PREGANDO NO DESERTO- Análise Semanal do Mercado de Açúcar

Publicado em 24/02/2012 08:56 e atualizado em 02/03/2012 09:58 300 exibições
O mercado teve uma semana encurtada pelo feriado americano na segunda-feira e pelo Carnaval no Brasil. Ainda assim, NY apreciou robustos 157 pontos na semana, quase 35 dólares por tonelada, com o vencimento março encerrando a 26,19 centavos de dólar por libra-peso. Os demais meses na curva fecharam com altas entre 3 e 32 dólares por tonelada. A conversa agora é que a entressafra no CS pode ser um pouco mais longa do que se esperava; que a Tailândia possa ter problemas logísticos para fazer escoar sua safra; e que os níveis de superávit mundial possam ser revistos por algumas tradings. Enfim, o velho e conhecido mundo das commodities no qual justamente quando se esperava que nada fosse acontecer, tudo acaba acontecendo.

Numa demonstração de que nos últimos quatro anos, independentemente do humor impregnado pela Conferência de Dubai, o mercado age de maneira oposta, NY atingiu seu nível de preço mais alto desde o final de outubro passado. O cenário macro mudou, é verdade, com o equacionamento (será mesmo?) dos problemas na Grécia e números mais animadores vindos dos EUA e China. O apetite ao risco ocupa o meio do palco e as commodities, de maneira geral, melhoraram muito seu desempenho, exceção ao café e suco de laranja que azedaram.

Enquanto isso, na dura e fria realidade do mercado físico, os negócios continuam largados e os traders esperam que a entrega de março, que expira na quarta-feira da próxima semana, possa chegar a 800.000 toneladas. Se esse número se confirmar, os baixistas vão dizer que o mercado vai desabar, pois não há negócios no físico e por isso NY era a única saída para os vendedores. Os altistas, por sua vez, vão dizer que é positivo, pois os recebedores encontraram um destino para essa montanha de açúcar.

Um respeitado executivo de uma usina comenta que recentemente recebeu a visita de uma importante trading e que na reunião que tivera eles apontavam um superávit mundial de 3.5 milhões de toneladas. Imediatamente o executivo replicou que o relatório que eles mesmos produziram naquela semana apontava um número bem acima daquele. Constrangidos, os representantes da trading admitiram que a diferença se devia a reposição de estoques considerada muito baixa para os padrões do mercado. Ou seja, inflaram o número e agora ficava mais difícil voltar atrás.

Se passássemos uma régua com os preços de fechamento de açúcar no mercado interno e externo e os preços do etanol no mercado interno desta sexta e considerássemos esses preços como média do mercado, a estimativa é que as usinas estariam ganhando em média US$ 3,15 por tonelada de cana moída, sem o custo financeiro. A margem líquida depois desse é negativa.

Nos últimos 20 dias a média de contratos negociados na bolsa foi de 127,687 lotes uma indicação de que o volume na bolsa começa a se recuperar. A última vez que tivemos essa média foi no início de julho de 2011. O recorde, no entanto, ainda está longe de ser alcançado: são 186,222 lotes de média em fevereiro de 2008, quando o mundo era feliz e não sabia.

Em entrevista ao jornal Brasil Econômico esta semana, o presidente da Unica, Marcos Jank afirmou que a “receita do etanol, hoje de US$ 48 bilhões, poderá dobrar até 2020, mas é preciso que o governo deixe de controlar artificialmente o preço da gasolina”. E faz a conta do que é preciso fazer: “O peso dos impostos na gasolina, que era 47% do valor na bomba, caiu para 35%. O etanol paga 31%. Parece menos, mas na verdade não é porque o etanol tem conteúdo energético menor e no custo por quilômetro rodado, a gasolina acaba sendo menos tributada”. Às vezes tem-se a impressão que a gente está pregando no deserto.

O custo de produção do açúcar apurado pelo modelo da Archer Consulting, considerando o CONSECANA médio da safra e o dólar médio dos últimos 30 dias, está em 36,6000 reais por saca na usina, sem custo financeiro.

No dia em que completava 72 anos, Albert Einstein estava sendo convencido pelo fotógrafo Arthur Sasse a sorrir para a câmera, o que já fizera para dezenas de fotógrafos naquele festivo dia. Em vez de um sorriso, colocou a língua para fora, imortalizando o momento. Um gênio fazendo algo nada convencional nos lembrando de que não devemos levar a vida muito a sério.

Bom descanso a todos e uma excelente semana pela frente.

Arnaldo Luiz Corrêa

Fonte:
Archer Consulting

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