NAVEGAÇÃO
 
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Consultor em Agronegócios

Costa: Se o acidente tivesse ocorrido no Brasil

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Em defesa do pobre Capitão Schettino

Se o acidente sinistro tivesse ocorrido em mares  brasileiros, com certeza várias teses defensivas surgiriam, dada a  impressionante criatividade de nossos colegas advogados criminalistas e, com
certeza, muitas delas poderiam ser utilizadas para livrar o capitão do navio da prisão e até para absolvê-lo até pelo STF …é claro:

1.   o capitão não abandonou a embarcação pois, afinal, o bote é também uma embarcação;

2.   como a rocha é uma ocorrência geográfica natural, o naufrágio foi um simples evento natural sem repercussão para o direito penal;

3.     como o cruzeiro estava no raso, não houve naufrágio;

4.     não há prova que as mortes ocorreram em razão do acidente;

5.     em um governo civil, não deve haver autoridade para o comandante da capitania dos portos sob pena de instalarmos o
estado policial ditatorial militar (tese imediatamente adotada pelo STJ e STF);

6.     o capitão é branco e de boa índole;

7.     o naufrágio foi um acidente de consumo e os turistas são consumidores.  Não há repercussão penal em razão da subsidiariedade do direito penal;

8.     é inconstitucional a definição de mar territorial, pois o mar é feito de água;

9.     a denúncia é inepta, como todas;

10.   qualquer coisa que ocupe mais de uma página, seja chamada de habeas corpus e fale que o capitão é vítima de forças
superiores e mancomunadas, basta. (Sumulada pelo STJ e STF);

11.   fugir para o Brasil e alegar que a Itália vive num estado de exceção permanente (Bunga-Bunga State) e que, portanto, seria impossí­vel obter um julgamento justo, sem perseguição política,
nos tribunais italianos (em fase de unificação de entendimento, com participação especial do PT);

12.   a prova de que o capitão abandonou o navio é ilícita: gravações interceptadas sem autorização judicial (Sumulada pelo STF);

13.   ele foi interrogado por um Procurador da República, e o MP não pode investigar.

14.   atipicidade material:  os danos causados a embarcação são insignificantes, que inclusive pode vir a ser rebocada e reparada. A quantidade de vitimas fatais (cerca de 30) é insignificante no contexto de 4.000 pessoas. Aplicação do princípio da Insignificância.

15.   o comandante tem profissão definida, endereço conhecido e bons antecedentes. A prisão é ilegal. A ofensa ao princípio da dignidade humana contamina toda a investigação e nulifica a ação penal.

16.   o comandante foi ouvido sem a presença de advogado, nem mesmo da defensoria pública. Toda a prova colhida a partir daí está prejudicada pela teoria dos frutos da árvore envenenada (também conhecida como princípio do Eden) e não permite oferecer denúncia. Melhor fazer de conta que nada aconteceu.

17.   não há gravação visual do capitão entrando no bote e abandonando o navio. Outrossim, como era noite e não havia visibilidade, poderia ter sido qualquer pessoa usando o celular do
capitão e se passando por ele. In dubio pro reo.

18.   não há comprovação de que o capitão abandonou o navio dolosamente. O navio adernou (fato público e notório), fazendo com que muitos tripulantes fossem jogados ao mar. Ele não abandonou o navio por vontade própria, foi jogado ao mar
juntamente com o bote. Ausência de dolo. Tem que levar em conta que era sexta-feira 13.

19.   se não foi caso de interceptação, mas
de gravação, ainda assim a prova é ilícita, porque obra de agente provocador: o capitão não ligou para o comandante para dizer onde estava; foi o comandante que ligou para o celular do capitão para acusá-lo de estar fora do navio. Prova unilateral, crime induzido, flagrante provocado, crime impossível;

20.   as equipes de salvamento não tomaram as devidas cautelas ao entrarem, sem autorização judicial, no navio à deriva, inclusive utilizando explosivos. Alteraram a cena do crime antes da chegada dos peritos, em desacordo com o art. 6 a, do CPP. A produção de prova é imprestável ao impedir que o investigado possa contraditar as conclusões com o corpo de delito intacto, violando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Provas contaminadas pela nulidade que impedem a persecução penal.

21.   ao capitão Schettino é assegurado o direito de ajuizar contra De Falco ação penal privada por crime contra a honra, sem prejuízo da ação de indenização por danos morais, pelo constrangimento de
constatar a reprodução midiática em larga escala das ordens que lhe foram enfaticamente dadas, o que fere o princípio da dignidade humana e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

22.   não é possível afirmar a autoria do delito, pois o capitão Schettino, no momento do pseudo desastre, estava recolhido, jantando uma loirinha. Exercício regular de direito reconhecido.

23.   o capitão Schettino não tinha o dever de permanecer no navio, o que equivaleria ao uso de algemas. Costume naval não recepcionado pela Constituição Cidadã. Prática condenada pelo STF. Matéria Sumulada. Ação penal nati morta.

Colecionada na internet.

1 de fevereiro de 2012 as 19:16

A Fábula do Gato Barbudo – 2003 até hoje…

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A Fábula do gato barbudo

Um fazendeiro plantava milho e armazenava o milho no paiol.

Com o milho, o fazendeiro alimentava as galinhas, os cavalos, as vacas, ovelhas e todos os outros bichos da fazenda.

Os bichos da fazenda, por sua vez, garantiam ao fazendeiro o seu sustento.

Os ratos insistiam em roubar o milho armazenado no paiol. Quem cuidava do paiol era um cachorro. Um cachorro preto e grande.

Quem cuidava do paiol antes do cachorro cuidar do paiol era o pai do cachorro e, antes do pai do cachorro assumir a sua função, quem cuidava do paiol era o avô do cachorro. E sempre foi assim, a família do cachorro cuidando do paiol, e não deixando que os ratos comessem todo o milho.

Era um trabalho duro: os ratos não acabavam nunca e, chovesse ou fizesse sol, lá estavam para roubar uma espiga aqui, outra ali.

O cachorro não tinha folga e para fazer frente à rapidez dos ratos, mantinha os músculos em forma e os reflexos ligeiros. Em compensação, o cachorro adorava o seu trabalho. Afinal, se não fosse por ele, os ratos já teriam há muito tempo comido todo o milho e acabado com a comida dos demais bichos.

Em reconhecimento ao seu trabalho, a bicharada elegeu o cachorro o presidente da fazenda. E claro que o mando do presidente não era perfeito,

discussões surgiam, a insatisfação aparecia.

Mas, de uma coisa todos podiam ter certeza: quem trabalhasse, ganhava o seu quinhão. Um dia, apareceu na fazenda um gato. Um gato magro e bigodudo. Tão bigodudo que, se tivessem barba os gatos, esse poderia ser um gato barbudo. O cachorro, como todo cachorro que se preza,ciente da sua função e do valor do seu trabalho, latiu para o gato, quis que o gato fosse embora. 

