CGU vai investigar pagamento de R$ 660 mil ao diretor do DIPOA
O atual diretor do DIPOA - Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, Luiz Carlos de Oliveira; foi no passado , Diretor executivo da ABIEC – Associação Brasileira das Industrias Exportadoras de Carne. À época, foi demitido, sob alegação de incompetência para o cargo, conforme a declaração da própria ABIEC na petição inicial no processo; e matéria no Jornal Valor. O que agora intriga o CGU, é que o acordo ao qual, as partes chegaram, pagamento de R$ 660 mil, ocorreu após a nomeação do atual diretor do DIPOA, dois meses após a posse. E, o que fica, ainda mais intrigante é o silêncio do setor, que prefere calar e não atender a imprensa. O Brasil vai muito bem no negócio das carnes, o que não precisamos é de nenhuma percepção negativa na condução, exatamente do órgão, responsável pela defesa sanitária e segurança dos negócios, tanto no mercado interno, quanto no exterior.
Revolução verde 2.0 – Tecnologia emergente 2012.
Em ABu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, houve a reunião do World Economic Forum, em 2011. E, foram recolhidas com os líderes presentes, quais seriam as Top 10 – Emerging Technologies para 2012. Dentre outras como a informática agregando valor á informação ; a biologia sintética e engenharia metabólica; materiais desenhados em nanoescala; surgiu a REVOLUÇÃO VERDE 2.0.
Com o desafio de aumentar a produção, e de gerar alimentos que sejam nutritivos e saudáveis, enquanto preservamos as fontes energéticas, a água e as terras agricultáveis disponíveis, os grandes saltos serão dados na obtenção de fertilizantes artificiais. Esse avanço é considerado um dos mais importantes saltos da moderna química. Interessantemente, podemos ver movimentos reais, já no campo brasileiro, representado pelas empresas ligadas à Abisolo, com propostas tecnológica focadas e diferenciadas do padrão clássico anterior.
Haverá uma integração das ciencias físicas com a biologia, o desenvolvimento de uma nanoagritecnologia, com ganhos de conhecimentos cruzados. Por exemplo um fungicida que adiciona uma capacidade de ampliação da transformação incremental da fotosíntese da planta; além da genética alavancada com o poder de simulação e modelagem computacionais.
Em, outras palavras : ” não haverá agronegócio sem ciência e tecnologia viabilizada e capilar. Uma moderna organização agropecuaria precisa de fortes vínculos com a ciencia, a educação e marketing, pois se tudo isso não for percebido pelos clientes, não será possivel obter o ” pay back ” no tempo necessário para a realização do lucro.
A mulher do fazendeiro.
Em casa a última palavra é sempre a minha : ” pois não, querida ”
Nas andanças por esse mundo velho sem porteira, no marketing e vendas da Jacto e da Agroceres, la se foram uns bons 15 anos de vivencia , permeando toda minha juventude. E, como nunca larguei o agronegócio, ele também nunca me largou. Descobri que o Agronegócio é fiel, e continuo nele, cumprindo já 35 anos de experiencia. E, com isso muitas boas histórias. Uma delas é sobre o poder gigantesco das mulheres no campo. A mulher sempre esteve la. Nas grandes fazendas era o esteio da casa. No pioneirismo dos colonos era a força que não deixava retroceder. E, no minifundio era de tudo : casa, trabalho na roça e o amor dos filhos e do homem. A mulher sempre esteve na agricultura. Diz a história que devemos a arte do cultivo às mulheres. Elas ficavam enquanto os homens caçavam. E, enquantro ficavam, cultivavam e colhiam. A deusa da agricultura, não é à toa, é exatamente uma Deusa : Ceres.
Mas, la estava o fazendeiro bravo e furioso, arrancando os cabelos com o gerente do banco. A conversa já ia longa e não tinha acordo. O fazendeiro insistia numa renegociação, pois São Pedro naqele ano havia sido mais imprevisivel do que nunca; e o gerente do banco fincava o pé nas datas combinadas do recebimento. A coisa ia mal parada, os nervos exaltados, quando entra pela porta do banco a mulher do fazendeiro. Trazia um ‘ pirex “, uma forma embrulhada num lindo pano de algodão branquinho, uma delicia que exalava um doce tentador. Era um Cuca, aquele mágico bolo alemão, impossivel de não ser comido, degustado e digno de uma pausa reconciliadora. Descobriu a apetitosa iguaria e começou servindo a todos, funcionários e outros clientes, com pedaços do Cuca. Imediatamente o clima na agencia bancária foi tomada por uma carga humana, e nem parecia mais estarem todos ali numa fria casa de números financeiros. O marido calou, o gerente silenciou e olhou. A mulher do fazendeiro veio até eles, todos se serviram com um pedaço e ela disse , voltando-se para o gerente do banco : ” ….essa coisa gostosa aqui não existiria se a gente não plantasse e não colhesse. Agora que estamos todos juntos, nos de uma chance, nós precisamos renegociar a dívida e o Sr vai nos ajudar…..sorrindo, levantou, e la se foi com o que sobrou daquela forma do delicioso bolo alemão.
