Soja: Mercado internacional realiza lucros na manhã desta 4ª feira; preços ainda acima dos US$ 9

Publicado em 23/03/2016 07:53
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Na manhã desta quarta-feira (23), o mercado internacional da soja realizava lucros na Bolsa de Chicago, após as boas e fortes altas registradas na sessão anterior. As principais posições recuavam, por volta das 7h45 (horário de Brasília), entre 2,75 e 3,25 pontos, com o o contrato agosto/16 ainda cotado a US$ 9,16 por bushel. 

Os futuros da oleaginosa vem recebendo força de uma maior demanda pelo produto norte-americano, enquanto no Brasil, os negócios seguem caminhando em ritmo lento. Além disso, os fundos de investimento, que há algum tempo operavam nas margens do mercado e com movimentos pouco expressivos, voltaram trazendo alguma volatilidade ao andamento dos preços ao ajustarem suas posições. 

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Os preços da soja voltaram a subir nesta terça-feira (22) na Bolsa de Chicago, romperam alguns patamares importantes, deixando os US$ 9,00 por bushel para trás e buscando se consolidar em patamares mais elevados. O contrato maio/16, referência para a safra brasileira, terminou o dia cotado a US$ 9,10 por bushel, enquanto o agosto/16 foi a US$ 9,19 e o setembro/16 a US$ 9,18 por bushel. Óleo e farelo também subiram. 

Segundo explicou o consultor Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, dois dos mais importantes fatores que têm promovido esse novo movimento positivo no mercado futuro norte-americano são a "parada das vendas Brasil e a lentidão da safra da Argentina". 

Com os produtores nacionais evitando novos negócios neste momento, já é possível observar uma migração dos compradores para novos contratos e novas posições nos Estados Unidos. "E o mercado espera a presença de mais compradores", completa. 

Com a recente desvalorização do dólar frente ao real - a moeda norte-americana já perdeu mais de 10% somente em maio - os produtores brasileiros, que já venderam cerca de 60% da safra 2015/16, evitam ir a mercado diante de preços que, ao menos momentaneamente, não são atrativos e estão bem abaixo dos registrados há alguns meses. 

No porto de Paranaguá, nesta terça, a soja disponível encerrou o dia valendo R$ 75,00 por saca, bem como a programada para ser embarcada em maio. As baixas foram, porém, de 1,32% e 1,96%, respectivamente. Em Rio Grande, por outro lado, as referências subiram. O produto disponível foi a R$ 75,30, com alta de 1,48%, e o futuro - embarque junho - a R$ 76,30, com ganho de 1,06%. 

Nem mesmo os prêmios em patamares muito elevados nos terminais brasileiros estimulam as vendas. O avanço desses valores, afinal, não compensou as perdas via dólar e, consequentemente, a comercialização segue travada, ainda como explica Brandalizze. No porto paranaense, as principais posições de entrega pagam de 43 a 48 centavos de dólar acima dos valores que vêm sendo praticados em Chicago. 

No interior do país, apesar de não ser uma movimentação constante e generalizada e de ainda contar com o suporte de uma demanda interna aquecida, as cotações também vêm apresentando algumas baixas. Nesta terça, baixa de 2,7% para R$ 72,00 por saca Ponta Grossa/PR, de 0,88% para Campo Novo do Parecis/MT, com R$ 56,50 e de 1,72% em Tangará da Serra, para R$ 57,00 por saca. Por outro lado, os preços subiram em Panambi/RS, no Oeste da Bahia e em Jataí/GO. 

Ainda em Chicago, as cotações puderam encontrar suporte também em uma volta dos fundos de investimento ao mercado de commodities agrícolas, como explicam analistas nacionais e internacionais, reforçando o peso maior que as especulações sobre a nova safra dos Estados Unidos ganha nos negócios.

A maior dúvida, neste momento, vem da possibilidade de o El Niño se converter em um La Niña e de que forma irá impactar sobre o Meio-Oeste. E há ainda a perspectiva de um recuo da área cultivada com soja no país nesta nova temporada, o que também começa a ser considerado pelos traders.  

Complementando o quadro positivo para a soja em grão, os futuros do óleo negociados na Bolsa de Chicago também sobem nesta terça-feira, motivados ainda pela firmeza no mercado do óleo de palma. Na bolsa de Dalian, os futuros do concorrente do óleo da soja subiram e, como relata a Agrinvest, se aproximaram das máximade julho do ano passado. 

"A preocupação de queda na produção de óleo de palma nos principais produtores globais, Indonésia e Malásia, continuam dando suporte aos preços", informam os analistas da consultoria.

Dólar 

Nesta terça-feira, o dólar fechou em queda frente ao real. A divisa chegou a testar uma recuperação, porém, reverteu sua direção e terminou a sessão com baixa de 0,26% e valendo R$ 3,6008, após a intervenção do Banco Central. 

"A mensagem é clara: a pressão sobre o dólar é de queda e vai continuar sendo de queda", disse o estrategista de câmbio e juros de um banco internacional com presença no Brasil em entrevista à agência de notícias Reuters.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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