O cachorro sentia que aquele bicho de ar debochado, malicioso, sem muito gosto para o trabalho, não poderia ser grande coisa. O fazendeiro não ouviu o que o cachorro quis dizer, e o gato foi ficando, foi ficando, foi ficando…

O gato, que não trabalhava (que, aliás, nunca tinha trabalhado), tinha bastante tempo para conversar com os outros bichos da fazenda.

E chegava de mansinho junto da bicharada, magrinho, fraquinho, e começava a miar. Os outros bichos, muito bonzinhos, paravam para escutar o que o gato tinha para dizer:

- Miau, miau, ai, ai. O que vai ser de mim.

Não existe lugar nesta fazenda para um bichinho como eu, tão injustiçado, tão fraquinho!

Veja, não posso trabalhar, o sistema é tão injusto!

Só por que não nasci forte como o senhor, Seu Cavalo, só por que não posso dar leite como Dona Vaca, não posso trabalhar!

O “Seu” Cachorro, o dono do poder, não avalia essas contingências históricas e me mantém mergulhado nessa penúria…

- Mas, Seu Gato, e aquele trabalho que lhe ofereceram na casa, como guardião da dispensa?

- Não aceitei, Seu Cavalo.

Na verdade, prefiro continuar minha luta por condições mais dignas!

No fim, depois de tanta ladainha, os bichos começaram a acreditar no gato. A sentir pena do gato.

E o gato, que se dizia injustiçado.

Que se fazia passar por vítima. Que era explorado pelo sistema e, principalmente, pelo cachorro que lhe negava tais milhos.

Conquistou a simpatia dos bichos.

E fez com que os bichos acreditassem que ele, tão sofrido, tão maltratado, iria garantir a todos melhores condições de vida.

Tanto miou, tanto fez, que um dia os bichos revoltados com a situação de absoluta miserabilidade do gato e com a injustiça social reinante na fazenda, resolveram destituir o cachorro.

E de nada adiantou o cachorro insistir que cuidar do paiol não era para qualquer um. Que ele havia treinado muito para assumir essa função. Que os ratos não eram mole, e não dariam trégua assim tão fácil.

Afastaram o cachorro e, por unanimidade, colocaram no seu lugar o gato.

Os bichos sabiam que o gato dantes nunca havia trabalhado.

Que não tinha sequer se preparado para assumir a função mais importante na fazenda.

Mas acreditaram que o gato, por ter sofrido mais do que ninguém com a política do cachorro, traria ordem e moralidade à administração do paiol.

No começo, tudo foi festa: no lombo de Seu Cavalo, viajava o gato para outros sítios e fazendas, falando sobre a sua conquista.

Contava aos outros bichos que agora a fazenda vivia uma nova realidade.

Tanta era a festa, tanta era a euforia, tanta era a esperança, que os bichos não perceberam que mais e mais gatos não paravam de  chegar.

Gatos de todos os jeitos. Gatos vindos de todas as partes.

Gatos, que em comum com o gato-presidente, nunca tinham trabalhado na vida.

E o gato-presidente, que curiosamente chamava todos os demais gatos de companheiros, precisava arranjar uma função para essa gataiada.

Então, um dia, quando Seu Cavalo apareceu para puxar o arado, percebeu que, no seu lugar, um bando de gatos ocupava os arreios.

E Dona Vaca, que produzia o melhor leite da região, foi expulsa da estrebaria pelos companheiros do gato-presidente.

E as galinhas, no galinheiro não moravam mais: nos poleiros, gatos e mais gatos fingiam estar botando ovos.

E o gato-presidente remunerava prodigamente todos os seu companheiros. Afinal, um trabalho em prol da coletividade desempenhavam

Como era de se esperar, o gato-presidente (que nunca havia trabalhado na vida) não conseguia cuidar do paiol.

Os ratos logo perceberam a situação: atacavam, como nunca haviam feito, o milho da fazenda.

Tão complicada ficou a situação que o gato-presidente precisou conversar com o seu conselheiro. Um gato de óculos, que miava de um jeito esquisito, puxando demais os “erres”:

- Miarr, presidente. A coisa tá feia.

Em nome da governabilidade da fazenda, temos que nos aliar aos  ratos!

- Companheiro, os fins justificam os meios! Devemos passar aos demais bichos uma imagem de ordem e tranqüilidade!

E os gatos fizeram um pacto com os ratos: os ratos fingiam que não roubavam o milho, os gatos fingiam que caçavam os ratos.

Dessa forma, a bicharada acreditava que os ratos estavam sendo combatidos, e os ratos, que por baixo do pano recebiam suas espiguinhas, mantinham os gatos no poder.

Entretanto, o milho foi acabando.

E os bichos, que haviam acreditado na conversa do gato-presidente, com fome, começaram a ficar insatisfeitos.

E foram todos reclamar com o gato-presidente.

Tarde demais.

O paiol já estava infestado de ratos, ratos por toda parte, ratos em tudo. Ratos e gatos, gordos, barbudos, aproveitando tranqüilamente o que havia sobrado de milho no paiol enquanto o resto da bicharada, os bichos que sabiam trabalhar, que davam duro, ficaram sem comida.

 Obs: Qualquer semelhança dos gatos da fábula com os gatos de verdade é fantasiosa. Os gatos são animais simpáticos, que, como nós, ocupam seu lugar na ordem natural das coisas.

Diferentemente de muito petista que existe por aí…

Aristides Athayde é advogado, professor de Direito Internacional da Faculdade de Direito de Curitiba.

 Colecionada por Telmo Heinen – Abrasgrãos/Formosa (GO)

1 de janeiro de 2012 as 1:34

Postado na categoria Destaques, Economia

O nosso retorno ao candeeiro e ao Carro de boi

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Brasil, o retorno ao candeeiro e ao carro-de-boi

Não deixam de ser apelativos os argumentos dos ambientalóides quando argumentam contra os aproveitamentos hidrelétricos da Amazônia. Muito mais que as estradas e os incentivos fiscais, a região amazônica brasileira será mais impactada pelas usinas hidrelétricas que lá estão sendo construídas. Os muitos argumentos apresentados contra as usinas de Jirau e Santo Antonio no  rio Madeira  e Belo Monte no rio Xingu não podem deixar de sensibilizar os ouvidos das pessoas mais atentas à degradação do 1/2  ambiente pelo progresso.

Uma forma de raciocinar de forma correta é contra-argumentar que a alternativa para as usinas é o retorno ao candeeiro e ao carro-de-boi como fez o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral. Por outro lado, não se pode deixar de reconhecer que a única forma de alavancar o progresso na região é através de ações decisivas e perenes como o resultado da construção das usinas hidrelétricas. Produzir energia limpa a custos razoáveis é um argumento definitivo para as usinas. O impacto delas será suficiente para tirar da Era da Pedra Lascada a população indígena do entorno. Certamente não será possível um milagre para alçar a condição de vida destas comunidades às melhores condições de vida da classe média brasileira.