O fazendeiro e o gerente chegaram num acordo, e a condição foi que no café da tarde, sempre houvesse por ali os pedaços daquele delicioso cuca.
LOCALFARMING : Viveremos uma onda de foco nos pequenos agricultores.
O mundo, aos trancos e barrancos, sempre dá jeito perante as expectativas catastróficas. Já em andamento observamos os movimentos voltados, não só ao cooperativismo, aos selos de ” fair trade “, ao associativismo com o marketing de origem dos produtos agrícolas; mas passamos a ver o engajamento de grandes corporações no desenvolvimento de uma rede nova de fornecedores, com real apelo social. Isso já pode começar a ser observado em super mercados, em iniciativas de apoio governamental, como compras do governo com acesso aos micros e pequenos; e estratégias empresariais como a Unilever, por exemplo, que estima inserir ” meio milhão de pequenos agricultores, em sua rede de fornecedores, até 2020 ” ( fonte Harvard Business Review ). Nos Estados Unidos, pela internet, um serviço chamado de Local Orbit viabiliza a compra de vários produtos agrícolas de produtores locais, de uma só vez. Além disso, pesquisadores do MIT garantem que em poucos anos, será possivel levar luz elétrica através de painéis fotovoltáicos, produzidos a partir de massa verde. No mundo exixtem cerca de 1.5 bilhão de pessoas sem acesso a nenhuma energia elétrica. E os dados revelam que a partir de apenas 2 . 500 quilowatts-hora, per capita, o indice de desenvolvimento humano do pais é acelerado. As frutas deverão ter um grande acréscimo no consumo saudável humano, dos proximos anos, dobrando sua participação dos atuais 10% das vendas de alimentos nos supermercados americanos. O LOCALFARMING, será cada vez mais estimulado com as novas tecnologias que permitirão o desenvolvimento da produção e do consumo regionalizados. Esta nova logistica melhorará custos de distribuição, segurança alimentar, em carbono, transporte etc… São cerca de 1.3 bilhão de produtores no mundo todo. O desafio não será apenas alimentar de 7 a 9 bilhões de seres humanos, será o de manter e aumentar o numero de produtores, de todos os portes, na nova agropecuária.
Produtores brasileiros nos Estados Unidos discutindo royalties e futuro da genética.
Os produtores brasileitos iniciam uma marcha global muito positiva. Uma representação da APROSOJA, foi aos Estados Unidos para renegociar o critério de pagamento de royalties nas sementes geneticamente modificadas, enquanto procuram aprofundamento sobre os rumos da pesquisa genética na área. Sobre a pesquisa, o programa precisa envolver cada vez mais uma diversidade maior de moléculas químicas para o combate fitosanitário; e lançamento e inovações de materiais genéticos novos. Em paralelo o manejo integrado e a rotação de culturas continua sendo o velho e vital conselho. O que escutamos dos agricultores brasileiros é sim uma forte demanda por inovações. E, essas inovações conforme a percepção dos nossos produtores não tem ocorrido na diversidade e na quantidade, até prometida – conversada, mas raramente lançada. E, do outro lado, faço coro aos produtores brasileiros, sobre a necessidade de renegociar o sistema de pagamento das sementes. O Brasil é o unico mercado do mundo onde, além da compra da semente, no caso da soja gmo; o agricultor ainda fica devendo um ” extra “, em função da produtividade obtida. O que além de penalizar a eficácia assume impressões de ” non sense “, pois as sementes não estão desenvolvidas geneticamente na direção da produtividade em si, bastando para isso realizar testes com fórmuilas diferenciadas de adubo. Há muita gente boa com ótima intenção de ambos os lados : agricultores, pesquisadores e executivos da industria internacional da genética vegetal. É chegada a hora de uma renegociação na lei e nos acordos antigos. O mundo mudou e o Brasil mudou mais rápido do que o mundo, no seu agronegócio. Um papel novo no cenário global.
O lado A e o lado B…
Na avaliação de 2011, o agronegócio continuou como a grande locomotiva da economia brasileira. Superávit na balança de pagamentos e, ao lado da mineração, tivemos no reino das commodities e de um mercado interno consumidor ascendente as principais fortalezas brasileiras.
