Cafeicultores estão sendo 'estrangulados vivos' com margem apertada, afirma deputado brasileiro em fórum da OIC

Publicado em 22/09/2016 16:30 e atualizado em 23/09/2016 09:24
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Os cafeicultores do Brasil estão sendo 'estrangulados vivos' com os preços do grão não acompanhando os custos de produção, disse o deputador brasileiro Carlos Melles em Fórum da OIC (Organização Internacional do Café), culpando o fracasso da reforma de livre comércio há 26 anos como o principal fator para o declínio do setor.

Melles é deputado federal do DEM pelo estado de Minas Gerais, que é o maior estado produtor de café do Brasil, e já foi presidente da Cooparaíso (Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso), e alertou que os produtores continuam a aumentar a produtividade, mas sem garantias sobre os preços.

"Aumentando a produtividade aumenta-se o risco [dos produtores] sem qualquer compromisso do outro lado", disse o deputado Melles durante o Fórum da OIC que trata sobre financiamentos do setor cafeeiro.

Elevar a produção significa também em aumento dos investimentos, gastos com trabalho e insumos agrícolas, cujos custos subiram muito mais rápido do que os preços do café.

De acordo com Melles, desde 1994, o salário mínimo do Brasil aumentou em 1400%, os preços dos combustíveis 871% e os insumos cerca de 700%, enquanto que os preços do brasileiro tiveram uma valorização de 261%.

O gerente de operações da OIC, Marcela Urena, disse no Fórum que os custos variáveis para o café brasileiro subiram 8,6% entre 2006 e 2015, em comparação com um aumento de 1,45% nos valores do grão, segundo dados do índice da organização.

'Estrangulados vivos'

"Os produtores estão sendo estrangulados vivos", disse o deputado Melles, apontando o fracasso nas reformas de livre mercado, em 1990, quando o mercado internacional de café foi desregulamentado para proteger os rendimentos dos agricultores, como o principal fator para o declínio do setor.

"Os produtores estão mais descapitalizados" desde que as reformas foram introduzidos.

"Não há preço justo no mercado livre - não temos preço justo", disse ele, pedindo ação da OIC para melhorar as perspectivas do setor.

No entanto, o deputado Melles, que também já foi presidente da Frente Parlamentar do Café do Brasil, não quer a reintrodução de rigorosos controles antes da década de 1990 dizendo: "não queremos cotas".

Trabalho mais caro

O rendimento médio do café brasileiro subiu para 25 sacas por hectare, de 14 sacas por hectare há 15 anos, conduzindo a um aumento de 50% na produção do país, disse durante o Fórum Carlos Brando, especialista de café que aconselha diversas entidades, incluindo o Banco Mundial.

No entanto, ele advertiu sobre a queda nos investimentos – vendo medidas como a mecanização como chave para defender as margens dos agricultores em detrimento aos custos de produção, enquanto a melhora na qualidade permitirá preços mais altos.

A mecanização poderia envolver o terraceamento em plantações de café de alta altitude para permitir o uso de colheitadeiras e reduzindo o trabalho que ele disse que "é responsável por 60% dos custos totais de produção".

De acordo com o deputado Melles, os custos de mão de obra nas fazendas custam entre US$ 800,00 a US$ 1000,00 por mês, levando em conta todas as contribuições sociais.

Tradução: Jhonatas Simião

Fonte: Agrimoney

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