EUA: Meio-Oeste recebe mais chuvas fortes e áreas correm risco de inundações

Publicado em 22/09/2016 12:44
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Radar EUA em 22 de setembro - Fonte: DTN

Radar mostra chuvas intensas em Iowa e Wisconsin na tarde desta quinta (22) no Meio-Oeste dos EUA

As chuvas continuam chegando ao Meio-Oeste dos Estados Unidos e trazendo preocupações com a colheita da nova safra de grãos. As últimas previsões climáticas indicam que este padrão permanece pelos próximos dias e, em determinados pontos do Corn Belt, as precipitações podem se intensificar ainda mais. E para este final de semana, novas tempestades podem renovar as ameaças de cheias em partes centrais do país, segundo informações do site norte-americano AccuWeather. 

"A menor de duas tempestadas deverão afetar as planícies do norte e do centro até regiões do alto Meio-Oeste já nesta quinta-feira", diz o meteorologista senior do portal, Alex Sosnowski. "Chuvas fortes irão se estender de partes de Iowa e Minnesota até Wisconsin. E algumas destas tempestades pode produzir granizo", completa. E nesta quarta, de acordo com o Serviço Nacional de Clima dos EUA, alguns tornados já foram registrados em Iowa, um dos maiores estados produtores de grãos dos EUA. 

Como explica Sosnowski, a quantidade e intensidade das chuvas irá depender da velocidade do sistema que atua sobre os EUA neste momento. Para os próximos sete dias, o NOAA indica em sua última previsão que, Iowa, Missouri e Illinois, por exemplo, poderiam receber até 300 mm de chuvas, como ilustra o mapa. 

Chuvas para os próximos 7 dias nos EUA - Fonte: NOAA

Chuvas para os próximos 7 dias nos EUA - Fonte: NOAA

No final de semana, caso as tempestades continuem, os riscos de inundação aumentam e se espalham, podendo ser generalizados na região Oeste. Nesse padrão, estados como Nabraska, Kansas, Minnesota, Wisconsin e a Dakota do Sul já receberam, somente em setembro, volumes de duas a seis vezes maior do que o normal para o mês de setembro. 

Mapas do portal AGweb mostram que, também neste mês, até o último dia 21, Iowa já registrou pontos com até 130 mm, Illinois com até 254 mm, bem como o Missouri. Já nos últimos 30 dias, os acumulados nos principais estados produtores passam de 500 mm. 

Acumulado de chuvas nos EUA em setembro - Fonte: AGWeb

Acumulado de chuvas nos EUA em setembro - Fonte: AGWeb

Acumulado de chuvas nos EUA nos últimos 30 dias - Fonte: AGWeb

Acumulado de chuvas nos EUA nos últimos 30 dias - Fonte: AGWeb

Este cenário climático já é conhecido pelo mercado que, somente em quatro sessões - de 14 a 20 de setembro, promoveu uma alta de quase 5% entre os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago, levando o maio/17 a superar os US$ 10,00 por bushel. Para o milho, os ganhos passaramde 2% entre as posições mais negociadas.  

E esse fundamento, como explicam analistas e consultores, ainda garante seu espaço entre as negociações e deverá ser assim enquanto os trabalhos de campo estiverem em desenvolvimento. Afinal, de acordo com os últimos dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), até o último domingo (18), apenas 4% da área de soja havia sido colhida, contra 6% do ano passado, e, no milho, de 9%, em linha com 2015, mas abaixo da média de 12% dos últimos cinco anos. 

No entanto, para o consultor de mercado Carlos Cogo, da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, as especulações, mesmo que limitadas, deverão continuar. Apesar disso, o executivo salienta que ainda é cedo para se contabilizar prejuízos efetivos na nova temporada norte-americano dentro deste cenário. E o que ameniza e compensa esses atrasos iniciais, ainda segundo o consultor, é a força e a potência da safra de maquinários agrícolas dos EUA .  

"Isso faz parte do mercado climático. Enquanto existir o risco, vai existir a precificação do risco. Então, enquanto não se concluir 100% da colheita e áreas estiverem expostas a algum tipo de quebra por excesso de umidade, interrupção de colheita ou grãos ardidos, qualquer tipo de prejuízo, ele vai sendo precificado", explica. 

No milho, por conta do excesso de umidade, as lavouras já começam a registrar a ocorrência de uma doença fúngica conhecida com Diplodia, a qual poderia provocar uma redução de produtividade em algumas partes do Meio-Oeste americano. A ocorrência da doença nos campos dos EUA é "normal" nessa época, porém, este ano parece se mostrar mais grave do que nas temporadas anteriores, principalmente na região central de Illinois e no oeste de Ohio, segundo agrônomos ouvidos pela Reuters Internacional. Foram observados casos ainda no Missouri, Indiana e Iowa. 

Ainda de acordo com informações da Reuters, o desconto para o milho infectado com a Diplodia poderia chegar a até US$ 2,00 por bushel nos casos em que os danos são extremamente severos. 

As lavouras de soja, que em algumas regiões ainda precisam de mais dias para sua conclusão, também passam pelo risco e causam preocupações entre os produtores, já que o excesso de umidade pode começar a causar um stress sobre as plantas, tirando parte de sua qualidade e, consequentemente, de sua produtividade. 

"As lavouras de soja são as mais vulneráveis frente à estas fortes chuvas esperadas para os próximos dias", explica o agrometeorologista do portal norte-americano DTN The Progressive Farmer, Bryce Anderson em seu boletim desta quinta-feira (22). O especialistas salienta ainda que o padrão atual deverá ser mantido até outubro, com uma média de 76,2 a 101,6 mm de chuvas, em média, no Norte e Oeste do Corn Belt. "Portanto, atrasos na colheita ainda podem acontecer", completa. 

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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