A canção que prometi, por Osvaldo Piccinin
Publicado em 13/08/2012 14:16
e atualizado em 15/08/2012 15:21
Por Osvaldo Piccinin, engenheiro agrônomo formado pela USP-Esalq, em 1973. Natural de Ibaté, é empresário e agricultor e mora em Campo Grande/MS.

Tive o privilégio de ver o movimento da “Jovem Guarda” nascer, prosperar com exuberância e morrer aos poucos – o que foi uma pena - pois este movimento nos transportava para um mundo de liberdade e fantasia, sem medo de ser felizes. Foi um marco importante na vida de qualquer jovem daquela época. Jovens estes que hoje estão beirando sessenta anos.
A onda jovem era tão eloqüente e contagiante ao ponto de muitos de nós sonhar em ser cantor ou compositor, inclusive este que vos escreve. Meu ídolo maior era Roberto Carlos. Suas canções românticas tocavam fundo os nossos corações.
Com dezesseis anos de idade prometi que faria uma música para uma amiga da minha pequena cidade. Apesar de ser um pouco mais velha que eu, não posso negar ser ela, na época, uma das minhas musas. Claro que nosso flerte, se é que houve, não passou de admiração mútua, pois éramos bastante reservados e respeitadores - como se dizia na época. Não tinha esta de “ficar”, ou se namorava sério ou simplesmente ficávamos “a ver navios”!
Depois de quase um ano entre a composição e a partitura - feita por um competente pianista e paga às duras penas, finalmente estava pronta a encomenda de minha querida amiga – Nelsia Terezinha Fraige. Hoje uma avó coruja e muito bem casada.
Os recursos eram parcos, mas a vontade de ver uma composição minha participando do primeiro festival da música popular de S.Carlos, era grande. Graças à benevolência do saudoso amigo prefeito - Nelson Rodrigues – os amigos foram me prestigiar na vizinha cidade de S.Carlos, acomodados numa velha jardineira cedida pela Prefeitura. Torcida, portanto teve de sobra, talvez tenha faltado compositor.
Eu era pretensioso, e confesso que não gostei muito quando o locutor anunciou: em terceiro lugar foi classificada a música - “A canção que prometi”, de Osvaldo Piccinin, interpretada por Rubens Maciel. Apesar desta belíssima classificação, eu sonhava mesmo era com o primeiro lugar.
Só algum tempo depois, já na faculdade, é que pude refletir o quanto aquele prêmio foi importante, pois consegui provar a mim mesmo, em plena puberdade, que eu era capaz de fazer muito mais. Esta ousadia foi um divisor de águas em minha vida -, ganhei confiança e passei a acreditar mais no poder do pensamento positivo e lutar pelos objetivos que se almeja alcançar na vida.
“Hoje de manhã apanhei meu violão, pensando em você, eu encontrei inspiração”, assim era o começo do meu pretensioso samba, interpretado por um cantor e quatro mulatas fazendo coro e coreografia. Foi emocionante, e eu mal podia acreditar que era minha aquela canção aplaudida em pé pela platéia.
“Pois isso é tão verdade que os passarinhos em seresta, cantaram um coro em festa – a canção que eu prometi. Agora meu bem estou em paz, minha promessa eu cumpri, não lhe devo nada mais”. E assim terminava minha primeira e única página musical.
E VIVA A CANÇÃO QUE PROMETI!
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Fonte:
Osvaldo Piccinin
leonardo mazzola Uberlândia - MG
Prezado Osvaldo, você tem o dom de transmitir com facilidade e propriedade os momentos vividos numa época única que nossa geração pode curtir. A fase aada jovem guarda realmente inspirou muitos romances e despertou acho que em cada um de nós a vontade de compor, de tocar algum instrumento. Lembro que atravessava a zona sul até a zona lesta de São Paulo, só para aprender violão, mas nunca consegui. Mas compor, isso sim!!! rsrsrsrsr..., uma única música, na base da inspiração à amada, que nunca soube que aquela música era pra ela...infelizmente, mas era assim mesmo. Não menos importante as composições do Eramso Carlos, como por exemplo..."sentado á beira do caminho", quantas fossas embaladas com essa música, mas sabe, era um tempo em que podíamos sair nas ruas, fazer serenatas nas janelas das meninas e isso era muito bom, e isso pude fazer no interior de Minas Gerais também nos anos 70, pçaraá onde viajei. Dessa viajem com serenatas e tudo mais, resultou um retorno de 900 Km de carona, só para estar com amada daquela época...uma loucura, pelo menos naqueles tempos. Bom recordar tudo isso, e viajar no tempo e perceber que vivemos momentos que hoje jamais seriam possíveis...
Grande abraçoValter Antoniassi Fátima do Sul - MS
Concordo plenamente contigo,Alberto M. Bento,eu tive a oportunidade e o prazer de conhece-lo pessoalmente,mesmo que por alguns minutos e constatatar a sua simplicidade e humildade...,VIVA O OSVALDO PICCININ!
Alberto Maria Bento Dourados - MS
Parabens Osvaldo, mesmo eu não ainda não ter tido o privilégio de conhece-lo pessoalmente, em seus escritos chego a me imaginar como integrante das pessoas que o rodeavam na sua juventude, e isso é ótimo pois é a amizade virtual mais sincera, pura e poética que já conquistei em minha vida, sou seu fã amigão,suas lembranças são belas e tambem me remetem a um passado simples mas muito feliz, abração !