È também necessário considerar que a alternativa às usinas hidrelétricas seria a geração de energia com combustíveis fósseis que são muito poluentes. Ou  então, a geração de energia termonuclear que é alvo de muitas restrições pelo mundo a fora e o caso mais recente, a usina de Fukushima, no Japão, atingida por terremoto e por tsunami, é o caso atualmente mais ilustrativo dos riscos do aproveitamento de energia nuclear  para não se recorrer ao desastre da usina de Chernobil na Ucrânia.

No Brasil, poder-se-ia perguntar o que seria do Nordeste sem o aproveitamento da potencialidade hidrelétrica do rio São Francisco. Se o Nordeste brasileiro fosse um país independente, estaria entre as  trinta maiores economias do mundo. E esta mudança  ocorreu em apenas  cinco décadas pois a energia da Usina Paulo Afonso I , a primeira usina hidrelétrica construída no rio São Francisco, começou a ser gerada e distribuída na primeira metade da década dos anos 50 do século passado. Houve perdas do ponto de vista ambiental. A beleza da cachoeira de Paulo Afonso deixou de existir e hoje só pode ser vista em fotos preto-e-branco.  Mas houve ganhos de natureza sócio-econômico. No tempo correspondente ao de uma geração ocorreu um verdadeiro milagre na caatinga nordestina. A realidade no polígono semi-árido do Nordeste é muito diferente do tempo do pioneiro cearense Delmiro Gouveia que teve a amplitude de visão e a audácia de montar, na primeira metade do século XX, o primeiro aproveitamento hidrelétrico na cachoeira de Paulo Afonso.

Em artigo recente o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral escreveu que a renúncia à energia hidrelétrica por motivos ambientais provocaria, no Brasil,  o retorno ao candeeiro e ao carro-de-boi. Para acessar a postagem sob o título “O  RETORNO À LAMPARINA E AO OBSCURANTISMO”  no InfoBRASIL, a realidade nua e crua,  CLIQUE AQUI.

Indicado pelo amigo Didymo Borges de Recife.

24 de dezembro de 2011 as 17:58

Mitologia Grega também foi afetada pela crise

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Crise na Grécia provoca rebuliço na Mitologia…

1. “Hércules é demitido dos seus 12 trabalhos”.
2. “Afrodite foi rodar a bolsinha na esquina”.
3. “Hades começa a vender suco de soja”.
4. “Atenas entra em liquidação e muda seu nome para Apenas”.
5. “Platão, de tanto andar com Sócrates, agora está na fila para transplante de fígado”.
6. “Sem dinheiro para pagar uma diarista, Zeus muda o nome de seu lar de “Olimpo” para “Osujo”. 
7. “Multidão na Acrópole protesta para que Aquiles trate seu calcanhar no SUS”.
8. “Medusa transforma pessoas em pedra e vai vender na Cracolândia”.
9. “Acrópole é vendida e em seu lugar é inaugurada uma IURZ-Igreja Universal do Reino de Zeus”.
10. “Asclépio (deus da medicina) decide suspender o atendimento pelos planos de saúde”.
11. “Deusa Atenas é vista trabalhando como garçonete na Alemanha”.

12. “Hércules, demitido, procura bico como segurança na casa de tolerância de Vênus”.
13. “Narciso vende seus espelhos para pagar dívida do cheque especial”.
14. “Zeus vende o trono para José Sarney”.
15. “Medusa faz bico na ala dos ofídios em zoológico local”.
 

Waris Dirie Uma história real desta Africana da Somália

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Waris Dirie Uma história real desta Africana da Somália

A heroína desta história real foi a primeira modelo africana a ter um contrato com exclusividade com a Revlon.

  • Em 1997, escreveu seu primeiro livro, sua autobiografia, Flor del desierto, publicado em Nova York
  • Em 2002, no segundo livro, Amanecer en el desierto, descreve sua viagem.
  • Em 2005,no terceiro livro, Niñas del desierto,conta o dia que rompeu o silêncio, seus fracassos e suas vitórias.
  • Em 2007, em seu quarto livro,  Cartas a mi madre.

Waris Dirie disse que: “Este é meu livro mais intimista.Tem feridas que demoram  a  cicatrizar. O desejo de ver minha mãe de novo,..esquecê-la,… foi  muito forte. Tive que compreender que o amor e o sofrimento estão muitas vezes conectados. Trabalhar neste livro foi doloroso, mas uma experiência realmente necessária para mim…

Nasci no deserto da Somália, não sei a idade que tenho. Só sei que cada dia é uma novidade. 33 anos? 36 anos?

Que diferença faz!, no deserto não tem papéis e não fazem falta. O deserto foi meu lugar durante toda minha infância, eu pastoreava o rebanho de camelos  e cabras de meu pai.

O pior era andar descalça, o chão cheiode pedras,não podiamos comprar sapatos. Como me sangravam os pés!

Não tínhamos nada, nem casa, nem água, Éramos nômades…mas tínhamos o rebanho e a nós mesmos.

Estávamos bem!  Unidos: minha mãe, Meus  irmãos, meu pai me batia,  mas…ele mandava. Era um homem forte, alto, decidido, guerreiro.

Mas devo dizer que anos depois, quando estava sozinha em Nova York, preferiria mil vezes um bofetão de meu pai a essa solidão.

Cheguei a Nova York por um milagre. Quanto tinha 13 anos fugi. Meu pai queria casar-me com um velho de 60 anos, pois ele lhe daria 5 camelos. Eu era diferente,rebelde. As meninas são educadas para trabalhar e serem oferecidas em casamento. Isso que os pais querem para suas filhas.

A mãe se preocupa para que sua filha seja limpa, virgem,  por isso  minha mãe, aos 5 anos, me levou para fazer ablação, por me amar. E eu, claro queria ser “pura e limpa”!

Na Somália se pratica a ablação mais severa: retiram o clitóris e os pequenos lábios da vagina.

A ferida é fechada deixando apenas uma abertura do tamanho da cabeça de um fósforo, para urinar e menstruar….

Minha irmã morreu com hemorragia e eu desde aquele dia…soube que nada mais poderia machucar-me. Somente temo a Deus!

Alá é o único que pode derrotar-me…

Quando comecei a falar sobre ablação nos Estados Unidos, me senti muita culpada, porque estava criticando a cultura de minha família amada.

Hoje dedico-me a conseguir meios para formar professores na Somália, educar as meninas, as mães…Tive êxito com minha mãe, vinte anos depois que fugi de minha casa  e voltei à Somália.

Encontrei-me com minha mãe…e agora pensa  como eu: Há esperança! Para fugir, cruzei o deserto.

Numa manhã acordei com um leão na minha frente, com sua enorme juba e lhe disse: Coma-me. Estou preparada…e ele se foi.

Esse dia soube que ALÁ reservara algo para mim… E fui encontrar-me com uma tia minha que  estava casada com um diplomata da Somália enviado a Londres e pedi que me levassem como sua criada.

