DATAFOLHA: 76% dos leitores da Folha aprovam condução coercitiva de Lula

Publicado em 13/03/2016 06:25 e atualizado em 13/03/2016 06:55
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Chegou a hora de dizer: basta! (EDITORIAL DO ESTADÃO)

A maioria dos leitores da Folha aprovou a iniciativa do juiz federal Sergio Moro de determinar a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no último dia 4.

Os dados são de pesquisa do Datafolha feita com leitores do jornal nos dias 5, 7 e 8 de março.

Para 76% dos leitores entrevistados, Moro agiu bem ao ordenar que o ex-presidente fosse levado para depor. Outros 22% disseram que o juiz agiu mal, e 2% não souberam responder.

O depoimento do ex-presidente aconteceu quando foi deflagrada a 24ª fase da Operação Lava Jato.

O instituto entrevistou 726 pessoas que leem a Folha ao menos uma vez por semana. A margem de erro é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.

Os entrevistados também foram questionados sobre a avaliação a respeito do governo Dilma Rousseff. Consideram o governo Dilma ruim ou péssimo 72%. Quando a mesma pergunta foi feita à população geral, entre os dias 24 e 25 de fevereiro, os números foram ligeiramente mais baixos: 64%.

Para 82% dos leitores do jornal, o ex-presidente Lula foi beneficiado por construtoras na reforma do tríplex ex Guarujá, enquanto na população geral o percentual é menor: 62%.

Entre os leitores da Folha, 10% acreditam que o petista não foi beneficiado e, na população em geral, 13% acham o mesmo. Cerca de 8% dos leitores e 25% da população não sabem se houve favorecimento ao ex-presidente.

No caso da reforma do sítio em Atibaia, 81% do leitores da Folha acreditam que Lula foi beneficiado por construtoras, enquanto 58% da população em geral pensam o mesmo.

Entre aqueles que acham que o ex-presidente não foi beneficiado, o número é semelhante aos que responderam sobre o apartamento no litoral: 10% do leitores do jornal e 13% da população em geral.

 

Recessão econômica atual deve ser a pior da história do Brasil

Salvo uma inesperada retomada da economia, a atual recessão caminha para se tornar, até o fim do ano, a pior já medida com precisão no país.

Pelos critérios da Fundação Getulio Vargas, o ciclo decontração da atividade econômica, iniciado em meados de 2014, no primeiro mandato de Dilma, já completou sete trimestres. O oitavo está em curso; até dezembro, serão 11.

Ao fim desse período, segundo as projeções mais consensuais dos analistas de mercado, o PIB terá acumulado uma queda de ao menos 8,7%.

O PIB brasileiro começou a ser calculado em 1947, e há dados oficiais para o desempenho trimestral desde 1980. Nos últimos 36 anos, a recessão mais longa durou 11 trimestres, entre 1989 e 1992, quando o PIB caiu 7,7%. A mais intensa, de nove trimestres, entre 1981 e 1983, levou a economia a encolher 

Da década passada para cá, houve mudanças na metodologia da apuração dos números pelo IBGE, o que lança dúvidas sobre a comparação com as cifras mais antigas.

Mas, na grande maioria dos casos, as revisões resultaram em taxas melhores para o PIB. O crescimento em 2011, no exemplo mais eloquente, subiu de 2,7% para 3,9%.

Os dados disponíveis indicam que os recordes da crise atual podem abranger um intervalo de tempo ainda maior.

Em estudo de 2010, os economistas Regis Bonelli e Claudia Fontoura Rodrigues estimaram PIBs trimestrais de 1947 a 1980 e apontaram só dois breves ciclos de retração: dois trimestres em 1963 e três entre 1966 e 1967.

Recessões agudas e prolongadas são raras no país –em geral, associadas a reviravolta do mercado externo, a choque econômico doméstico ou a grave crise política.

Nas medições regulares do PIB, a primeira queda anual, de 4,3%, só foi apurada em 1981, quando uma elevação brusca dos juros internacionais tornou impagável a dívida externa e apressou o enfraquecimento da ditadura.

GRANDE DEPRESSÃO

Nas estimativas mais aceitas para a primeira metade do século passado, só há um caso de recuo da renda nacional por dois anos seguidos: em 1930-1931, depois que a queda da Bolsa de Nova York precipitou a Grande Depressão.

Calcula-se que a economia, então baseada na exportação de café, tenha se retraído em 5,3% naquele biênio –menos que os 7,1% de 2015-2016, considerando a projeção de 3,4% da FGV para este ano.

