Milho: Mercado em Chicago acompanha altas da soja e opera em campo positivo nesta manhã de 3ª

Publicado em 07/03/2016 08:31
251 exibições

Os preços do milho na Bolsa de Chicago, na sessão desta segunda-feira (7), operam em campo positivo, acompanhando o movimento positivo das commodities, principalmente os ganhos registrados pelos futuros da soja e do trigo. Por volta das 8h (horário de Brasília), as posições mais negociadas subiam entre 2,75 e 3,25 pontos, com o vencimento setembro/16 era negociado a US$ 3,61 por bushel. 

Apesar dos ganhos, o mercado internacional do grão, com ausência de novidades entre seus fundamentos, ainda se comporta de forma técnica, sem definir uma direção, apesar das especulações que começam a ganhar força e espaço entre os negócios sobre a safra 2016/17 dos EUA. E paralelamente, a baixa recente do dólar também deu um novo fôlego às cotações do cereal. 

Além disso, os traders esperam ainda a chegada do novo boletim semanal do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) sobre os embarques de grãos e as informações também poderiam impactar sobre os preços. 

Veja como fechou o mercado na última semana:

Milho: No mercado interno, oferta restrita ainda garante suporte aos preços na semana

Por Fernanda Custódio

Em uma sexta-feira (4) histórica para o Brasil, os preços do milho nos portos e no mercado interno se mantiveram estáveis. No Porto de Paranaguá, a saca do milho para entrega em setembro/16 permaneceu em R$ 34,00, enquanto que no terminal de Rio Grande, não houve referência para as cotações. O cenário é decorrente da forte instabilidade registrada no dólar ao longo do dia, após a divulgação da nova fase da operação Lava Jato que inclui o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo de mandado de condução coercitiva.

Ainda hoje, a Polícia Federal cumpriu 33 mandados de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva. Além de São Paulo, a operação ocorre nos estados do Rio de Janeiro e Bahia e visa endereços e pessoas ligadas ao ex-presidente, inclusive a ex-primeira-dama Marisa Letícia e filhos. Com isso, a moeda norte-americana fechou o dia a R$ 3,7607 na venda, com queda de 1,09%. Na semana, o dólar acumulou baixa de 5,93%, maior queda semanal desde outubro de 2008. 

Ao longo do dia, o câmbio tocou o nível de R$ 3,6550, com desvalorização de 3,87%, menor patamar intradia desde 1º de setembro de 2015, quando chegou a R$ 3,6192. Ainda assim, o analista financeiro, Miguel Daoud, disse que a queda é um otimismo exagerado do mercado. "O câmbio deve permanecer no ponto de equilíbrio entre R$ 3,80 e R$ 3,90. E o produtor rural deve encarar o momento como uma oportunidade para comprar algum produto que esteja relacionado ao dólar", pondera o analista financeiro.

Já na semana, as cotações registraram pouca movimentação. De acordo com levantamento realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Bitencourt Lopes, a cotação caiu apenas no Porto de Paranaguá, cerca de 4,23%. Em Cascavel (PR), o valor subiu 3,08%, com a saca a R$ 33,50. Nas praças paranaenses, Londrina e Ubiratã, os preços subiram 2,13% e a saca encerrou a semana a R$ 33,50. Em São Gabriel do Oeste (MS), a saca do milho subiu para R$ 39,00, uma alta de 8,33%. Em Jataí (GO), o ganho foi de 1,59% e a saca cotada a R$ 32,00. Nas demais praças pesquisadas a semana foi de estabilidade.

Os analistas ainda ponderam que as cotações continuam sendo sustentadas pela oferta restrita. O cenário é decorrente da colheita da safra de verão, que ainda permanece lenta em algumas regiões em função das chuvas constantes. Nos principais estados produtores do cereal na 1ª safra, Rio Grande do Sul e Paraná, a colheita já está completa em 50% da área semeada e 42%, respectivamente. Paralelamente, a demanda continua firme, tanto a interna quando a externa.

Conforme dados reportados pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior), as exportações do milho fecharam o mês de fevereiro em mais de 5,37 milhões de toneladas. O volume reportado ficou bem acima do registrado em igual período do ano anterior, de 1,1 milhão de toneladas do grão.

No entanto, a perspectiva é que a partir de agora, os embarques da soja sejam mais fortes. Inclusive, os line-ups já mostram uma redução de navios para o carregamento do cereal no Porto de Santos e volumes menores no terminal de Paranaguá, segundo explicou o pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), Lucílio Alves, em recente entrevista ao Notícias Agrícolas.

BM&F Bovespa

Com influência do dólar, as cotações do milho praticadas na BM&F Bovespa fecharam o pregão desta sexta-feira (4) do lado negativo da tabela. As principais posições do cereal encerraram o dia com desvalorizações entre 0,68% e 2,36%. O vencimento março/16 era cotado a R$ 45,09 a saca, enquanto o setembro/16 referência para a safrinha brasileira era negociado a R$ 35,64 a saca.

Bolsa de Chicago 

Enquanto isso, na Bolsa de Chicago (CBOT) as cotações do milho encerraram o pregão desta sexta-feira (4) em campo positivo. As principais posições do cereal exibiram altas entre 0,75 e 2,50 pontos. O vencimento março/16 era cotado a US$ 3,54 por bushel, já o maio/16 era negociado a US$ 3,58 por bushel. Na semana, os contratos da commodity acumularam leves perdas entre 0,14% e 0,35%.

Apesar da alta pelo segundo dia consecutivo, as cotações do cereal continuam operando de maneira técnica, respeitando o intervalo de US$ 3,50 a US$ 3,80 por bushel. Os analistas ainda reforçam que o mercado permanece atrelado às influências do mercado financeiro, especialmente a economia da China.

Ainda ontem, as cotações do cereal acumularam ligeiras altas, com o suporte das vendas para exportação, anunciadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Na semana encerrada no dia 25 de fevereiro, as vendas do milho totalizaram 1.097 milhão de toneladas, uma alta de 18% em relação à semana anterior.

Tags:
Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

Nenhum comentário