Nunca tinha visto brancos antes!

Me perguntava se queria mudar algo em meu Corpo? Se minhas pernas estavam tortas, mas não: e agradeço por elas, mesmo sendo  herança de minha má nutrição infantil, mas me lembram quem sou.

A única formosura que valorizo é da alma. Devemos dar Graças por estar vivos…

Hoje não me falta nada…mas quando vejo água sendo desperdiçada me dá desespero. O que não fazem no deserto por uma gota de água!… Com o tempo, voltei a ver meu Pai.   Roubaram seu rebanho e furaram-lhe os olhos com uma faca no deserto: Ficou cego…

Aquele homem tão poderoso e forte. Agora frágil e desamparado…Mas ainda de cabeça erguida!. Quando nos despedimos, confessou: “Você é como eu”.

Meu pai estava orgulhoso de mim . Chorei!

Waris Dirie se reencontrou com sua família, depois de 22 anos. A viagem de volta foi chocante. Atravessando o deserto, quis parar para socorrer a uma senhora que caminhava com os pés ensanguentados.

O chofer respondeu: “Não se preocupe, é apenas uma mulher”.

Como em um conto de fadas, Warie Dirie, se converteu em uma das modelos mais solicitadas da época. Um dia, enquanto esfregava pisos em uma loja, um fotográfo a descobriu. Logo, sua imagem era vista entre Paris, Londres, Itália e Nova York.

Waris Dirie deixou as passarelas, o cinema e a moda. Embaixadora das Nações Unidas, percorreu a  África e conseguiu que 15 países fossem penalizados pela mutilação feminina.

Criou a Fundação Desert Dawn para lutar contra a violência.

No meu regresso a África, contei tudo aos jornalistas, em conferências, em programas de televisão, como defensora das seis mil meninas que são mutiladas por dia. Nada pode ser pior que urinar e menstruar por uma abertura do tamanho de uma ervilha.

“Não somos vítimas. Ajudamos a mulheres que querem melhorar de vida e que lutam por isso”.

“Não sei se existe algo chamado valor e não sei se tenho”, disse. Sou como a “Ave Fênix de Ébano’, renascida várias vezes de suas cinzas.

“Quem se colocar no meu lugar, perguntará se terei forças para chegar ao outro lado.

É algo que milhões de seres humanos fazem a cada dia, e é a esses que queremos ajudar”, propõe Dirie.

“Meu modo de ajudar é ser como sou; fazer o que faço cada dia. Convencendo as pessoas de que é possível mudar”

Dirie escreveu vários livros sobre sua vida e percorreu o mundo numa batalha sem descanso contra a ablação, mas assegura que, dia a dia, sua meta é levar a paz, o amor e o respeito que sempre tem buscado, um valor que “exijo do mundo, para mim e para todos”

Sherry Hormann, disse: “Fiz o filme (baseado na história original) porque sou mulher, mãe e um ser humano. Todos fomos crianças e as crianças deveriam estar a salvo de qualquer sofrimento” , comentou Hormann, que desde a primeira leitura do livro de Dirie colocou a “coragem da autora acima da tristeza”.

Hoje se dedica a seu filho ALEEKE de 13 anos e a sua gente.

Difícil encarar um olhar: O olhar onipotente de um leão.

 

 

20 de novembro de 2011 as 20:38

A Dilma com seu lulês, mas o dilmês ainda rústico

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Para não deixar o brasileiro com saudades do LULÊS, a presidente nos agracia com discursos da maior clareza e transparência em DILMÊS….

Celso Arnaldo faz o resumo da Ópera da Maluquice: Impressionado com o discurso de Dilma em Cannes, o jornalista Celso Arnaldo Araújo, grande caçador de cretinices, juntou quatro maravilhas do dilmês rústico:

Dilma Rousseff, tentando explicar aos jornalistas o conteúdo de suas sucessivas reuniões com chefes de estado das outras 19 nações mais ricas do mundo, que discutiram em Cannes o futuro do planeta, com uma sucessão de frases e ideias que, levadas ao pé da letra, sem uma rigorosa revisão, seriam barradas da ata da reunião de condomínio de um conjunto habitacional do
Minha Casa Minha Vida.

“Aí fomos para a reunião do G20. Na reunião do G20… Aliás, desculpa, dos Brics. Na reunião dos Brics, os Brics discutiram a questão da crise europeia. Os Brics, eu acho que nenhum deles foi… todos eles acharam que tinha de aumentar, se houvesse uma ajuda, se fosse necessário a ajuda, se… obviamente, os que são ajudados têm de querer.
Enfim, são discussões…”

“Com a primeira-ministra, com a chanceler Angela Merkel, nós discutimos a importância da relação do Brasil com a Alemanha; enfatizamos que vamos dar uma ênfase muito grande à questão da pequena e da média empresa no Ano Brasil-Alemanha 2013/2014 (…) Enfim, eu estou tentando ser o máximo específica, mas, em geral, há muita, havia muita
preocupação com a questão da crise europeia”.

“Não é protecionismo, nós temos de nos proteger também, cada um faz o que pode. Agora, tem algumas medidas que nós
nunca vamos controlar. Não vamos controlar a hora que eles resolvem despejar 800… A última vez foram 800 milhões? Bi? Trezentos? Quanto foi o último quantitative easing, o dois? Seiscentos bi? Eu não vou… não tem como controlar isso, não tem como controlar a política cambial chinesa. Nós achamos é que não… passamos o tempo inteiro dizendo isso: que tem isso, que não pode ser assim, que tem de mudar. E, hoje, isso meio que se internalizou; hoje, não somos só nós a falar isso”.

13 de novembro de 2011 as 1:25

Postado na categoria Destaques, Economia

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Ciranda financeira na Europa

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Banco Central Europeu – Explicado como se fosse para as crianças…saiba mais !!!

O QUE É O BCE?
- O BCE é o banco central dos Estados da União Européia que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.

E DONDE VEIO O DINHEIRO DO BCE?
- O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuiram com 30%.

E É MUITO, ESSE DINHEIRO?
- O capital social era 5,8 bilhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 bilhões o capital do banco.

ENTãO, SE O BCE É O BANCO DESTES ESTADOS PODE EMPRESTAR DINHEIRO A PORTUGAL, OU NÃO? COMO QUALQUER BANCO PODE EMPRESTAR DINHEIRO A UM OU OUTRO DOS SEUS ACIONISTAS ?
- Não, não pode.

PORQUÊ?!
- Porquê? Porque… porque, bem… são as regras.

ENTÃO, A QUEM O BCE PODE EMPRESTAR DINHEIRO?
- A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.

AH PERCEBO, ENTãO PORTUGAL, OU A ALEMANHA, QUANDO PRECISA DE DINHEIRO EMPRESTADO NÃO VAI AO BCE, VAI AOS OUTROS BANCOS QUE POR SUA VEZ VÃO AO BCE.
- Pois é!