Nos destaques mais positivos vem o desenvolvimento do interior do país, onde a produção de grãos cresceu com produtividade, gestão e tecnologia. Os estados do Mato Grosso, Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí são as novas áreas agricultáveis, onde o conhecimento tropicalizado da nossa agricultura ofereceram e continuarão oferecendo saltos de produtividade.
No Rio Grande do Sul, áreas como Não me Toque com um cooperativismo de ponta, representam agora o melhor da mecanização e dos processos do plantio direto. No Paraná, a Coamo, Cooperativa de Campo Mourão recebe prêmios como a empresa do agronegócio do ano. Em Minas Gerais o café das especialidades continua em marcha, a colheita mecanizada em grandes áreas cafeicultoras, e progredindo também no Espírito Santo em áreas de frutas e cacau. Visitamos Itabuna e a Ceplac num programa de renovação de seus quadros técnicos, com a promessa da retomada da qualidade do chocolate brasileiro.
O lado positivo do agronegócio brasileiro continou importantíssimo e continuará em 2012. Porém, nem só de flores viveu e vive o agronegócio, como em toda planta, os espinhos também acontecem, e neste ano, iremos rever as principais oportunidades e obstáculos do agronegócio brasileiro…
José Luiz Tejon Megido
Dirigente do Núcleo de Agronegócio da ESPM. Diretor Vice Presidente do CCAS – Conselho Cientifico para a Agricultura Sustentável/ Comentarista da Rede EstadãoESPN.
OS 7 DESAFIOS DO AGRIBUSINESS – A jornada dos próximos 10 anos
Com muito mais sensores sendo inventados e usados no mundo, passamos a auscultar, medir e saber coisas que ignorávamos. Mais rastreabilidade, mais análise sensorial, lá vamos no agribusiness com um dos desafios dentre os 7, de significativa importância e predominância: O REINO DE AVATAR. Uma geração de clientes e de consumidores cada vez mais sensíveis e sensibilizados pelas informações da sustentabilidade em todos os níveis. A Coca-Cola manda analisar os lotes de suco de laranja que recebe para processar seus refrigerantes e detecta resíduos de Carbendazin, por exemplo. Esse defensivo é usado para o controle da pinta preta na laranja. Ela fica não estética, porém o aspecto da saudabilidade passa a contar. E se tem algo que a Coca Cola, e todos os processadores e redes de varejo do mundo, não querem, é ter problemas com reclamações e riscos de saúde dos seus clientes. Portanto, estabelece-se a discussão, e os técnicos vão debater, se 30 partes por bilhão na laranja, é nocivo ou não, e por que o Japão aceita 3 mil, e a Europa 200 partes por bilhão, e o que vão fazer com os Estados Unidos que tem na sua regra zero, ou 10, o que é praticamente zero ? Um desafio crescente é exatamente esse dos sensores e da ampliação da sensibilidade e de baixíssimos limiares à questão da saúde humana e do planeta.
O segundo desafio é sobre as terras agricultáveis. O mundo precisará dobrar sua oferta de alimentos e de energia renovável. Os dados da FAO dizem que 70% desse aumento virá da tecnologia, 10% da intensidade de ciclos agrícolas na mesma área e os restantes 20%, esses sim – advindos de novas áreas agrícolas. Quer dizer, terra passou a valer ouro. A expansão de novas fronteiras ficou limitada e a relação de posse das terras agricultáveis muda de figura, sendo um dos ativos que mais valorizaram no mundo nos últimos 5 anos. O Brasil ao lado do Sudão, na África, são as duas reservas maiores do planeta, neste quesito. O terceiro desafio é o da população : gente. Crescemos à proporção de 4 novos nascimentos por segundo. Seremos 9 bilhões, já somos 7 bilhões. E este novo habitante está completamente conectado e inter-ligado. A internet amplia a ética situacional do passado, e além das conexões via celulares, computadores, televisores, ela vem ai agora na nova Internet das Coisas. Quer dizer, no chuveiro, no micro ondas, no fogão, no carro etc. O quarto desafio é não só a produção alimentar, que deve dobrar, mas a qualidade da mesma. Matérias primas produzidas a partir do campo passam a importar cada vez mais na análise percebida das marcas dos processadores e distribuidores de alimentos, fibras, energia , proteínas e demais derivados do agronegócio. Alimento e energia , sua produção, distribuição e percepção pelos mercados interconectados se transformam em um novo desafio para a gestão de toda a cadeia de valor, desde o antes, passando pelo dentro e pelo pós porteira das fazendas.
