O Pibão brasileiro vem do agronegócio
Vamos comentar o PIBÃO do agronegócio, crescendo 9,7% sobre trimestre anterior, e crescendo 17% sobre o mesmo período do ano passado.
O PIB do Brasil cresceu 0,6% neste trimestre perante o anterior, igual aos Estados Unidos (0,6%) e abaixo da Coreia do Sul e Japão (0,9%), mas acima do México (0,5%) e da Europa (0,1%).
Ou seja, o nosso crescimento foi inteiramente dado pelo agronegócio. Se fosse pelos demais setores teríamos tido um crescimento negativo, e vale em meio a tudo isso registrar um grande clima de insegurança jurídica institucional com demarcações de terras indígenas em áreas legalizadas e com proprietários há mais de 60 anos, inclusive regiões de pequenas propriedades, no Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Sul.
O crescimento da safra, a soja e o milho, que vai ser fartamente colhido na safrinha agora, no Brasil Central, são os principais responsáveis por isso… Mas isso é motivo para comemorações? Não, poderia ser muito melhor, se tivéssemos infraestrutura, melhoria de custos e a diminuição do desperdício, do que se perde no pós colheita. E se ainda vivemos o apagão da infraestrutura, poderemos em breve viver um apagão das telecomunicações no campo, com equipamentos podendo oferecer soluções de altíssima tecnologia, mas impossibilitados de contar com canais e acessos nos satélites.
Terras indígenas em um processo democrático
Tendo como fonte a Reuters, a presidenta Dilma ficou irritada com a forma que a Funai tem soltado pelo país afora solicitação de demarcação de terras indígenas e determinou que o governo pare de desapropriar terras agrícolas para a criaação de reservas indígenas. Esse fato foi gerado a partir de um discurso que a presidenta fazia em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e com a presença de cerca de três mil agricultores, que protestaram veementemente. A presidenta Dilma solicitou informações e orientou o governo a evitar a aprovação de novas demarcações de terras em futuro próximo…
O Brasil já destinou cerca de 13% do seu território para tribos indígenas (mais do que Estados Unidos e qualquer país latino-americano) e vastas áreas adicionais estão potenciais para produção de alimentos e passíveis de serem demarcadas. Entretanto, apenas 0,4% da população brasileira é oficialmente considerada indígena. A fonte da Reuters adiciona que a presidenta Dilma ficou indignada ao saber que antropólogos da Funai haviam recebido carta branca para determinar quais terras desapropriar, sem levar em consideração se eram terras produtivas. Como exemplo, no Rio Grande do Sul, a Funai está estudando a desapropriação de cerca de 30 áreas, onde descendentes de colonos as controlam desde 1872. Ou seja, recuperando terras 150 anos depois…
Agora, a Embrapa será ouvida, o Ministério da Agricultura e Meio Ambiente também irão opinar, o que irá colocar um processo democrático na questão. A ministra e juíza federal Eliana Calmon, do Supremo Tribunal de Justiça, elogiou a atitude, pois, por não serem antropólogos, estavam de mãos atadas e incompetentes para julgar.
E…uma dica adicional aos leitores: vale ir conhecer o Planeta Inseto. Trata-se de um zoológico de insetos, tem um formigueiro gigante, corrida de baratas, num baratódromo, tem também os bichos da seda, abelhas e uma elucidação da história dos insetos comestíveis, que foi oficialmente lançado pela FAO, como solução para a segurança alimentar do mundo e para a sustentabilidade. O Planeta Inseto fica no Instituto Biológico de São Paulo, pertinho de onde era o antigo Detran, na Rua Amâncio de Carvalho, 546, na Vila Mariana, próximo à estação Ana Rosa do metrê. Para mais informações acesse o site: http://www.biologico.sp.gov.br ou envie e-mail: planetainseto@biologico.sp.gov.br. As visitas acontecem de terça-feira a domingo, das 9h às 16h.
Bugfood: transformando insetos em culinária.