MAS PARA QUÊ COMPLICAR? NãO ERA MELHOR PORTUGAL OU A GRÉCIA OU A ALEMANHA IREM DIRETAMENTE AO BCE?
- Bom… sim… quer dizer… em certo sentido… mas assim os banqueiros não ganhariam nada nesse negócio!

AGORA NãO PERCEBI!!..
- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 bilhões de euros a países do
euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.

MAS ISSO ASSIM É UM “NEGÓCIO DA CHINA”! SÓ PARA IREM A BRUXELAS BUSCAR O DINHEIRO!
- Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 bilhões de euros.

ISSO É UM VERDADEIRO ROUBO… COM ESSE DINHEIRO ESCUSAVA-SE ATÉ DE CORTAR NAS PENSÕES, NO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO OU DE NOS TIRAREM PARTE DO 13º SALÁRIO.
As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que poderiam pagar os dividendos aos acionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.

MAS QUEM É QUE MANDA NO BCE E PERMITE UM ESCÂNDALO DESTES?
- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.

ENTÃO, OS GOVERNOS DÃO O NOSSO DINHEIRO AO BCE PARA ELES EMPRESTAREM AOS BANCOS A 1%, PARA DEPOIS ESTES EMPRESTAREM A 5 E A 7% AOS GOVERNOS QUE SÃO DONOS DO BCE?
- Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamosde corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6%, a 7 ou mais.

ENTÃO NÓS SOMOS OS DONOS DO DINHEIRO E NÃO PODEMOS PEDIR AO NOSSO PRÓPRIO BANCO!…
- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.

MAS, E OS NOSSOS GOVERNOS ACEITAM UMA COISA DESSAS?
- Os nossos Governos… Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.

MAS ENTÃO ELES NÃO ESTÃO LÁ ELEITOS POR NÓS?
- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois… quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta atual crise mundial, a maior de há um século
para cá. Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os cassinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.

E ONDE O FORAM BUSCAR?
- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?…

MAS METERAM OS RESPONSÁVEIS NA CADEIA?
- Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody’s,uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram… passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.

E ENTÃO COMO É? COMEMOS E CALAMOS?
- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar…

Estão nos cozinhando lentamente

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Então como é que é?  [É big, é big, é big, big, big...] – Estão nos cozinhando em fogo baixo.

Zero Hora, 06/11/2011 – Percival Puggina.

A fábula da rã que se deixa cozer viva, passivamente, em uma panela de água fria que vai ficando morna, depois quente e, por fim ferve, é perfeitamente aplicável a inúmeras estratégias em curso no país. Se, em vez de avançarem aos poucos, seus condutores saltassem etapas e nos jogassem diretamente onde desejam nos levar, haveria resistência social e os projetos fracassariam. Estão nos cozinhando em fogo baixo.

Muito se tem escrito sobre o ENEM, esse mastodonte que iniciou como uma avaliação de desempenho do Ensino Médio no país e que, com raras exceções, virou monstruosidade ainda maior – prova de seleção para ingresso nos estabelecimentos de Ensino Superior. Por quê? Porque alguns pedagogos, afinados com o poder político estabelecido, decidiram que era assim que tinha que ser. Já escrevi que quando o “coletivo” aparece com uma ideia, por extravagante que seja, ela acabará prevalente. Não vou discutir, aqui, os aspectos pedagógicos nem as onerosas trapalhadas em que se tem envolvido o tal provão do MEC. Detenho-me sobre uma pauta que não pode transitar sem ser denunciada em vista de seu significado para a democracia.

A forma federativa de Estado, constitucionalizada no Brasil desde a Proclamação da República, corresponde ao importantíssimo princípio da Subsidiariedade, que ordena competências em níveis superpostos, de tal modo que cada nível só age se o nível que lhe é inferior não puder cumprir bem suas atribuições. Esse princípio, que preserva, na base, a iniciativa dos indivíduos e, logo acima, a iniciativa das comunidades locais, e assim sucessivamente, tem óbvias aplicações no campo da Administração, do Direito, da Política e da Ética. Pois eis que, ao conjunto de ações centralizadoras já adotadas no Brasil, sempre pelo reverso desse respeitável princípio, soma-se agora o ENEM, como nova intromissão/cessão de autonomia em favor da União. Num país do tamanho do Brasil, as vagas nos estabelecimentos de Ensino Superior tornam-se disputadas nacionalmente, com estudantes transferindo-se de Garanhuns para Santana do Livramento e vice-versa, como se estivessem tomando lotação para ir ao colégio. Absurdo!

O sistema sempre foi descentralizado, regionalizado e, por fim, como convém, foi se municipalizando. Os investimentos que proporcionaram a maior parte dessas instituições de ensino resultaram de esforço, poupança ou pleitos locais. O provão nacional é uma cessão de autonomia no controle da porta de entrada do Ensino Superior!

Li todo o Caderno Amarelo aplicado este ano. Para quem está afeito às relações entre a linguagem e a política fica fácil perceber, em algumas questões, o emprego gramsciano do vocabulário e o uso da prova como instrumento de doutrinação e construção da hegemonia política. A centralização serve para muitos males, inclusive para esse específico mal. Serve para a submissão de Estados e municípios. Serve para a cooptação de maiorias parlamentares. Serve para afastar a sociedade de decisões ditas participativas pelo envolvimento de grupos sociais devidamente aparelhados. Serve para a corrupção. Serve, esplendidamente, para o uso da rede de ensino como instrumento de doutrinação (vide livros do MEC!). E, porque tem sido assim, em tudo e com tudo, também esse ENEM vai a serviço dos mesmos instrumentos de centralização e hegemonia.

Enquanto a panela aquece para as festas do poder, canta-se como em outras comemorações: “Para a União não vai nada? Tudo! Então como é que é? É big, é big, é big, big, big.” Pobre federalismo brasileiro. Zero Hora, 06/11/2011

6 de novembro de 2011 as 15:17

Nem Jesus Cristo aguentaria ser Professor no Brasil

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Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado
sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.


Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.

Tomando a palavra, disse-lhes:
- Em verdade, em verdade vos digo:

- Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
- Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
- Felizes os misericordiosos, porque eles…?

Pedro o interrompeu:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

André perguntou:
- É pra copiar?

Filipe lamentou-se:
- Esqueci meu papiro!

Bartolomeu quis saber:
- Vai cair na prova?

João levantou a mão:
- Posso ir ao banheiro?

Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?

Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!

Tomé questionou:
- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?

Tiago Maior indagou:
- Vai valer nota?

Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.

Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?

Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está fazendo é uma aula?
- Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica?
- Quais são os objetivos gerais e específicos?
- Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

Caifás emendou:
- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas?
- E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais?
- Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?

Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade.
- Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.
- E vê lá se não vai reprovar alguém!

E, foi nesse momento que Jesus disse: “Senhor, por que me esquecestes…”

A Líbia que eu conheci – Kadafi foi um desenvolvimentista?