O 5º. Desafio á a inovação, a adoção, a gestão da tecnologia e seu ciclo de vida. O problema não é mais contar com uma tecnologia avançada, a necessidade é que precisamos contar com mais do que uma. Essa diversidade tecnológica de ponta vai exigir de agricultores, da industria química, mecânica, da genética, e dos processadores um nível de diálogo “ online “ . A área acadêmica, a escola e a pesquisa pública não resistirão á ausência de velocidade, bem como a governança do agronegócio será cada vez mais fundamentado nos conselhos setoriais. Na tecnologia, as reservas dos germoplasmas locais será fator de gestão de risco e de segurança ambiental, político e de interesse nacional. O 6º. Desafio é a questão : Quem será o produtor rural em 2022 ? Daqui a 10 anos, quem será, como serão, quantos existirão ? Quais os segmentos, os nichos ? Qual as competências desse novo quadro humano de produtores para os próximos 10 anos ? O presente passou a ser o resultado do futuro. O que já temos agora, quais os sinais que já captamos neste instante que nos revelam a jornada e a janela do amanhã ? Antever os movimentos é um desafio essencial para todos os agentes envolvidos no agribusiness, e que será fundamental para a construção de “ brands “ que resistam ao tempo. Produto é o que fazemos na industria ou no campo, marca é aquilo que construímos na mente apaixonada dos seres humanos. E, se o produtor é esse universo a ser revisto, incluindo a imprevisibilidade cíclica do mundo, onde numa crise européia, por exemplo, começamos a assistir um êxodo ao contrário : urbanos abandonam as cidades e iniciam novos negócios no campo; as velhas “ quintas “ passam a ser vistas como fontes de qualidade de vida, e também, de empreendedorismo; se isso tudo configura uma das questões que mais intrigam os atuais executivos gestores dos agronegócio, entra aqui o 7º, desafio : Marketing. O velho e bom marketing: agronegocio sem marketing é só agro, sem negócio: que significa colocar a mente humana de todos os stakeholders no centro das mesas de decisões dos negócios, e do agronegócio. O quanto sabemos desse exército de novos clientes oriundos da base da pirâmide planetária ? Desses atuais 7 bilhões, praticamente a metade é de novos entrantes. Se o macarrão, por exemplo, tem penetração e capilaridade em 100% das residências do Brasil, e somos o 3º maior mercado do mundo nas massas, é agora, com a ascensão da classe C, quase 100 milhões de consumidores ávidos pelas vontades consumistas, que começou a haver a penetração das novas massas recheadas. Do “ spaghetti “ ao caneloni é a jornada que já está em veloz penetração. E, da mesma forma nas carnes, leite, hortifrutis, fibras, cana, cacau, arroz … ou seringueiras .
Terra, Pessoas, Alimento e energia, O Reino de Avatar, Tecnologia, O produtor do futuro, e o Marketing. A síntese dos 7 desafios do agribusiness. Como será 2022 ? 10 anos à frente do nosso tempo ?
O diálogo com a sociedade é fator “ sine qua non “ por parte de todos os agentes envolvidos no agronegócio, e construir empresas com uma nova inteligência pedagógica passa a ser vital. Na educação antiga éramos levados a primeiro pensar, depois fazer e se desse um dia na vida : sentir. A expressão lúdica, moderna, começa pela arte do fazer, ao fazer sentimos e ao sentir pensamos. Essa prudência é sagrada para não cairmos nos grandes erros das decisões de líderes bem intencionados ,mas que caem no pecado das distrações. A velocidade mudou, é quase instantânea e todos esses 7 macro desafios do agribusiness precisam estar embalados pela altíssima velocidade de um novo hibrido: Faz, sente e pensa.
José Luiz Tejon Megido
Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM
Diretor Vice Presidente do CCAS – Conselho Cientifico para a Agricultura Sustentável/ Comentarista da Rede EstadãoESPN
O que consumidores pensam de agricultores e vice versa ?
