Café: Bolsa de Nova York completa quinta sessão seguida de alta em meio à apreensão com abastecimento em 2017

Publicado em 18/10/2016 17:32
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A Bolsa de Nova York (ICE Futures US) para o café arábica completou a quinta alta consecutiva nesta terça-feira (18) com operadores temerosos com o abastecimento do grão no ano que vem, que já deve ser de bienalidade baixa para a maioria das regiões. Estimativa divulgada hoje pela Fundação Procafé aponta que a próxima safra brasileira deve ter produção ao redor de 39 milhões de sacas. A Bolsa de Londres também sobe forte e testou na véspera máximas de dois anos.

O vencimento dezembro/16 encerrou a sessão cotado a 158,75 cents/lb com 165 pontos de alta, o março/17 registrou 162,20 cents/lb com avanço de 165 pontos. Já o contrato maio/17 anotou no pregão de hoje 164,20 cents/lb também com 165 pontos positivos e o julho/17, mais distante, subiu 160 pontos, cotado a 166,10 cents/lb. No início do mês, os preços externos do grão estavam até 5% mais baixos do que os registrados atualmente.

O cinturão produtivo do Brasil recebeu chuvas isoladas nos últimos dias, que até contribuíram para a abertura da florada da safra comercial 2017/18 em diversas regiões. No entanto, o clima ainda deixa a desejar justamente neste momento importante do ciclo produtivo. Com isso, os envolvidos de mercado estão temerosos com o abastecimento no próximo ano, que já promete ser de bienalidade baixa para a maioria das origens produtoras do país. "O quadro fundamental preocupa", explica o analista de mercado da Maros Corretora, Marcus Magalhães.

Durante o 42º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, em Serra Negra (SP), o presidente da Fundação Procafé, José Edgard Pinto Paiva revelou as projeções baixistas da entidade para a próxima safra do país. "Na média, teríamos no próximo ano uma produção de 39 milhões de sacas entre arábica e robusta, isso representa uma queda de 20% em relação a 2016. Esses números não são finais, porque ainda são necessários levantamentos de campo, mas refletem a realidade do mercado", explica.

Para Paiva, essa queda expressiva na produção do grão brasileiro está relacionada às questões climáticas – que afetaram as plantações do país neste ano –, a bienalidade baixa e a idade das plantações do país. "Nosso parque cafeeiro precisa ser renovado", ressalta o presidente da Fundação Procafé.

A terceira estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que a produção de café neste ano seja de 49,64 milhões de sacas de 60 kg. O resultado representa um acréscimo de 14,8%, se comparado à produção de 43,24 milhões de sacas obtidas em 2015. O café arábica representa 83,2% da produção total do país e estima-se que sejam colhidas 41,29 milhões de sacas nesta safra, que foi bienalidade positiva.

"Mais chuvas são necessárias, especialmente por conta da fase de floração", disse Shweta Upadhyay, analista da Global Coffee Monitor, em referência à formação das flores que formarão frutos para colheita em 2017. "Há enormes preocupações com o abastecimento no Brasil para 2017", pondera a analista.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o diretor-executivo da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) também comentou essa possibilidade de desabastecimento no mercado, que sofre também influência com a queda na produção do robusta no país, que por sua vez é substituído pelo arábica. "É um cenário que nunca vi antes", diz o executivo que acredita que os custos serão passados para o consumidor.

Segundo informações de agências internacionais, o clima ainda deve ser complicado nos próximos dias para os cafeicultores brasileiros. "Chuvas no fim de semana trouxeram pequena melhora na umidade no solo de áreas de café do Sul e chuvas moderadas para os próximos dias não devem melhorar significativamente as condições das lavouras brasileiras", disseram meteorologistas da MDA Information Services à agência de notícias Reuters. "O clima seco retorna em áreas do Norte do país durante os próximos 10 dias e a umidade do solo a diminuirá novamente, prejudicando a floração do café".

A Bloomberg confirma a condição climática para o Brasil nos próximos dias. Segundo a agência, a previsão do tempo aponta baixas possibilidades de chuvas nas áreas produtoras do país. Apenas partes do Paraná e Oeste de São Paulo devem ter maior umidade no período.

Durante a sessão desta terça-feira, o câmbio também contribuiu para dar suporte ao mercado do café arábica. O dólar comercial recuou no dia 0,77%, cotado a R$ 3,1830 na venda, impactado pelo movimento da divisa no exterior e a expectativa de entrada de recursos no país. As oscilações do dólar ante o real impactam diretamente nas exportações da commodity pelo Brasil, que é o maior produtor e exportador do grão no mundo.

Mercado interno

A valorização nos preços externos do café arábica contribuiu para o avanço nos preços internos da variedade, que chegam acima de R$ 500,00 a saca, motivando negócios isolados. Ainda assim, os produtores aguardam patamares ainda mais altos à frente. "Sem estoques de safras anteriores e preocupados com o estado dos cafezais, exauridos com a colheita de ciclo alto após dois anos de secas fortes e atípicas, os cafeicultores vendem o suficiente para cumprir seus compromissos de curto prazo", reportou o Escritório Carvalhaes em seu informativo mais recente.

O tipo cereja descascado fechou o dia com maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com R$ 582,00 a saca e alta de 0,87. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Varginha (MG) com alta de 4,50% e saca a R$ 580,00.

O tipo 4/5 teve maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com R$ 542,00 a saca e avanço de 0,93%. Foi a maior oscilação no dia dentre as praças, junto com Varginha (MG), que também subiu 0,93% com saca a R$ 540,00.

O tipo 6 duro registrou maior valor de negociação na cidade de Franca (SP) com R$ 540,00 a saca – estável. A maior oscilação no dia ocorreu em Araguari (MG) com alta de 1,92% e saca a R$ 530,00.

Na segunda-feira (17), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 510,46 com valorização de 0,23%.

Bolsa de Londres

A Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), antiga Liffe, para o café robusta voltou a fechar com forte alta nesta terça-feira. O contrato novembro/16 anotou US$ 2125,00 por tonelada com alta de US$ 39, o janeiro/17 teve US$ 2153,00 por tonelada com avanço de US$ 44 e o março/17 anotou US$ 2152,00 por tonelada com US$ 44 positivos.

Na segunda-feira (17), o Indicador CEPEA/ESALQ do café conillon tipo 6, peneira 13 acima, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 499,10 com avanço de 0,81%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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