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A Líbia que eu conheci – Kadafi foi um desenvolvimentista?

por Georges Bourdoukan, 28.10.11

http://www.desenvolvimentistas.com.br

[Em 1979 nosso embaixador classificou o Kadafi como um gênio!]

 Parte 1

 Estive na Líbia em setembro de 1979, por ocasião do décimo aniversario da Revolução que levou Kadafi ao poder.

 Me acompanharam na ocasião o cinegrafista Luis Manse e o operador de Nagra Nelson Belo, Belo (por onde andarão?).

 Estávamos ali pelo Globo Repórter, do qual eu era o diretor em São Paulo.

 Primeira surpresa. O hotel, para onde o governo nos enviou, estava totalmente ocupado por diplomatas.

 Perguntei ao embaixador do Brasil a razão dessa concentração.

 A resposta me surpreendeu ainda mais.

 Na Líbia de Kadafi, os aluguéis estavam proibidos.

 Aos líbios que não tivessem casa, era só solicitar que o governo imediatamente providenciava a construção de uma.

 O país era um imenso canteiro de obras.

E mais: Uma lei em vigor, A LEI DO COLCHÃO, determinava que, qualquer cidadão líbio que soubesse da existência de casa alugada, era só atirar um colchão no quintal que a casa passava a ser sua.

Inúmeras embaixadas sofreram com essa lei já que foram ocupadas por líbios.

O próprio embaixador me contou na ocasião que a embaixada brasileira não ficou imune a essa lei.

Um motorista líbio que ali trabalhava informou a um amigo que ainda não tinha casa, que a embaixada do Brasil era alugada.

Imediatamente esse amigo atirou um colchão e reivindicou a propriedade (uma mansão que pertencia a um italiano que retornou à Itália apos a subida ao poder de Kadafi).

O governo líbio precisou intervir para evitar maiores dissabores.

O Brasil acabou ganhando a embaixada e o líbio uma casa nova 

Isto tudo aconteceu na década de 70, quando a Líbia era uma potência riquíssima, com apenas 3 milhões de habitantes, em quase 1.800.000 quilômetros quadrados.

Os líbios, por lei, eram proibidos de trabalhar como empregados de estrangeiros.

O líbio que não quisesse trabalhar recebia o equivalente, valores de hoje, a cerca de 7 mil dólares por mês.

E mais: médico, hospital e remédios era tudo de graça.

Ninguém pagava escola e o líbio que quisesse aperfeiçoar seus estudos fora do país ganhava uma substancial bolsa.

Conheci muitos desses líbios na França, Itália, Espanha e Alemanha, e outros países onde estive como jornalista.

 Parte 2

Estamos em Trípoli, ano 1979.

Esta noite quase não consegui pegar no sono.

No hotel onde estava hospedado, alem dos diplomatas e alguns jornalistas, estavam também delegações de países africanos de língua portuguesa.

Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, etc.

E foram eles que não me deixaram pegar no sono já que, sabendo que eu teria um encontro com Kadafi no dia seguinte, queriam que eu lhe pedisse mais explicações sobre o socialismo Líbio.

Disseram que nunca haviam visto algo igual. Nem mesmo em livros.

Ficaram admirados com a Lei do Colchão, com a assistência médica, remédios e educação, tudo gratuito.

E pelo fato de ninguém ser obrigado a trabalhar na Líbia e mesmo assim receber uma remuneração “ fantástica” no dizer de um angolano.

Prometi que tentaria obter uma resposta, desde que, de fato, eu conseguisse falar com Kadafi, por saber que ele era imprevisível e não poucas vezes deixou jornalistas aguardando ad infinitum.

Antes, preciso esclarecer que as portas dos apartamentos dos hotéis não possuíam fechaduras.

Por isso todos podiam entrar no apartamento de todos razão pela qual nossos apartamentos eram sempre “visitados”.

Perguntei ao gerente do hotel a razão da falta de fechaduras.

Respondeu que na Líbia não havia ladrões como na “época da colonização italiana e por isso as fechaduras eram prescindíveis”.

Mas um diplomata me esclareceu que a falta de fechaduras era para que os “fiscais” do governo pudessem entrar a qualquer hora do dia ou da noite para ver se não havia mulheres “convidadas” nos apartamentos.

“Porque, prosseguiu o diplomata, os líbios até hoje falam que durante a colonização italiana e o reinado de Idris, os hotéis serviam apenas para orgias”.

No dia seguinte me preparo para o encontro com Kadafi.

Manse, com a sua câmera e Belo com seu gravador Nagra me aguardavam ao lado do elevador.

Com cara de sono, reclamaram que seus apartamentos foram “penetrados” umas três vezes de madrugada e foi um susto só.

O carro enviado pelo governo nos esperava na entrada, mas Manse queria tomar mais um cafezinho.

Entrei no carro e aguardei.

Cinco minutos depois Luis Manse, com sua inseparável câmera, chegava sozinho.

Perguntei pelo Belo, ele disse que o imaginava comigo.

Perguntei ao nosso acompanhante se ele havia visto o nosso companheiro.

Imediatamente ele foi à portaria perguntar.

Um rapaz simpático respondeu que tinha visto Belo acompanhado por dois policiais uniformizados a caminho da praça que ficava a uns cinqüenta metros do hotel.

Fiquei preocupado, imaginando o pior.

Jornalista acompanhado por policiais no Brasil nunca era um bom augúrio.

Parte 3

Belo e os dois policiais estão parados ao lado de um reluzente carro Mercedes Benz novinho em folha.

Perguntei o que estava acontecendo.

Um dos policiais me disse que o meu companheiro não parava de apontar a chave do carro na ignição. E que eles não sabiam a razão, pois Belo não falava o árabe e nem eles o “brasileiro”.

Então era por isso que eles saíram juntos do hotel.

Nada preocupante.

Belo me explicou e eu traduzi para o policial que ele, ao ver a chave na ignição, ficou preocupado de alguém roubar o carro.

Os dois policiais começaram a rir e disseram tratar-se de um carro abandonado.

Era um costume no país.

Quem não gostasse do carro bastava abandoná-lo com a chave dentro. O interessado podia levá-lo.

Essa era a Líbia da época.

Muita fartura, nenhuma miséria e a abundância ao alcance de todos.

Alias isso podia se observar nas pessoas.

Os mais velhos, que viveram sob o domínio dos colonialistas e durante a monarquia, eram pessoas alquebradas, corpo seco.

As crianças e os jovens eram saudáveis e alegres.

Só para se ter uma idéia da Líbia sob Kadafi, tudo custava mais ou menos o equivalente a 3 dólares.

Havia supermercados gigantescos, mas nada era vendido a varejo.

Quem quisesse arroz, por exemplo, pagava 3 dólares pelo saco de 50 quilos.

Tudo era nessa base.

Fomos visitar o parque industrial de Trípoli e eu pedi para conhecer uma tecelagem.