Convém relativizar a comparação, e não apenas devido à precariedade dos dados de 85 anos atrás. As consequências da crise dos anos 1930 foram dramáticas: as oligarquias agrárias começaram a perder poder, enquanto emergia a industrialização.

Hoje, o impacto da recessão é mitigado pela demografia, com menor crescimento populacional, e pelos programas de amparo aos pobres. 

 

Chegou a hora de dizer: basta! (EDITORIAL DO ESTADÃO)

A maioria dos brasileiros, conforme atestam há tempos as pesquisas de opinião, exige que a petista Dilma Rousseff deixe a Presidência da República. A oportunidade de expressar concretamente essa demanda e, assim, impulsionar a máquina institucional responsável por destituí-la, conforme prevê a Constituição, será oferecida hoje, nas manifestações populares programadas Brasil afora. Chegou a hora de os brasileiros de bem, exaustos diante de uma presidente que não honra o cargo que ocupa e que hoje é o principal entrave para a recuperação nacional, dizerem em uma só voz, em alto e bom som: basta!

Que as famílias indignadas com a crise moral representada por esse desgoverno não se deixem intimidar pelo rosnar da matilha de petistas e agregados, cujo único interesse na manutenção de Dilma na Presidência é preservar a boquinha à qual se habituaram desde que o PT chegou ao poder.

Essa turma é hoje minoritária, quase marginal, totalmente destituída da força que um dia teve, quando seduzia a parte ingênua da opinião pública nacional com a promessa de um governo de vestais, empenhado apenas em promover a justiça social. Como essa farsa foi desmascarada pelos fatos – o Brasil se viu mergulhado em escândalos inéditos em sua história e o desastre do governo Dilma transformou o sonho do fim da pobreza no pesadelo da década perdida –, restou aos petistas insinuarem que os cidadãos comuns, aqueles que não se organizam em sindicatos ou “movimentos sociais” destinados, por incrível que pareça, a defender privilégios, correm algum risco se forem às ruas.

Já faz tempo que, ao farejar o fim dessa era de privilégios, a tigrada lançou no ar suas ameaças, com a pretensão de se impor pela força, já que pela razão não era mais possível. Em fevereiro de 2015, o chefão petista, Luiz Inácio Lula da Silva, se disse pronto para a “briga” e invocou o “exército do Stédile”, em referência ao raivoso líder do MST. Depois, em agosto, em pleno Palácio do Planalto, sob o olhar cúmplice de Dilma, o presidente da CUT, Vagner Freitas, pediu a seus colegas sindicalistas e assemelhados – essa turma de boas-vidas alimentados pelo trabalho alheio – que saíssem às ruas “entrincheirados, com armas na mão, se tentarem derrubar a presidente”. Agora, encurralado pela Justiça, Lula tornou a arrotar suas ameaças, que encontram eco nos ouvidos de um número cada vez mais reduzido de seguidores, desesperados para ter algo em que se agarrar diante do esboroamento do poder petista.

Já ficou claro, no entanto, que esse punhado de irresponsáveis nada pode contra a maioria dos brasileiros honestos. Suas bravatas destemperadas nada são diante da resolução do povo, agora mais do que nunca convencido de que o País não suporta mais tanta corrupção e tanta incompetência. Já em seu primeiro mandato Dilma havia revelado, para quem quisesse ver, toda a sua incapacidade de governar. Mesmo assim, graças a uma campanha eleitoral baseada no medo e em mentiras de todo tipo, Dilma conseguiu se reeleger – para levar o País a um dos mais calamitosos períodos recessivos de sua história e a uma aguda crise política e moral.

Sem nenhuma vocação nem para a política nem para a administração, Dilma não teve forças para resistir ao sequestro de seu governo por oportunistas de variados naipes. É a eles que o País está entregue hoje e é contra eles todos – Dilma, Lula e os demais condôminos desse indecente edifício construído à base de corrupção e de mentiras nos últimos 13 anos – que os brasileiros erguerão hoje sua voz nas ruas.

Tudo isso poderia ter sido evitado se Dilma tivesse tido a grandeza de renunciar ao cargo. Na undécima hora, ela enfim revelaria algum traço da estadista que Lula prometeu para o País. Esse gesto serviria para evitar o sempre traumático impeachment, agora praticamente inevitável, e aceleraria a urgentíssima transição para um governo munido da legitimidade indispensável para reunificar o País e conduzi-lo para longe da tormenta. Mas já ficou reiteradamente claro que Dilma, Lula e os petistas são incapazes de pensar senão em salvar seus mesquinhos interesses, além da própria pele. Diante disso, resta aos cidadãos brasileiros mostrarem seu poder, proclamando, inequivocamente, que não admitem mais que o lulopetismo, desonesto e incompetente, continue encastelado no governo.

