou 30 anos atrás e carece do mesmo problema, a falta de comunicação e união do setor produtivo. Temos por natureza correr atrás do prejuízo e ficar sentados esperando o benefício, como muito bem dito pelo palestrante Nando Parrado, um dos sobreviventes do acidente de avião nos Andes que virou livro e filme. Por isso, neste momento precisamos fazer uma escolha: viver ou ficar esperando a morte chegar. Ou nos organizamos em uma frente de atuação e com comunicação eficiente ou morreremos sem ver nenhuma mudança nesta conjuntura que está aí.

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Fonte:
Glauber Silveira

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7 comentários

  • Robson Douglas Mantovani Santa Maria de Jetibá - ES

    Poisé Glauber, o Sr. Está de parabéns e ainda podemos citar a criação de ministérios em troca de apoio político, se não estou enganado já temos 39 , quem sabe até ano que vem não aparece mais alguns. Eu me pergunto até quando essa vaca vai ter tetos pra sustentar o PT no Comando, E QUAL O CUSTO DISSO PARA O PAÍS? Até quando vamos ficar parados observando isso acontecer? Insegurança jurídica em todos os setores, casos de corrupção todo dia sendo investigados, porem ninguém sendo punido.

    Arrecadação crescendo a cada ano e o setor produtivo minguando nas mesmas proporções na direção oposta, prova disso é o pibinho da Dilma e do Mantega . Os números mostram isso todo dia. Estamos vivendo em um país Socialista e totalitário disfarçado de uma Democracia que a maioria do povo nem chegou a conhecer, prova disso é um governo que administra por medidas provisórias, com aval da maioria no congresso, arrecadação centralizada, e pior ainda, temos uma oposição inoperante e incapaz de reverter tal a situação. Falta vontade política para fazer uma ampla reforma tributaria e política.

    Isso sem falar em segurança pública, saúde, educação.

    O país está em crise e parece que ainda não caiu a ficha.

    Ah os números em relação a aprovação desse governo está em alta, de onde vem esses números? Será que algum dos senhores foi ouvido, será que os produtores de arroz do Rio Grande foi ouvido? Será que os produtores de Café do PR , ES, MG foram ouvidos? E os produtores de Suínos do Sul foram ouvidos?

    Infelizmente estamos vivendo uma época em que foi vendida a idéia que produzir, com lucro seja no agronegócio, sejam na indústria, no comércio e demais setores, é proibido, de forma que o sinônimo de eficácia em resultados não existe na pauta desse governo.

    Talvez a única maneira de resolver isso fosse realizar uma ampla mobilização, unindo todas as pessoas dos mais diversos setores que trabalham, produzem e fazem efetivamente esse país crescer , em torno de um objetivo comum utilizando os mesmos moldes e proporções que as centrais sindicais fizeram pra colocar o Lula lá. Ou aprendemos fazer política com eles , ou eles levam mais uma eleição. O bloco Sulamericano esta montado, vai ter Morales pela terceira vez na Bolívia, Maduro continuou na Marra na Venezuela e o Brasil?

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  • jose eduardo da fonseca sismeiro Goioerê - PR

    Parabens!!!!!Meu Presidente`. Se me permite cabe lembrar à todos oa AGRICULTORES do nosso BRASIL que ano que vem tem novas eleiçôes e que AGRICULTOR DEVE VOTAR EM AGRICULTOR.

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  • Izabel Lima Mococa - SP

    Pelo andar da carruagem é melhor cada produtor fazer seu capãozinho de arroz, feijão, mandioca, engordar uns porquinhos e criar umas galinhas e mandar esses anti-produção rural subir nas árvores e tentar sobreviver roendo as cascas...Quero ver os descolados ecologistas da Vila Madalena e arredores comendo papéis da Bolsa ou chips de alta tecnologia!!!Vão sentir saudades dos "desmatadores" destruidores das florestas!!!A dilma et caverna não terá problema pois seu feijão vem da China, o arroz da Argentina e por aí vai...Oremos!!!

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  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Nosso modelo é a ´democracia eleitoreira`, que contaminou a America Latina. Pouco difere do Comunismo, onde quem escolhe os governantes é o ´POLITIBURO`, e nesta democracia quem elege os governantes são os ´POLITIBURROS`. As semelhanças não são uma mera coincidência. Parabéns pela matéria. abraços

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  • Carlos Dias São Paulo - SP

    A prioridade não é reeleição. É "eternização". Não temos uma política agrícola, uma política industrial, uma política econòmica, uma política internacional. Temos apenas uma política PARTIDÁRIA. É fácil ser bondoso com o dinheiro alheio. O dinheiro já acabou e já avançamos no crédito que os governos anteriores tanto custaram a conquistar. A conta vai ser logo apóa as Olímpiadas, que se diga de passagem, já estão deficitárias três anos antes de sua realização. Como diria Boris Casoy: É uma VERGONHA!!

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  • HAROLDO FAGANELLO Dourados - MS

    É isso aí Glauber, esse pais retratado por você é o país que o PT sempre sonhou, através de seu idealizador, o LULA LÁ. E quanto mais o tempo passar mais difícil vai ser recolocar o país no trilho da eficiência produtiva. Aí vem a questão bem colocada, escolher viver ou morrer. Penso que o início da organização do setor já começou, com essas muitas organizações ou associações do setor que tem por esse Brasil afora, é só fundir todas num só CORPO com sede em Brasília e sub-sedes nos estados, onde cada uma das organizações que existe hoje não desapareceria e seria sim membro desse corpo maior. Está pronto o maior e mais poderoso órgão representativo de um setor do mundo. Difícil? Impossível? Então vamos deixar o PT ir nos corroendo pouco à pouco até a dita morte chegar mais rápido do que pensamos.

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  • Evandro Carlos Shommer Palotina - PR

    Baita artigo Glauber, isso mostra o quanto nós do setor de agronegócios do Brasil sofremos com esta politica mal direcionada do governo federal, mas vamos fazer oque é só esperar passar a copa e olimpíadas pra ver se depois de 2016 vamos ter um pouco mais de atenção. Eu particularmente não perco as esperanças de um dia ver nossa produção sair da fazenda até o porto com um custo competitivo com os nossos principais concorrentes exportadores.

    Abraço e continue nesta luta, parabéns.

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