Perguntei como era a relação com os clientes e um técnico alemão que ali se encontrava para montar o maquinário, começou a rir.

“Os líbios são loucos”, me disse. E completou: “eles não vendem nada aqui por metro, somente a peça inteira. E para qualquer um que entrar na fábrica e pedir”.

Perguntei o preço da peça: 3 dólares a peça de 50 metros…

Mas se você, por exemplo, quisesse comprar uma gravata, qualquer uma, o preço mínimo era o equivalente a 200 dólares.

Um cachimbo, 300 dólares.

Ou seja, todo produto que lembrasse os colonizadores e, de acordo com eles, representasse ou sugerisse consumo supérfluo, era altamente taxado.

Bebida alcoólica, nem pensar. Dava prisão sumária.

E foi o que aconteceu com dois jornalistas argentinos, cuja “esperteza” os remeteu ao porto e ali compraram de um cargueiro uma garrafa de uísque.

Um dos funcionários do hotel sentiu o bafo e os denunciou.

É verdade que eles não foram presos, porque eram convidados do governo.

Mas não puderam entrevistar ninguém, muito menos o Kadafi…

E nós só soubemos disso porque o embaixador do Brasil, uma figura simpaticíssima, uma noite nos convidou para a Embaixada e, ali, nos ofereceu um uísque de não sei quantos anos (guardado a sete chaves num cofre), que Manse e Belo acharam delicioso.

Claro que eu também bebi um gole, apesar de detestar uísque.

Seja de que marca for, de que ano for.

Sempre me lembrou o gosto de iodo.

Evidentemente não faria uma desfeita ao embaixador tão solícito.

Não estalei a língua porque aí seria demais.

Antes de nos despedirmos, o embaixador nos ofereceu um litro de leite para cada um, pois segundo ele o leite disfarçaria o nosso hálito.

Na porta, perguntei ao embaixador se ele poderia nos dar um depoimento.

“O Kadafi é um Gênio”, respondeu.

Surpreso, perguntei.

O senhor considera o Kadafi um Gênio?

Sim! Um Gênio!

Parte 4

Então o senhor considera Kadafi um Gênio?

Sim! Respondeu o embaixador. Um Gênio! E amanhã o senhor vai ter uma prova disso.

Não entendi.

Amanhã vai haver um desfile em comemoração ao décimo aniversario da Revolução. Assista e veja se não tenho razão.

O dia seguinte amanheceu glorioso. E eu já estava preocupado.

Se o país vai parar para comemorar o décimo aniversário da Revolução, será que Kadafi vai encontrar tempo para a entrevista?

A população lotava a praça e as ruas onde seriam realizados os desfiles.

Um fato me chamou a atenção.

Havia milhares de meninas adolescentes com uniformes militares prontas para o desfile.

Sorriam um sorriso que somente as adolescentes possuem.

Impressionante a sua alegria.

Foi assim que Kadafi libertou as mulheres, que antes não podiam atravessar a porta de casa e nem tirar as vestimentas que cobriam seu corpo de cima abaixo, me confidenciou o embaixador.

É ou não um gênio?

Essas adolescentes saem de casa bem cedinho usando o uniforme militar e retornam para suas casas no fim do dia. Elas só não dormem no quartel.

E têm autorização para não tirar o uniforme.

Depois do serviço militar elas jamais voltam a se vestir como anteriormente.

Então é por isso que as mulheres líbias se vestem como as ocidentais?

Mas vez ou outra deparamos com mulheres com roupas tradicionais.

Terminado o desfile, um membro do governo me diz que Kadafi nos receberia não mais em Trípoli, mas em Benghazi, a bela cidade mediterrânea.

E que nos buscariam de madrugada pra viajarmos os 600 quilômetros que separam as duas cidades.

Fico sabendo nesse dia que a energia elétrica que ilumina o país é de graça.

Ninguém recebe a conta de luz, seja em casa ou no comércio.

E quem tiver aptidão para empresário, pode buscar os recursos necessários no banco estatal e não paga nenhum centavo de juros.

A divisão da riqueza do país com sua população, em nome do islamismo, criou um sério problema para os demais países muçulmanos, principalmente Arábia Saudita.

E desde então, Kadafi nunca poupou os dirigentes sauditas que acusou de terem se apossado de um país que jamais lhes pertenceu e de serem “infiéis que conspurcavam o verdadeiro islamismo”.

“Trocaram o Profeta pelo petróleo”.

Pela primeira vez usava-se o Alcorão contra aqueles que se diziam seus defensores.

Os sauditas, acuados, só conseguiam dizer que ele era “comunista”.

Kadafi respondia que ele apenas seguia o Alcorão ao pé da letra.

Várias revoltas começaram a eclodir na Arábia Saudita e países do Golfo.

Estados Unidos e mídia associada começaram a arregaçar as mangas.

Era preciso defender a vassala Arábia Saudita e transformar Kadafi num pária.

Na volta ao hotel, dou de cara com revolucionários da África do Sul. Estavam na Líbia em busca de fundos para lutar contra o apartheid.

Parte 5

Vamos falar francamente.

Eu estava me esforçando para realizar um programa que dificilmente seria exibido.

Naquela época o Globo Repórter registrava uma audiência enorme, entre 50 e 65, com pico de 72.

Alem do mais, vivíamos sob o tacão da ditadura.

Mas já que estávamos lá, vamos tocar o barco e ver no que vai dar.

À noite, no hotel, alguém abre a porta e me pergunta se posso conversar um pouco.

Era o chefe da delegação de Guiné-Bissau e estava empolgado. Nunca imaginara conhecer um país como a Líbia.

Perguntou como foi o meu encontro com Kadafi.

Respondi que o encontro seria no dia seguinte em Benghazi.

Enquanto conversávamos, um “fiscal” do governo, entra no quarto e nos cumprimenta sorridente.

Dá uma olhada rápida e com aquele sorriso de comissária de bordo, nos agradece e vai embora.

Mal passaram 10 minutos e a porta novamente é aberta. Um jornalista do Rio de Janeiro, meu vizinho de quarto entra desesperado.

- Uma coca cola pelo amor de Deus. Meu reino por uma coca-cola. Vou descer até saguão, alguém precisa me informar onde consigo comprar coca cola nesse país de birutas.

E nem esperou o elevador. Desceu pela escada mesmo.

- Maluco esse seu vizinho, me confidenciou o guine-bissauense( é assim mesmo que se diz?). E alem do mais ainda ofendeu Shakespeare.

Em seguida ele me revela que conheceu muitos revolucionários de países diferentes que se encontravam na Líbia em busca de recursos.

Inclusive sul-africanos.

- Entregaram uma carta de Nelson Mandela para o Kadafi pedindo para ele não esquecer seus irmãos africanos, respondeu feliz, dando a entender que eles foram atendidos.

Novamente o “fiscal” com sorriso de comissária de bordo entra. Desta vez para nos convidar a assistir no salão do hotel a um filme sobre os “horrores” da herança colonialista.

