Soja fecha o dia acima dos R$ 80 nos portos com suporte do dólar, Chicago e prêmios nesta 4ª feira

Publicado em 06/01/2016 17:53
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Soja fecha o dia com boas altas nos portos em dia de ganhos do dólar, em Chicago e nos prêmios

Nesta quarta-feira (6), o dólar fechou em alta frente ao real e as cotações da soja na Bolsa de Chicago, que operaram em queda durante todo o dia, voltaram a subir e também encerraram o pregão em campo positivo. Entre as posições mais negociadas, os ganhos variaram de 6,75 a 9,25 pontos, levando os futuros da oleaginosa a voltarem a trabalhar entre US$ 8,65 e US$ 8,76 por bushel. 

O reflexo para os preços no Brasil foi, portanto, também positivo. No porto de Paranaguá, manutenção em R$ 78,00 por saca para o produto futuro, enquanto em Rio Grande, a soja da nova safra subiu 0,88% e fechou a quarta-feira com R$ 80,50 por saca. Já para o produto disponível, ganho de 1,23% no terminal paranaense para R$ 82,00 e, no gaúcho, de 4,64% apra R$ 83,50. 

Além dos três fatores do tripé - Chicago, dólar e prêmio - terem trabalhado de forma positiva neste pregão, a pouca ou quase nenhuma oferta disponível de soja e as incertezas sobre os resultados da temporada 2015/16 também são fatores de estímulos às cotações, porém, ao mesmo tempo, travam as vendas no país. 

As projeções para a colheita do Brasil, que começa a ser iniciada já em alguns pontos, são bastante divergentes e o real tamanho da quebra é incerto até este momento. Em alguns estados, os produtores não puderam nem ao menos concluir ou iniciar o plantio, em outros, o replantio também foi liquidado pela falta de chuvas do último mês. 

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Neste quadro, os preços da soja no interior do país acompanham a valorização. Nesta quarta-feira, as praças de Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, registraram altas de 5,43% e 6,25%, respectivamente, subindo para R$ 68,00 por saca. Já em Londrina e Cascavel, no Paraná, onde as perspectivas são melhores para esta temporada, queda de 0,72% para R$ 68,50. 

"Os negócios estão parados, tanto para a safra nova quanto para o que resta da safra velha", relata o consultor de mercado Flávio França Junior, da França Junior Consultoria. Até o final de dezembro, ainda segundo o especialista, já havia 45% da safra 2015/16 de soja comprometida. Um novo levantamento será reportado em 22 de janeiro. 

Dólar

A aversão ao risco por parte dos investidores brasileiros e internacionais ainda é o principal fator de alta para a moeda norte-americana, segundo explicam analistas. O dólar, nesta quarta, fechou com alta de 0,70% a R$ 4,0214 na venda. 

"Não dá para a confiança melhorar se cada dia aparece um novo problema na China", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado à agência de notícias Reuters. Além disso,o teste bem sucedido da Coreia do Norte com sua bomba de hidrogênio também trouxe nervosismo aaos mercados. 

"O evento com a Coreia do Norte aumenta o desafio da política externa dos Estados Unidos e testa a capacidade da China de controlar seu aliado mais instável", escreveu o superintendente regional de câmbio da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa em nota a clientes.

Internamente, a crise política e econômica que segue, mesmo com o Congresso em recesso, também é motivo de apreensão. O recém empossado ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que substitui Joaquim Levy, ainda gera incertezas, principalmente por conta das especulações de que poderia afrouxar o já exaustivamente discutido ajuste fiscal. 

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Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, as cotações testaram, novamente esta semana, alguns patamares de suporte e, na sequência, voltaram a subir. O comportamento do mercado, segundo explicam analistas, ainda é bastante técnico. 

Segundno Jack Scoville, analista sênior de grãos da Price Futures Group, de Chicago, em entrevista ao Notícias Agrícolas, as atenções do mercado internacional, agora, se dividem entre a conclusão da nova safra da América do Sul e a nova safra dos Estados Unidos. 

No entanto, afirma ainda que embora as notícias sobre as perdas no Brasil sejam importantes, principalmente aquelas ligadas à quebra por conta da falta de chuvas na região Central do país, os elevados estoques norte-americanos e argentinos acabam limitando o potencial de alta das cotações. "Americanos e argentinos têm grandes estoques e precisam vender", diz. 

Dessa forma, ainda segundo Scoville, os boletins que serão reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na próxima terça-feira, 12 de janeiro, são esperados, como sempre, com ansiedade e já causam especulações entre os investidores. 

"Acredito que os preços já estão bem próximos de um piso. Então, não os vejo caindo muito mais, mas também não acredito em uma alta muito forte", diz. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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