No Estadão, Caderno Paladar de 9 de maio, Alex Atala, um chef brasileiro, afirma que empolgou a Escandinávia, levando o sabor da formiga iça amazônica, através do paladar do limão capim. O resultado dessa experiência é que o Nordic Food Lab de Copenhague, organização responsável por descobrir sabores para o restaurante Noma, o segundo melhor do mundo no ranking da revista Restaurant, decidiu investir 3,5 milhões de coroas dinamarquesas para pesquisar insetos comestíveis. A partir disso fui buscar como anda o tal do bugfood business no mundo e fiquei pasmo.
Descobri o EdibleUnique, Bugs and Gourmet Exotic, com uma oferta enorme de especialidades de insetos de todos os tipos, entradas, pratos centrais, sobremesas, bebidas, snacks. O que você quiser imaginar. O site é: www.edibleunique.com.
Você vai encontrar de larvas a grilos, aranhas, formigas, escorpiões, gafanhotos, centopeias, vespas, tarântulas, bezouros, moscas. Tequilas com larvas conservadas dentro, para revelar o legítimo teor alcoólico do spirit. Rum com grilos e vodka com um legítimo escorpião dentro da garrafa. Bombons com borboletas, e não se espante, manjares com baratas. Mas não são baratas que vivem na sujeira, e sim em criatórios, alimentadas com frutas frescas e vegetais, limpíssimas. Pois nesse bugfood business, tem de cobras a largartos literalmente.
E, inclua-se nisso, propaganda assegurando que comer insetos é o que existe de mais lógico na proposta ambientalista, alguns tratam como a dieta lógica ecológica, e existem folders publicitários alegando que quem come insetos protege as vacas, etc. Embalagens sofisticadas e preços também sofisticados. Existem festivais de gourmets só com insetos. Tem balas, um real toffee scorpion e vai por aí. E você pode ter ainda brindes e chaveirinhos com insetos dentro.
Ou seja, se a moda pegar mesmo, será ótimo para o agronegócio brasileiro. Do jeito que temos pragas aqui na agricultura tropical, o que estamos gastando com inseticidas contra as lagartas da soja, nesta safra, por exemplo, será uma maravilha se essa culinária tomar o mundo. Imagine só máquinas novas com sensores especiais, criadas para colher lagartas nas lavouras, ao invés de envenená-las? Muito curioso… Acho como dizia Baby Consuelo numa música antiga… “o mal não é o que entra pela boca. o mal é o que sai da boca do homem”, lembram? Pelo menos isso é o que pensam os loucos por insetos, ou bugs, inseticidas versus insetólogras?!
870 milhões de pessoas passam fome no mundo, enquanto mais de 500 milhões são obesos
Uma das preocupações da Food & Agriculture Organization (FAO) atualmente está em, ao mesmo tempo combater a fome no mundo, erradicar, e por outro lado, desenvolver a conscientização a respeito de alimentação saudável, pois se de um lado milhões morrem de fome, de outro, milhões também morrem por excesso de comida e erros de dieta.
O diretor da FAO, José Graziano, brasileiro, assinou convênio na Universidade de Wageningen na Holanda para promover uma colaboração próxima de educação, e de pesquisa científica para estímulo à produção de cultivos tradicionais que perdem espaço para as dietas modernas. Um dos exemplos é um cereal de nome quinoa, considerado um super alimento andino e de alto valor nutritivo, rico em proteínas e micronutrientes, e que deveria ser revitalizado. Por isso este é o Ano Mundial da Quinoa.
Em 2014 será o Ano Mundial da Agricultura Familiar, que é vital para a produção de grande parte desses cultivos não de escala. Essencial para manutenção dos empregos no campo, e hoje, com uma já predominância de mulheres nessa atividade, no mundo todo.
Nesse sentido a China assinou um acordo com a FAO, uma aliança de cooperação, cuja primeira reunião será em Beijing, em 8 e 9 de junho, para criar uma reserva bilateral de alimentos de 500 mil toneladas, para enfrentar contingências e adversidades.
