ESPECIAL: La Niña - Sudeste e Centro Oeste:
Os efeitos do El Niño já estão se enfraquecendo e o inverno brasileiro será regido por uma neutralidade climática. No entanto, a La Niña – resfriamento das águas do oceano Pacífico – deve chegar no segundo semestre e irá afetar o comportamento do clima no Brasil a partir da primavera.
A previsão, com a influência da La Niña, é de que as chuvas demorem um pouco mais para chegar às regiões do centro oeste e sudeste do país, já que a principal característica do fenômeno é desviar as frentes frias para o oceano. “O período de tempo firme vai ser muito bem definido e vai se prolongar, diferente do ano passado, quando, praticamente, não tivemos um período bem definido de tempo seco e isso acabou prejudicando muitas lavouras por conta do excesso de chuvas na primavera”, afirma a meteorologista Desirée Brandt.
Já o verão será bem mais seco com a chegada da La Niña, e isso pode prejudicar as safras brasileiras de verão na região sul, pois as chuvas estarão concentradas mais ao norte.
No início deste ano, o término das chuvas foi adiantado pelo fenômeno El Niño, impactando negativamente lavouras, principalmente, de milho safrinha e algodão safrinha. Nos próximos meses, as precipitações serão reduzidas – pois o meio do ano é marcado por essa característica – e as chuvas irão demorar ainda mais para chegar às regiões sudeste e centro oeste, por conta do La Niña.
As temperaturas para o inverno 2010 devem alcançar seus níveis normais, no entanto, uma noite de geada forte pode prejudicar muitos produtores nas regiões sul, sudeste e centro oeste – principalmente os estados do Mato Grosso de São Paulo (área da Mogiana). “Teremos um inverno dentro do normal, não será rigoroso (com muitos dias de temperaturas baixas), mas isso, para a agricultura, pouco importa, porque se em uma noite a temperatura cair o suficiente para provocar geadas, isso pode prejudicar muitos produtores”, diz Desirée.
Laranja e cana de açúcar – O ano de 2010 deve ser muito bom para as lavouras de cana de açúcar e laranja, uma vez que o período de tempo firme será mais bem definido, com temperaturas mais amenas, e essas condições devem favorecer a produtividade e até mesmo a colheita e a moagem da cana. Em contrapartida, a próxima safra poderá ser prejudicada por conta do atraso dessas chuvas.
ESPECIAL: La Niña - Norte e Nordeste
ESPECIAL: La Niña - Sul
Os problemas que o produtor de milho vem enfrentando em função do término antecipado das chuvas de verão agora no final da colheita no sudeste do Brasil, estão ligados diretamente com o fim do El Niño. De acordo com Desirée, mesmo com o fim do El Niño, ainda sofremos as conseqüências desse efeito climático, e justamente por isso houve uma antecipação do término das chuvas na região central e também no sudeste.
Agora no meio do ano comum que as chuvas diminuam bastante, e neste ano o período de seca será muito bem definido e vai se prolongar, afirma Desirée. “Por causa influência da La Niña no segundo semestre deste ano, a chuva da primavera que é tão esperada pelos produtores, principalmente da região centro-oeste do país, vai demorar a chegar. Ou seja, as áreas de instabilidade da Amazônia, vão demorar um pouco mais para começarem a influenciar as condições climáticas no Brasil”.
A chuva deve demorar a voltar e isso pode prejudicar a próxima safra de verão de milho e de soja do centro-oeste e também do sudeste. A idéia que o produtor tem de plantar antes do período para evitar a ferrugem é muito válida, diz Desirée, porém, ela alerta que isso é possível apenas em anos que não tem a influência da La Niña. “Isso pode atrapalhar muito os produtores que plantarem antes porque não teremos umidade suficiente no solo para geminação das sementes. Ou seja, quem plantar provavelmente terá que replantar depois e quem não plantar, fatalmente terá o plantio atrasado”.
Quando questionada sobre a água reservado do solo e se ela daria sustentação, Desirée diz que “É bem complicado, porque por enquanto ainda temos água no reservatório, porém chuva mesmo somente para outubro”.
Para o algodão, para a colheita atual, a meteorologista afirma que a umidade ainda existente tem dado sustentação. “Isso para a primeira safra, que precisa do tempo seco para colher, porém o algodão safrinha também enfrenta dificuldade por conta da falta de chuva”
De acordo com Desirée, os efeitos da La Niña para este verão serão de tempo seco para o sul e mais chuvoso nas áreas mais ao norte do país. Na região central, o clima deve manter uma normalidade climática, mas ela reforça a demora em voltar a chover na região.
Para inicio de 2011, Desirée afirma que pode haver um excesso de chuva na região norte do Brasil, prejudicando a produção nessas regiões. No Maranhão e no Piauí, ela afirma que a chuva deve chegar no tempo certo e em grande quantidade. “ Isso porque quem comanda o tempo nessas regiões é a Zona de Convergência Intertropical, tão conhecida pelos nordestinos”.