A Basf encomendou uma pesquisa para a Synovate ( Alemanha ), sobre aspectos da percepção que os produtores rurais tem de questões do consumidor e destes com os agricultores. A pesquisa foi feita em 6 paises : França, Espanha, Canadá, Estados Unidos, India e Brasil. As visões são muito interessantes, por exemplo as principais conclusões gerais do estudo : A maioria considera a agricultura uma vocação. Assegurar o suprimento de alimentos no mundo é o maior desafio. Os produtores levam a sério as preocupações dos consumidores finais e os agricultores buscam maior suporte da indústria e da sociedade. Interessante ver que no Brasil e nos Estados Unidos é onde os agricultores mais se consideram hoje como ” homens de negócio “. ao contrário da Índia onde não se veem assim. Também os produtores brasileiros se veem como ” gestores ” da terra, da mesma forma como os americanos. Os consumidores individualmente dizem ter respeito pela profissão dos agricultores, mas quando perguntados se a ” sociedade ” também tem, a resposta é surpreendentemente menor. Por outro lado os produtores rurais não se sentem respeitados e nesse item empatam em todos os paises, com excessão da Índia onde a sua auto-estima é bem maior. Como imaginávamos, na França – tanto o consumidor respeita o produtor, quanto a sociedade como um todo. Essa imagem é bem maior por parte do público do que aquela que os produtores da França tem de si mesmos. No item satisfação, os agricultores brasileiros e os americanos são os mais satisfeitos dentre os paises pesquisados, e os menos satisfeitos são os franceses e os espanhóis. Os produtores brasileiros são os que menos acreditam que os consumidores pagariam mais por produtos ambiental e socialmente sustentáveis. E os consumidores brasileiros ao lado dos Indianos são os que revelam, de fato, menor propensão a pagar mais por esses produtos. A Alemanha e os Estados Unidos são os que mais revelam propensão nesse aspecto. Os produtores rurais de forma geral pedem mais tecnologia amigável nos aspectos ambientais, solicitam maior representação pública dos seus interesses, e no caso brasileiro – gostariam de ter mais treinamento sobre a utilização da tecnologia. Importante é ver que o cidadão urbano tem uma visão de que o agricultor é o principal ” esteio ” das zonas rurais. Entretanto, os agricultores tem uma visão menor, nesse sentido, o que é revelador de um campo espetacular para as ações de marketing dos agricultores, no mundo inteiro.
Fiasco na OMC, agora vale o protecionismo.
Quase nenhuma atenção no evento da OMC, nos ultimos dias na cidade de Genebra. Falsas promessas de mercados abertos, e a realidade é que a recessão determinou o fim da era dos acordos. Pascal Lamy, o diretor geral da OMC disse ” para 2012, há poucos sinais de otimismo. O clima é ruim e vivemos tempos dificeis, com a pressão protecionista aumentando “. Até o famoso ALCA, que objetivava a integração do continente americano, teve seu escritório no Mèxico, em Puebla, fechado. O que sobra mesmo é a dura realidade. O Brasil tem na sua base de crescimento o agronegócio e mineração. O clima seco na America do Sul, faz com que os preços de soja, milho e trigo aumentem. Se não fosse o agronegócio brasileiro, estaríamos já amargando crescimento zero ou abaixo de zero no PIB do país. No agronegócio somos o Barcelona, e agora em 2012 vem o grande desafio para implantar as decisões do novo código florestal. E, na Aprosoja que continuem as ótimas gestões, com a saida do Glauber e a entrada do Carlos Fávaro. Entidades representativas das categorias dos produtores são fatores controláveis vitais, no jogo cada vez mais complexo dos mercados.
Das 10 regiões com maior crescimento, 6 são agronegócio.
A Deloitte, à pedido da Exame realizou um estudo para captar quais foram as regiões brasileiras que mais cresceram nos últimos 3 anos, no Brasil. eliminando as áreas já consolidadas e outras muito dependentes da administração pública, ficaram as 10 maiores. Essas regiões tiveram um crescimento de 45% nos últimos 3 anos. 6 delas são ligadas total ou fortemente ao agronegócio : 1 – Norte e Sudeste do Mato Grosso; 2 – Sul goiano; 3 – Noroeste Gaucho ; 4 – Sul Maranhense ( Porto Franco e Estreito ) ; 5 – Litoral Norte Catarinense ( 33% de embarque de frango ); 6 – Litoral Paranaense ( 21% do embarque de soja ). E, as outras 4 regiões estão associadas ao minério, mineração, gas e petróleo : Sudeste Paraense; Norte Potiguar; Sudeste Mineiro ; e Norte Fluminense e Sul Capixaba.
Quer dizer, quando somos perguntados sobre o aspecto de pais emergente, temos no agronegócio, nos minérios, no petróleo ; e num povo empreendedor e trabalhador que forja essa classe média do segmento ” C “; as principais razões positivas. Além disso, em pesquisa da americana ManPower, com 25 mil empresários, o Brasil ocupa o sexto lugar no mundo, ao lado do Japão em produtividade. Parece que ja somos muito maiores do que conseguimos perceber, e que o agronegócio não está mais em discussão : ja é consolidação.