A China depende de 27% de alimentos importados da América Latina e Caribe, sendo que 90% dessa dependência é do Brasil e da Argentina, e esse acordo tem por objetivo diversificar as zonas produtoras de alimentos para suprir os chineses. No Brasil, o combate à fome segue principalmente via o programa de alimentação escolar, e o exemplo brasileiro está sendo demonstrado para cinco países africanos em convênio com o Brasil. Entretanto, para uma grande eficácia desses programas de erradicação da fome pelo menos três aspectos são considerados essenciais:
1 – um mapeamento preciso da fome para que os pobres e famintos invisíveis sejam localizados;
2 – que o dinheiro investido chegue efetivamente a quem precisa eliminando intermediações;
3 – que as mulheres sejam dominantemente as efetivas recebedoras dessas transferências de recursos.
Tanto na erradicação da fome, quanto na educação para comer saudavelmente, as oportunidades de um agronegócio de escala, industrial, precisam conviver ao lado do agronegócio artesanal, de nichos e de segmentos. Inclusão é o nome do jogo e a conjunção a ser conjugada será do “E”, não do “OU”.
Coisas estranhas nas demarcações de terras indígenas
Quando uma reforma agrária da época do governo Getúlio Vargas, com documentação legalizada, se transforma num objetivo de demarcação como terra indígena, a coisa parece que desandou. Entrevistei o Diretor de Relações Institucionais da Federação de Agricultura do Mato Grosso do Sul, Rogerio Beretta, que expôs um trâmite no mínimo curioso, senão estranho, na questão da demarcação de terras indígenas.
Eu sempre pensei que a questão estivesse em aberto em terras não legalizadas, onde não houvessem documentações, e até, principalmente, onde houvesse a predominância de latifúndios improdutivos. Mas, ao contrário, áreas de pequenas e médias propriedades, e todas com documentação estão sendo alvo de proposta de demarcações como terras indígenas. No caso do Mato Grosso do Sul, o total de reivindicações atinge cerca de um milhão de hectares. E, o mais curioso, não há casos de terras sem documentação legalizada no estado.
A tramitação é tenebrosa, pois a própria Funai decide, via uma solicitação junto ao Ministério da Justiça, efetivar levantamentos, vai à região que pretende ser demarcada acompanhada da Polícia Federal e da Guarda Nacional e – a partir de levantamentos orais – define que a região pertence a determinada nação indígena. E, no caso da defesa, cabe a própria Funai decidir se aceita ou não, o que via de regra em nenhum caso a fundação decidiu por dar razão à defesa. A partir disso, publica-se no Diário Oficial a decisão da Funai, o que permite o início dos conflitos, invasões, e um clima que oferece chances a mortes, ataques e assassinatos.
Nesse meio tempo, cabe ao agricultor ali instalado agir já no plano da justiça, para lutar na defesa dos seus interesses, porém em clima de fortes tensões. Na região do Mato Grosso do Sul comenta-se de que tem crescido a emissão de certidões indígenas para candidatos a índios, e que existe a importação de índios do Paraguai, para solicitar terras do lado brasileiro. Curioso também saber que todos os índios no estado estão aldeados, e tem ocorrido problemas com caciques que entram em disputa com outros, formam uma dissidência e partem então em busca de terras próprias para si.
O ponto crucial é que a Portaria 303, decidida pelo STF no caso do julgamento da Raposa Serra do Sol, no Pará, determinava que o marco histórico seria o ano de 1988. Ou seja, índios nas terras no ano de 1988 teriam direito à reintegração de posse. A Funai embargou alguns aspectos dessa decisão do Supremo, e o tema está em julgamento, portanto, com uma cláusula fundamental não decidida, e não julgada. Essa é uma das demandas dos agricultores em carta entregue à presidenta Dilma, semana passada em Campo Grande.
