Soja: Descolados de Chicago, preços sobem no interior do Brasil e garantem bons patamares nos portos

Publicado em 05/01/2016 17:51
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Depois de atuar durante toda a sessão desta terça-feira (5) com boas altas na Bolsa de Chicago, os futuros da oleaginosa perderam força no final dos negócios e terminaram o dia com estabilidade. Os vencimentos mais negociadas fecharam com pequenas altas de pouco mais de 1 ponto e apenas o contrato março/16 abaixo dos US$ 8,60 por bushel. 

No Brasil, os preços também subiram e, no interior do país, as principais praças de comercialização registraram altas de 0,73%, em Ubiratã e Londrina, no Paraná, a 4,48%, como foi o caso de São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul. Assim, as últimas cotações desta terça foram de, respectivamente, R$ 69,00 e R$ 70,00 por saca. 

Nos portos, altas e baixas. Enquanto em Paranaguá a soja disponível ficou estável nos R$ 81,00 o futuro, para maio/16, subiu 1,30% para R$ 78,00 por saca. Já no terminal de Rio Grande, os preços no disponível perderam 3,86% para R$ 79,80, enquanto a soja para março/16 caiu 0,25% para R$ 79,80. Em Santos, estabilidade nos R$ 80,00. 

O mercado brasileiro foi, mais uma vez, motivado pelo dólar. Apesar de ter sido um dia de ajuste e volatilidade, a moeda norte-americana encerrou a sessão desta terça-feira ainda com valor elevado, mesmo com uma baixa de pouco mais de 1% a R$ 3,9993. Nesta segunda (4), com o maior valor desde setembro de 2015. 

Apesar dissso, as vendas se mantém travadas no Brasil, segundo relatou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. E as adversidades climáticas ainda são o principal fator que traz a manutenção para este cenário. O excesso de chuvas segue preocupando no Sul do Brasil, a irregularidade das mesmas no Centro-Norte, e as incertezas sobre as consequências finais e efetivas desse quadro climático desencorajam os produtores a realizarem novos negócios. 

"As perdas da soja nos estados centrais do Brasil variam de 10% a 30%, mas nenhum órgão oficial como o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) ou a Conab deu isso ainda, por isso, as mesmas ainda não refletem na Bolsa de Chicago", explica Brandalizze. 

E por isso, mesmo ainda muito localizadas e de baixos volumes - como no Piauí que, nos últimos dias variaram de 5 a 60 mm - as precipitações que chegam à necessitadas áreas de produção do Brasil acabam por pressionar as cotações no mercado internacional, também como aconteceu nesta segunda-feira. 

Bolsa de Chicago

E assim, o mercado internacional ainda se mantém bastante técnico, também como explica o consultor. Os traders seguem ajustando suas posições e realizando movimentos de compra e venda de posições motivados, principalmente, por incertezas que chegam do financeiro global e esperando por mais informações vindas da safra da América do Sul.

O dia, nesta terça-feira, foi de compras após as baixas registradas em Chicago no pregão anterior, mas que perdeu a intensidade ao longo dos negócios. "Neste momento, não temos um catalisador entre os fatores climáticos que possam desencadear um grande movimento de cobertura de posições vendidas. Mas, em um determinado dia, você pode ter alguns traders buscando realizar lucros, trazendo algum equilíbrio aos preços", diz Jason Ward, analista de grãos sênio da internacional Northstar Commodities ao Agriculture.com. 

Paralelamente, ainda segundo Vlamir Brandalizze, a disputa por área nos Estados Unidos para a safra 2016/17 entre soja e milho ganha, a cada dia, mais peso entre as negociações em Chicago, principalmente diante dos atuais preços do cereal que não cobrem os custos de produção norte-americanos. 

Além disso, completando o cenário de um mercado técnico há ainda a espera por novos boletins indicando oferta, demanda e tendências para a nova temporada que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz nesta próxima terça-feira, 12 de janeiro. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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