Preço do suíno vivo em SC reage após decisão de suinocultores de reduzir vendas de animais leves. Cotações sobem 25 centavos em uma semana

Publicado em 22/02/2016 12:09 e atualizado em 22/02/2016 15:21
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Mas as altas nas cotações de suínos das últimas semanas estão longe de cobrir custo de produção e muitos produtores devem abandonar atividade

Os preços do suíno vivo pago ao produtor independente registraram reação na última semana, após decisão dos suinocultores em reduzir a oferta. Em Santa Catarina, nos sete dias as cotações reajustaram em R$ 0,25 por quilo.

Segundo o presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), Losivânio de Lorenzi, os produtores reduziram a comercialização de animais abaixo de 100 quilos para enxugar a oferta em um mercado que também não vem registrando bons volumes de consumo interno.

"Os suinocultores que vinham comercializando em um peso entre 105 a 115 quilos, quando viram que os preços começaram a cair semanalmente e os custos aumentando, começaram a ofertar animais mais leves para fazer um giro financeiro dentro da propriedade. Só que isso se intensificou tanto que sobrecarregou a oferta no mercado", explica Lorenzi.

Diante do reajuste, na semana passada a bolsa de suíno do estado definiu um acréscimo de 8,20% em relação à última definição, passando de R$ 3,05 para R$ 3,30/kg do animal vivo no mercado independente.

Ainda assim, esse patamar não cobre os custos de produção que estão elevados neste ano. Segundo Lorenzi, os custos com a nutrição subiram significativamente por conta da alta nos preços do milho e do farelo de soja.

Na região a saca do cereal é comercializada acima R$ 42,00 enquanto que o farelo varia entre R$ 1.300,00 a R$ 1.400,00 a tonelada. "O custo chega a R$ 3,80 até R$ 3,90/kg dependendo da região do estado, então isso traz um prejuízo muito forte dentro do setor, e inviabiliza qualquer produção", alerta o presidente afirmando que o valor ideal para o produtor seria acima dos R$ 4,00/kg.

De acordo com ele, há suinocultores considerando sair da atividade caso o cenário não apresente melhora ao longo do ano. "O grande problema dessa crise e de outras é que não vemos uma redução para o consumidor final e esse é o grande problema, porque poderia ser baixado o preço para que o consumo aumentasse", pondera Lorenzi.

Um ponto positivo nesta conjuntura são as exportações que vem registrando um bom desempenho desde o segundo semestre do ano passado. Mesmo com o consumo interno baixo, as vendas ao mercado mundial poderão minimizar o excesso de oferta e colaborar para a sustentação dos preços.

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Por: Aleksander Horta e Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

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