NAVEGAÇÃO
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Publicado em 07/07/2009 13:19
Atualizado em 09/07/2009 07:05

Verão 2010 terá influência de um El Niño!

Para a próxima Primavera e para o Verão 2010 são esperadas alterações no clima. Já foi confirmado o início de uma fase de aquecimento das águas do oceano Pacífico Equatorial com indicação e previsão de um novo episódio de El Niño, que deve influenciar o comportamento do clima no decorrer do segundo semestre e no início de 2010.

Vale lembrar que o último El Niño foi registrado no verão 2006/2007, porém, os modelos de previsão climática (ver figura abaixo) indicam que o episódio deste ano será mais intenso, a exemplo dos que ocorreram em 2002/2003 e 1997/1998, quando houve intensas chuvas no Sul e estiagem severa no Nordeste.

Portanto, mais uma vez a condição climática para a safra de verão no Brasil muda em relação ao observado nos anos anteriores. A última safra ocorreu sob a condição de neutralidade, enquanto a safra de 2007/08 teve a influência de um La Niña. Agora vem um El Niño!

ABAIXO SEGUEM AS PRINCIPAIS CONSEQUÊNCIAS DESSAS MUDANÇAS:
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A figura acima apresenta a projeção mensal da anomalia na temperatura (°C) da superfície do mar sobre os Oceanos, com destaque para o Oceano Pacífico equatorial (Lat: 20S/20N, Long: 80W/1140E), para o período de agosto de 2009 a março de 2010. As áreas nas cores laranja e vermelho representam áreas com águas aquecidas (El Niño), enquanto as áreas na cor azul, representam águas mais frias do que o normal (Fonte: NWS/NCEP/NOAA).

REGIÃO SUL

* El Niño está associado com chuvas acima da média e redução do risco de estiagens prolongadas durante o verão. As maiores safras de milho e soja do Sul do Brasil foram colhidas em anos de El Niño;

* Aumenta o risco da Primavera ser mais chuvosa, principalmente entre outubro e novembro, e com isso pode acarretar problemas na fase final das lavouras de inverno;

* Diminui o risco de frio tardio (geadas em setembro), o que favorece a lavoura de trigo, assim como também favorece a antecipação do plantio do milho e feijão (1a. safra);

* Primavera de 2009 deve ser mais quente que a primavera passada, o que beneficia a recuperação das pastagens, com reflexos diretos na produção de leite e carne;

* Clima favorece a lavoura de soja, inclusive para as variedades de ciclo precoce que nos anos anteriores foram fortemente afetadas por estiagens;

* A recuperação do déficit hídrico acumulado desde o verão, deve ocorrer de forma gradual no decorrer do segundo semestre de 2009;

* Anos de El Niño representa aumento do risco para a lavoura de arroz irrigado, que este ano enfrenta um cenário complicado. No momento ainda não tem água armazenada nos reservatórios/barragens suficiente para garantir o plantio de toda a área. Depois pode enfrentar períodos chuvosos em outubro e novembro e assim atrapalhar o plantio. No verão o problema está relacionado com a redução da luminosidade e maior incidência de doenças na lavoura. Por último, com a continuidade do El Niño ainda corre o risco de enfrentar excessos de chuvas e inundações no período de colheita (outono de 2010).

REGIÕES SUDESTE E CENTRO-OESTE

* Principal conseqüência da instalação do El Niño sobre as Regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil é que encurta o período seco (inverno) e reduz o risco do atraso das chuvas na Primavera. No entanto, neste ano como o El Niño ainda não está totalmente configurado, não se pode apostar numa antecipação das chuvas, o que deve ocorrer de forma gradual entre o final de setembro e principalmente no decorrer de outubro;

* A próxima Primavera e o Verão 2010 devem ter temperaturas acima da média, inclusive com ondas de calor;

* Em anos de El Niño no geral as condições climáticas favorecem as lavouras de café, laranja e cana-de-açúcar;

* Neste ano não deve haver atraso no plantio das lavouras de verão (milho, soja e algodão);
* Condição climática favorável para recuperação das pastagens, beneficiando assim a produção de carne e leite;

* O início do período de chuvas para o final de setembro e em outubro sobre as principais bacias hidrográficas do Sudeste e do Centro-Oeste, beneficia diretamente o Setor de Geração de Energia Hidrelétrica, diminuindo assim o risco de escassez (“apagão”) a exemplo do que ocorre em anos de La Niña;

* Em anos de El Niño durante o verão sobre a Região Sudeste é normal enfrentar alguns períodos mais chuvosos, principalmente entre dezembro e janeiro. Porém normalmente as chuvas já diminuem a partir de fevereiro;

* Já no Centro-Oeste do Brasil, em anos de El Niño reduz o risco de excesso de chuvas ao longo do verão.

REGIÃO NORDESTE

* Anos de El Niño estão relacionados com chuvas abaixo da média e períodos de secas sobre o Nordeste do Brasil, porém com intensidade e formas diferenciadas de uma região para outra;

* Com a previsão do El Niño para esse verão, é muito provável que em 2010 não se repitam os episódios de excesso de chuvas e enchentes verificadas na parte norte da Região entre abril e maio;

* Porém, para as partes sul e oeste da Região Nordeste (oeste da Bahia, sul do Maranhão e sul do Piauí), que inclui as áreas produtoras de soja, de milho e de algodão, num primeiro momento o El Niño não afeta diretamente na instalação do regime de chuvas, inclusive pode até se esperar uma antecipação do início das chuvas para o final de outubro e novembro;

* Anos de El Niño provoca uma alteração no ciclo das chuvas nas áreas de soja, milho e algodão. Pode haver uma antecipação do plantio, mantém o risco de redução e período de estiagem entre o final de dezembro e janeiro. Porém a partir de fevereiro, aí sim começa a haver uma influência do El Niño com a redução das chuvas entre fevereiro e março;

* Portanto, para a próxima safra de soja, de milho e de algodão do Nordeste as condições climáticas mudam radicalmente em relação ao no passado. As chuvas começam antes, o período de chuvas deve ser mais concentrado e aumenta o risco das chuvas cortarem mais cedo e afetar a fase final dessas lavouras.

ARGENTINA, PARAGUAI E URUGUAI
Para esses países a presença do El Niño está associada com chuva acima da média. Portanto o cenário climático para a próxima safra se mostra mais favorável, pois em tese aumenta as chances de boas chuvas na primavera, assim como reduz o risco de estiagem ao longo do verão, que foi o grande problema nas últimas safras.

Em especial para a Argentina, que foi o País mais afetado por problemas climáticos, a expectativa é de uma recuperação gradual no decorrer do segundo semestre. Inclusive, diferente dos anos anteriores, o inverno deste ano não deve ser tão rigoroso e sem frio tardio (geada) e a primavera deve ser um pouco mais quente, o que deve refletir em condições mais favoráveis para as fases finais das lavouras de inverno, para a recuperação das pastagens e para a implantação das lavouras de verão (milho e soja).

Já para o Uruguai, que já passa por um processo gradual de recuperação das reservas hídricas, fica o alerta em relação à lavoura de arroz, que se por um lado pode se beneficiar com a maior oferta de água, por outro lado pode enfrentar alguns problemas operacionais e de manejo.

Paulo Etchichury
Sócio Diretor (Tel: 011 3816-2888 / Cel: 011 9653-5566)
Fonte: Somar Meteorologia
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