 

No beco sem saída

Por FERREIRA GULLAR

No final da semana passada, ocorreram fatos políticos que, por sua relevância, mudaram qualitativamente a situação, já crítica, do governo Dilma Rousseff, do presidente Lula e de seu partido: a divulgação da delação premiada do ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral e a condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor na Operação Lava Jato. Não por acaso, em função desses fatos, a presidente Dilma convocou o ministério para, solenemente, tentar responder às acusações feita pelo seu ex-representante no Senado e a reação de Lula após o depoimento que foi obrigado a prestar.

As possíveis consequências da delação feita por Delcídio assustaram o Planalto, principalmente por suas implicações, dadas as revelações que contém, que darão vida nova ao processo de impeachment da presidente da República. Lula tampouco escapa das denúncias feitas pelo seu, até bem pouco tempo, fiel companheiro de partido.

A delação de Delcídio, embora surpreendente, resulta de uma tendência inevitável dos envolvidos na Operação Lava Jato, que preferem abrir o jogo do que pagar a culpa em anos de cadeia. Mais delações virão, como já está sendo anunciado. Imagino o que essa ameaça deve provocar no alto comando petista e, particularmente, em Lula, que sabe muito bem o que fez e o que mandou fazer ao longo desses treze anos.

A condução coercitiva de Lula para depor surpreendeu a todos e, creio eu, particularmente a ele, Lula, e a sua turma. De fato, nenhum deles esperava por isso: Lula conduzido pela polícia para depor! E não só isso, mas também a ação de busca e apreensão no sítio de Atibaia, no tríplex de Guaraujá e no Instituto Lula.

Esses fatos implicam uma mudança qualitativa na situação do ex-presidente na Operação Lava Jato. Ele, mais que ninguém, preocupa-se com as consequências disso, como demonstra a sua atitude após deixar o aeroporto de Congonhas, onde depôs: pregou no peito a estrela do PT e voltou a ser o agitador de outrora.

Tem gente que acha que, com essa atitude, Lula e o PT renasceram, que a militância petista voltará às ruas e a candidatura de Lula em 2018 ganhou viabilidade. Segundo essa visão, eles deram a volta por cima.

Já minha opinião é outra. A reação de Lula é mais de desespero do que de confiança. No meu modo de ver, ao ser levado coercitivamente para depor, ele se deu conta de que não é intocável e que pode acontecer com ele o mesmo que aconteceu com Marcelo Odebrecht, dono de uma das maiores empreiteiras do país, e outros poderosos empresários, flagrados pela Lava Jato, ou seja, entrar em cana.

Não por acaso, o procurador Carlos Fernando Lima, da equipe que conduz a Operação Lava Jato, afirmou, naquele mesmo dia, que "ninguém está acima da lei".

Isso, porém, não é tudo. O que explica a atitude de Lula, após o depoimento daquela sexta-feira, foi ter tomado ciência de que o segredo das compras do tríplex e do sítio de Atibaia foi desvendado pela equipe investigativa da Lava Jato. Conforme declarou o juiz Sérgio Moro, há fortes indícios de que tanto o tríplex da Guarujá quanto o sítio de Atibaia, pertençam ao senhor Luiz Inácio Lula da Silva.

Noutras palavras, tudo o que o ex-presidente disse para alegar que tais propriedades não lhe pertencem, será desmentido pelas investigações já quase concluídas.

O país inteiro tem visto e ouvido Lula afirmar que aqueles bens não lhe pertencem e que tais acusações seriam nada mais nada menos que parte de um plano cujo objetivo é desmoralizá-lo e excluí-lo, a ele a seu partido, da vida política do país.

Chegou a afirmar que não existe, no Brasil, nenhum cidadão tão honesto quanto ele. Mas, se revelada a verdade, como ficará ele diante da opinião pública e de seus próprios seguidores? Corre o risco de passar por corrupto e mentiroso.

Não tenho dúvida de que o lulopetismo agoniza e a condenação de Lula seria o golpe de misericórdia. Por isso, deixou de bancar o estadista para voltar a ser, como antigamente, o inimigo dos ricos e o defensor dos pobres, atitude, aliás, insustentável, tanto que, dias depois, estava em Brasília, ameaçado de perder o apoio do PMDB. E não é que o MP de São Paulo o acusa agora de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica? A coisa está preta.