Na verdade não era um filme, mas um documentário de 15 minutos e se a idéia era para que a platéia se indignasse, o efeito foi o contrário.

O documentário mostrava a noite em Trípoli. Garotas seminuas andando nas ruas em busca de clientes, “inferninhos”, cabarés, bebidas alcoólicas, muitas bebidas, e por aí vai.

E o pior, terminada a exibição vários aplausos da platéia, principalmente de jornalistas, pedindo a volta dos colonizadores…

Isso sim é que era época boa, exclamou o jornalista carioca, agora ao lado de um colega mineiro que completou: “eta paizinho que nem coca-cola tem”.

Quatro da manhã somos acordados. Do aeroporto de Trípoli seguimos para Benghazi, onde finalmente vamos entrevistar Kadafi.

Parte 6

Quando desembarcamos em Benghazi, a belíssima Benghazi, tamareiras enfeitavam suas praias.

Estavam ali como os coqueiros nas praias do nordeste.

Era colher e comer tâmaras dulcíssimas.

Um jornalista suíço que chegara a Benghazi uma semana antes, me confidenciou que não deveria perder um casamento. Qualquer um, disse.

Estava realmente deslumbrado com a festa e o que o deixou mais impressionado, é que os noivos, depois da cerimônia, recebem um envelope do governo com o equivalente a 50 mil dólares de presente.

Bem, essa era a Líbia que pouca gente conhecia e a mídia ocidental não fazia nenhuma questão de mostrá-la.

E não poderia, pois como explicar a seus leitores que havia ascendido ao poder um jovem coronel que não utilizou a riqueza em benefício próprio?

Pelo contrário.

Havia dividido a riqueza com a população do país.

Que não queria ver ninguém sem teto, sem fome, sem educação e sem muitas outras coisas mais.

Eu, naturalmente, iria sem dúvida nortear a minha entrevista a partir desses pontos.

Mas antes da entrevista, fomos a três festas com músicos árabes de diversos países.

E haja doce.

E haja suco.

E nem um “uisquinho”, lamentavam alguns jornalistas que, sinceramente, acho que estavam no país sem saber porque e para que.

As festas corriam em tendas beduínas, algo que Kadafi sempre prezou.

Finalmente cara a cara com Kadafi.

Em sua tenda.

Aparentava cansaço.

Alguns dos assuntos discutidos:

1-Socialismo líbio; 2-Educação; 3-Reforma agrária; 4-Moradia;                       5-Alinhamento; 6-Arabismo; 7-Socialismo chinês, soviético, cubano;          8-Apoio aos movimentos revolucionários; 9-Che Guevara; 10-Estados Unidos; 11-Brasil; 12-liberação feminina; 13-Reencarnação de Omar Moukhtar.

A entrevista, que seria de 40 minutos, durou mais de duas horas e creio que passaríamos a noite conversando se ele não fosse a toda hora solicitado.

Naturalmente a Globo achou melhor não colocar o programa no ar, pois poderia melindrar a ditadura.

Foi feita uma proposta para que um programa de 15 minutos fosse ao ar no Fantástico.

Foi realizada a reedição, mas o programa teria sido proibido pelos censores oficiais da ditadura (civil-militar-midiática).

Tudo culpa da ditadura.

Será?

Oh, céus! Oh, terra! Quando nos livraremos desse sistema putrefato?

A Líbia que eu conheci – Final

Qual foi o grande erro de Kadafi?

 Eu não tenho a menor dúvida.

Foi acreditar nos euro-estadunidenses e desistir de sua bomba atômica.

Os pacifistas que me perdoem.

Aqui não se trata de incentivar a produção de ogivas nucleares, mas de persuasão.

O Brasil que tome jeito e comece a produzir a sua.

Caso contrário, a própria mídia brasileira, associada ao Império, fará de tudo para que o país seja invadido e ocupado.

Kadafi não ficou rico, como os produtores de petróleo do Golfo.

Dividiu a riqueza do país com a população.

Apoiou todos os movimentos revolucionários de esquerda do mundo.

Inclusive os brasileiros.

Em nenhum momento esqueceu a população negra da África.

E da África do Sul, onde, em agradecimento, um neto de Nelson Mandela chama-se Kadafi.

Quando Nelson Mandela tornou-se o primeiro presidente da África do Sul em 1994, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, fez de tudo para que Mandela parasse com os agradecimentos quase diários a Kadafi pelo seu apoio à luta dos revolucionários africanos.

“Os que se irritam com nossa amizade com o presidente Kadafi podem pular na piscina”, respondeu Mandela.

O presidente de Uganda Yoweri Museveni afirmou que “quaisquer que sejam as falhas de Kadafi, ele é um verdadeiro nacionalista. Prefiro nacionalistas do que marionetes de interesses estrangeiros”.

E disse mais:

” Kadafi deu contribuições importantes para a Líbia, para a África e para o Terceiro Mundo. Devemos lembrar ainda que, como parte desta forma independente de pensar, ele expulsou bases militares britânicas e americanas da Líbia após tomar o poder”.

Alem disso, o ex-líder líbio também teve papel importante na formação da União Africana (UA).

A principal coordenadora da guerra contra a Líbia, Hillary Clinton, andou pela África pregando abertamente o assassinato de Muammar Kadafi.

Como não teve sucesso, começou a recrutar mercenários.

Alias foram esses mercenários, inclusive os esquadrões da morte colombianos, que lutaram na Líbia. E eles não foram dizimados graças à Organização Terrorista do Atlântico Norte (OTAN) e EUA.

Quem puder pesquisar, quando Kadafi nacionalizou as empresas petrolíferas e os bancos, a mídia Ocidental referia-se a ele como Che Guevara Árabe.

Antes de ser deposto e linchado pelos mercenários a mando dos terroristas OTAN e EUA, a Líbia possuía o maior índice de desenvolvimento humano da África, e até hoje maior que o do Brasil.

E o que pouca gente sabe, em 2007 inaugurou o maior sistema de irrigação do mundo.

Transformou o deserto (95% da Líbia) em fazendas produtoras de alimentos.

Alias, assim que subiu ao poder os líbios que quiseram produzir alimentos receberam terra, equipamentos, sementes e 50 mil dólares para sobreviver até a safra.

Foi uma Reforma Agrária total e irrestrita.

Ele também pressionou pela criação dos Estados Unidos da África (EUA) para rivalizar com os EUA e união européia.

Ele lutou por uma África una: “Queremos militares africanos para defender a África. Queremos uma moeda única. Queremos um só passaporte africano”.

Lamentavelmente esqueceu a Bomba Atômica. E pagou por isso.

As nações que querem se emancipar que pensem nisso.

E abaixo você ouve os presidentes Hugo Chaves, Evo Morales, Rafael Correa e Fernando Lugo… cantando Hasta Siempre, em homenagem a Che Guevara. Eles também que se cuidem.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=pWNtJjw9oWg 

*Georges Bourdoukan é jornalista e escritor