A Federação da Agricultura propõe com parte da Câmara Federal uma PEC – Proposta de Emenda à Constituição, de número 215 – alterando o trâmite, onde a decisão de investigar uma área para demarcação de terra indígena saia do Congresso e não siga mais exclusivamente à decisão da direção da Funai, que termina por ser ré e julgadora da questão.
Segundo os agricultores, a partir do embargo da Portaria 303, houve uma enxurrada de solicitações de demarcações de terra, como que antevendo a impraticabilidade da continuidade do procedimento unilateral, a partir do novo julgamento dos embargos, da mesma portaria 303, decidida anteriormente pelo próprio STF. E, caso a sociedade venha a entender que é justo realizar um resgate histórico na questão do índio, que então o governo compre, pague e restitua as terras, se assim entender justo, não ficando essa conta exclusivamente sobre os agricultores há anos atuando, e legalizados, como o exemplo do MS. Vimos o mesmo caso no Rio Grande do Sul, na região de Passo Fundo.
Ou seja, a questão de terras indígenas mudou. No passado homem branco tomava terra de índio, agora índio toma de homem branco. E o que surpreende, em áreas legalizadas, como na bacia do rio Dourados, e na bacia do rio Iguatemi, e de pequenos e médios proprietários e no litoral, de pescadores artesanais. Pelo andar dessa “carruagem”, desde a cama de Anchieta em Itanhaém, até todo litoral sul e norte deste marco referencial, que se preparem antropólogos, as discussões vão florescer.
Está na hora do bom senso… E o índio mesmo, e o agricultor mesmo, são esses que terminam por pagar a conta da insensatez da governança e da liderança nessa questão. As exceções servirão para justificar arroubos de ambas as partes. Mas o tema está mal parado, e precisa ser desvendado, caso contrário vai se tornar o novo foco de discussões ideológicas no país.
Saúde de frangos e suínos preocupam China e o mundo
As autoridades chinesas fizeram um arrastão sanitário contra o abate ilegal de suínos na China. O chinês come mais de 70 milhões de toneladas de carne e metade de carne de porco. Isso chega a ser o dobro dos Estados Unidos, por exemplo. Nesse ataque ao ilegal foi detectada uma venda de 80 mil porcos doentes, 17 pessoas foram presas e três delas já condenadas a prisão perpétua. Em contrapartida, surgiram boiando no rio Haungpu, que é a principal água abastecedora de Xangai, seis mil suínos mortos, boiando…
Ao mesmo tempo a gripe viária chinesa já causou seis mortes, e o mercado de aves foi fechado. Isso levou o preço da soja a cair no mercado internacional, e a preocupação passa a ser grande dos produtores de soja do Brasil, que contam no seu caixa com preços altos e com demanda aquecida… Como a China é o maior aviário do planeta, uma possível crise sanitária no rebanho avícola seria terrível para os produtores de soja e de milho, os insumos fundamentais dos frangos.
Por outro lado, a notícia ruim poderia ser boa para a exportação e frangos brasileira, pois somos o exportador número 1 do mundo. No agronegócio, o risco e o fator incontrolável está sempre presente. Clima, doenças, pragas, e na China, o risco sanitário é imenso, pois animais convivem lado a lado com humanos, e os cientistas estudam preocupados se essa gripe aviária poderia também passar a ser transmitida de humanos para humanos.
No meio disso tudo os compradores e os vendedores das commodities, tiram proveito para um lado ou para o outro na eterna arte da barganha e do jogo das negociações. Estamos de olho em mais essa… agricultores brasileiros não querem nem ouvir falar nisso, mas que existem espirros, existem.
Análise sensorial dos alimentos
Retornei da Itália, onde participei do Inovazione Bidirezionale, na Universita Federico II, de Nápoles, um lugar que data dos 1600, onde a escola agroalimentar foi fundada em 1872, e doutores-professores dão aula de beca.