 

Os políticos saem da sombra

Por BERNARDO MELLO FRANCO, DE BRASÍLIA - 

O mundo político está ansioso com o tamanho das manifestações de hoje. Os discursos já estão prontos. Se a rua encher, quem é contra Dilma Rousseff sairá repetindo que seu governo acabou. Se esvaziar, quem é a favor da presidente dirá que o impeachment perdeu força.

A turma do Fora PT terá reforços. As passeatas ganharam apoio aberto de entidades patronais, comandadas pela Fiesp, e de partidos de oposição, liderados pelo PSDB. Formou-se um bloco de profissionais para emparedar o governo, embora os jovens do Facebook ainda se apresentem como líderes do movimento.

O fim do mito das manifestações apartidárias deve trazer outra novidade: a presença de políticos no palanque. Em março de 2015, na maior onda de protestos que Dilma enfrentou até agora, não foi bem assim.

A avenida Paulista vaiou o deputado Paulinho da Força, veterano em escândalos de corrupção. O senador Aloysio Nunes, anunciado no carro de som, foi impedido de discursar. O senador Aécio Neves ficou em seu apartamento na praia de Ipanema. Limitou-se a aparecer na janela com uma camisa da seleção.

Agora Aécio promete ir à rua com o governador Geraldo Alckmin. Os dois são pré-candidatos a presidente e querem aproveitar a irritação geral com o petismo para assumir o leme dos protestos. Se der certo, os atos podem se transformar em comícios extemporâneos do PSDB.

Na quarta-feira, Alckmin se reuniu com deputados da oposição e representantes dos movimentos que se diziam "sem partido". O pretexto era discutir o esquema de segurança na Paulista. Hoje a polícia do governador divulgará a estimativa oficial de público na avenida. Mas quem ainda acredita nas contas da PM?

*

A convenção do PMDB juntou Eduardo Cunha, Renan Calheiros e cartazes de apoio à Lava Jato. Isso é um partido profissional, os outros todos são amadores.

 

Asfalto agora quer sentar à mesa, não virá-la, POR JOSIAS DE SOUZA (UOL)

 

Quando saíram de casa na célebre jornada de junho de 2013, as ruas informaram que ainda havia sociedade civil no Brasil. E ela estava muito irritada. A densidade do ronco passou a impressão de que o asfalto queria atear fogo na conjuntura, incinerando tudo e todos —partidos, pessoas, grupos e grupelhos políticos.

O tempo passou. No ciclo mais recente de manifestações, iniciado em março de 2015, o meio-fio conseguiu dizer, de maneira mais clara, o que não quer: Dilma, Lula e o PT no poder. Mas não informou direito o que desejava fazer para preencher a cadeira vazia no gabinete presidencial.

No protesto deste domingo, a rua planejou a sua raiva. Fez isso em reuniões com representantes dos partidos de oposição. Pela primeira vez, políticos que se opõem ao governo participaram da organização das manifestações. Representante dos partidos no comitê organizador, Mendonça Filho (DEM-PE), explicou:

“Nós sabemos que o impeachment não acontecerá sem o povo na rua. E o povo desenvolve a consciência de que o impeachment não passará sem uma maioria parlamentar expressiva que o viabilize. Tem que haver uma cumplicidade entre os dois lados.”

Beleza. Mas, dependendo de como Dilma for impedida, o resultado será diferente. A cadeira pode ser ocupada pelo vice Michel Temer (Irrrc…) ou pelo eleito em novas eleições (Deus ajude o eleitorado!), depois de uma presidência interina de 90 dias do Eduardo Cunha (o diabo que o carregue!).

Não é só: se a Justiça Eleitoral cassar a chapa Dilma-Temer a partir de 2017, o novo presidente será escolhido, em eleição indireta, por um Congresso comandado pelo inaceitável Renan Calheiros e habitado por uma inacreditável legião de quatro dezenas de petrolões. Sem contar os mais de 150 processados no STF, que percorrem os corredores do Legislativo como se nada tivesse sido descoberto sobre eles.

Há mais e pior: corre por fora uma emboscada chamada “semipresidencialismo'', armada pelo inaceitável Renan em parceria com o impensável José Sarney. Destina-se a encolher os já inexistentes poderes de Dilma, mantendo-a no Planalto como fantoche de um marionete que eles indicariam para fazer as vezes de primeiro-minitro.

Quer dizer: agora que decidiu sentar à mesa em vez de virá-la, o asfalto precisa trabalhar com um mínimo de previsão. Deve saber que não são negligenciáveis as chances de reincidir no erro permanente, que conduz o Brasil ao seu destino-pastelão.

 

Fonte: FOLHA + ESTADÃO + UOL

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