Sob efeito de decisão do FED nos EUA, dólar pode continuar em queda e se romper patamar dos R$3,18 , recuar ainda mais

Publicado em 22/09/2016 12:05 e atualizado em 22/09/2016 14:58
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Produtor brasileiro não deve se pautar pela alta do dólar para garantir lucro. É preciso otimizar produção e fazer com que competitividade seja baseada em boa relação com custo

Após o Federal Reserve (FED) sinalizar no final da tarde de ontem (21) a manutenção nas taxas de juros, prevendo uma alta somente em dezembro, o dólar voltou a cair frente a uma cesta de moedas.

No Brasil, o economista chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, avalia a possibilidade de novas depreciações do câmbio nos próximos dias, ainda refletindo a decisão do FED. Juros maiores nos Estados Unidos têm potencial para atrair recursos aplicados hoje em outros mercados, como a brasileiro.

E seguindo a tendência desde o anuncio do FED, o dólar abriu em queda, abaixo de R$ 3,20, nesta quinta-feira (22). No entanto, com os preços baixos atraindo importadores e com movimento de ajuste após recentes desvalorizações, o câmbio voltou a subir no início desta tarde.

Para Vieira, o câmbio continuará testando "o suporte do dólar de R$ 3,18", e caso ocorra o rompimento então poderemos ver quedas mais expressivas, buscando um novo suporte em R$ 3,11.

A política econômica do Brasil, em contrapartida, é de realizar intervenções apenas necessárias, deixando o câmbio flutuante à medida do possível. "O Banco Central utiliza da swap reversa de maneira bastante técnica e aproveitando do momento, mesmo porque o viés da equipe econômica é de respeito ao tripé macroeconômico e as intervenções serão previsíveis", explica Vieira.

E embora a composição do dólar venha sendo importante para o mercado agropecuário - favorecendo, sobretudo, as exportações - Jason lembra que a necessidade de previsibilidade de câmbio muitos vezes é mais importante do que uma taxa que mantenha o produto nacional competitivo frente ao mundo.

No cenário interno, a necessidade de aprovação de medidas do ajuste - prioritariamente a PEC dos gastos públicos - também é um fator fundamental para a recuperação econômica do Brasil.

"Sem a aprovação teremos dificuldade e iniciar o processo de afrouxamento monetário com corte de juros e de atração de capital estrangeira", alerta Vieira. Além disso, a não consolidação das expectativas positivas para política e economia também pode retomar as oscilações positivas no câmbio.

Por: Aleksander Horta e Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

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