Nesse encontro tratamos da inovação em andamento na Itália, no aspecto da análise sensorial de alimentos. São pesquisas inovadoras e recentes que analisam como nossos cérebros sentem o prazer, decodificam o gosto, e quais são os ingredientes numa xícara de café, num chocolate, no azeite, no vinho, ou em qualquer alimento e bebida que precisa ser mais intensificado para que ocorra a percepção da qualidade.
Quer dizer, não basta ter qualidade em si, a qualidade precisa ser percebida. Estes estudos assegurariam para qualquer um de nós, leigos, que o padrão de excelência de um alimento, ou bebida, seguem e resistem a uma avaliação dos mais exigentes especialistas… Significa que se tomássemos um café expresso sob o selo de análise sensorial certificada, teríamos certeza de que aquele expresso receberia nota 10 de um degustador profissional.
Estes estudos deverão tomar conta do setor agroalimentar contemporâneo, e permitir que qualquer consumidor tenha acesso e certeza de que está provando algo que os experts, se ali consumissem, diriam: perfeito, ótimo.
Doutor Luigi Odello, nosso parceiro, apresentou o estudo e nos falamos das trocas brasileiras e do interesse brasileiro em alta qualidade alimentar, que preserve o sabor do campo, no caso, convivemos três dias com produtos e empresas da região de Nápoles, onde a comida artesanal das empresas substitui as antigas madonas, cozinheiras e donas de casa do passado.
Imagine você provar doces italianos, feitos a mão e embalados um a um, de pessoa pra pessoa…Esse é o novo desejo dos consumidores urbanos de vanguarda, que significa morar nas cidades mas contar com o natural e artesanal vindo do campo, da campanha.
Bioeletricidade, potencial de duas Belo Montes
Tive uma ótima conversa com a Beth Farina, a nova presidenta da UNICA, a União da Indústria de Cana de Açúcar e ex-presidente do CADE, doutora e professora da FEA-USP, e adicionalmente uma das fundadoras do PENSA, Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial, ao lado de Decio Zilberjsteyn.
Nesse encontro terminamos por tratar muito mais das gigantescas oportunidades futuras com a bioeletricidade, ou seja, energia gerada a partir do bagaço da cana, do que do biocombustível, do etanol e dos aspectos do retorno da mistura de 25% do álcool na gasolina, do aumento dos preços dos combustíveis, e das questões estruturais desse renovado setor do agronegócio para o Brasil e para o mundo.
Um aspecto muito significativo é o potencial existente na geração de eletricidade a partir do bagaço da cana de açúcar. Se todo o potencial existente estivesse pronto e sendo usado, isto poderia equivaler ao total de três usinas Belo Monte reunidas.
A realidade atual ainda é pequena, perante esse potencial, que para ser empregado iria exigir uma gestão da matriz energética de maneira inteligente e desprovida de preconceitos, e jamais colocando uma fonte energética contra a outra.
Nesse aspecto, dizia Beth Farina, não podemos usar a palavra OU, quer dizer OU eólica OU bioeletricidade, OU petróleo, OU hidrelétrica. Precisamos passar a usar a conjunção E, ou seja, Eólica E bioeletricidade E petróleo E solar E hidrelétrica E etc.
No ano passado, informa o especialista Zilmar de Souza, assessor de bioeletricidade da UNICA, as usinas e destilarias ofertaram para o sistema de distribuição de energia elétrica 1.300 megawatts médios a partir dos resíduos da cana.
Segundo Zilmar isso significa uma poupança de 5% da água dos reservatórios das hidrelétricas das regiões sudeste e centro-oeste do País. Esse indicador revela a importância que a geração de eletricidade a partir dos resíduos da cana de açúcar já começam a ter e que podem vir a ter no Brasil, num mundo cada vez com fontes mais escassas e mais disputadas, onde os recursos naturais não podem ser mais esgotados, e precisam ser produzidos a partir de fontes renováveis, a produção de biomassa, o uso da eólica e a redução do desperdício, ensinando a população a não jogar eletricidade fora, passa a ser vital.
Não fosse já essa oferta de eletricidade das usinas, a situação dos reservatórios de água, que operam à metade do que apresentavam no mesmo período do ano passado, estaria ainda pior. Para o ano de 2013, as projeções apontam que as 400 usinas e destilarias existentes no País deverão processar em torno de 630 milhões de toneladas de cana, e todas as usinas geram sua própria eletricidade, e ainda oferecem uma sobra.
Agora um estudo está sendo finalizado para levar ao governo uma visão e uma proposta de como as usinas podem oferecer bioeletricidade no período da entressafra, entre dezembro e março, justamente no pico dos problemas dos reservatórios de água. Bioeletricidade a partir da biomassa, existe potencial para produzir o equivalente a mais de duas vezes a energia a ser produzida em Belo Monte.
Cesta básica subiu acima de 10% em 10 capitais no ano passado
Mesmo com mais uma safra record, o preço dos alimentos na cesta básica subiram mais de 10% em dez capitais, dentre as 17 acompanhadas pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos), isto significa quase o dobro da inflação anual que foi de 5,73%. Norte e Nordeste foram os campeões dos aumentos de preço, ainda acompanhados por Brasília, Florianópolis e Belo Horizonte. E São Paulo quase bateu nos 10%, com 9,96%.
O arroz e o feijão puxam a alta, além do óleo de soja, manteiga e café. O arroz explodiu, subiu mais de 10% em todas as cidades, e o feijão explodiu mais ainda, superando 20% em todas as localidades pesquisadas.
A razão? Oferta menor do que a demanda, e passagem de custos para o consumidor final, ao longo da cadeia de valor.
Safras prejudicadas por fatores climáticos, e fortíssima competição dos preços altos dos grãos, fundamentalmente soja e milho.
A farinha cresceu também, em função do aumento do preço do trigo e oferta com problemas a nível internacional, sem contar a pressão de custo e de preços nas carnes, da mesma forma. Ou seja, parece que ingressamos mesmo numa era do fim do alimento barato.
O Brasil aponta para mais uma superssafra neste ano, porém, muito concentrada nos grãos, alavancados pelas condições internacionais da soja, milho e trigo; isso tudo acena para a importância vital de um plano agrícola, setor por setor, que assegure o abastecimento, e uma revisão do diálogo que o setor do agronegócio precisa fazer com a sociedade urbana, e os elos das cadeias, fundamentalmente o varejo, os supermercados e a agroindústria processadora, passando por tributos, logística burocracia e todo esse custo impossível de ser suportado nos tempos que se avizinham.
Cuiabanos colocam agricultores na mesma importância de professores, bombeiros e médicos
Essa pra mim é a notícia que escolho para dar a grande virada em 2013. Uma enquete feita pela Aprosoja, na cidade de Cuiabá, junto ao público urbano, apontou a categoria dos agricultores como uma das mais importantes para a vida. De zero a 10, os agricultores receberam nota 9,40, logo após professores, bombeiros e médicos.
Existem desinformações, falta de compreensão de vários fatores do agronegócio, pela população urbana, e mesmo falta de uma visão mais completa do seu impacto econômico e na qualidade de vida da sociedade urbana, porém, ao serem perguntados e expostos a diversas profissões, enquanto políticos iam para o último lugar, acompanhado de “religiosos profissionais” , agricultores tomavam o seu merecido lugar de fundamentais para a vida na terra e valorizados como professores, bombeiros e médicos.
Uma pesquisa ampla nas 12 maiores cidades populacionais brasileiras está sendo conduzida nesta virada de ano, para obter a percepção da sociedade urbana sobre o agronegócio, incluindo a categoria profissional dos agricultores, conduzida pelo Núcleo de Agronegócio da ESPM e da Abag, Associação Brasileira de Agronegócio.
Teremos as respostas em torno de março de 2013. Mas, por enquanto, fico com a nota 9,40 dada pelos urbanos, aos agricultores. As lideranças rurais precisam repensar a forma do diálogo, o tom, a frequência e o tipo de conteúdo que canalizam para a sociedade e para os jornalistas.
