MERCADO DO AÇÚCAR: Poucos negócios, muita apreensão

Publicado em 04/06/2012 07:04 594 exibições
Comentário Semanal – de 28 de maio a 01 de junho de 2012. Por Arnaldo Luiz Corrêa.
O mercado de açúcar em NY atingiu a cotação mais baixa dos últimos 21 meses. Em 18 de agosto de 2010 a mínima negociada foi de 18,96 centavos de dólar por libra-peso, quebrada nesta sexta-feira quando o vencimento julho/2012 bateu 18,95. A semana, uma vez mais, foi de queda. O vencimento julho/2012 fechou com desvalorização de 53 pontos (12 dólares por tonelada), cotado a 19,09 centavos de dólar por libra-peso. Os demais meses de vencimento experimentaram quedas entre 30 e 60 pontos.

O frágil cenário macro dominado pelas intermináveis preocupações com a região do Euro, agora com a Espanha no centro das atenções, teve um tempero extra com os números da economia chinesa indicando que ela deve crescer menos do que o mercado antecipava e a Índia que também espera uma queda no seu crescimento. Os investidores saem em bando dos ativos de risco e vão para os papéis seguros do tesouro americano, alemão e japonês. O desempenho das commodities nesses cinco primeiros meses do ano foi sofrível. Exceção feita à soja e ao farelo de soja, que subiram no ano 12,2% e 28,5% respectivamente, as demais commodities esvaíram-se: o suco de laranja perdeu 35%, café 30%, algodão 23%, açúcar 18% e milho 13%.

Muito se comentou na semana sobre o pacote de medidas que o governo estaria preparando para ajudar o setor a sair da crise em que está metido. Entre as medidas discutidas estaria a redução do PIS/Cofins incidente no etanol, a desoneração tributária do setor e os leilões específicos para compra de energia elétrica. Por enquanto estamos apenas nas discussões, sem nada de concreto. O fato é que o setor precisa urgente de investimentos que só virão quando houver transparência por parte do governo sobre a política para o setor. Nem os mais otimistas acreditam na retomada do setor em menos de 2-3 anos.

O mercado físico de açúcar tem poucos negócios. Havia comprador para embarque em setembro a 5 pontos de prêmio sobre o julho. Ou seja, setembro negocia com 30 pontos de desconto em relação a outubro mostrando a fragilidade do mercado físico. Se o estoque estimado pelo mercado para outubro for mesmo de 12 milhões de toneladas os descontos abrem.

O hidratado negociado a R$ 1,2900 por litro equivale ao açúcar em NY a 17,98 centavos de dólar por libra-peso sem prêmio de polarização. Dólar a 1,9500 eleva o valor acima a 18,65. Dólar a 2,1000 joga para 17,50 centavos de dólar por libra-peso. Portanto, esse parece ser o chão do mercado: 18 centavos (com dólar a 2,0500), que equivaleria a 20,50 com dólar a 1,8000.

Algumas coisas chamam a atenção nesse mercado que só cai: primeiro, a volatilidade das opções caiu entre 1.5-2.0% na semana. Quando isso ocorre significa que houve uma diminuição na percepção de risco por parte dos participantes, isto é, as pessoas não estão comprando opções porque sentem que não precisam de proteção na alta ou na baixa, acreditando que o mercado vai ficar no nível que está. Também indica que os vendedores de opções (que vendem, na verdade, incerteza) precisam oferecer prêmios cada vez mais baratos para atrair a outra ponta. Segundo, o volume médio de negócios em futuros tem caído de maneira significativa. A média de negociação de 20 dias foi de 87.000 contratos, um volume baixo que não ocorre desde janeiro. Terceiro, a posição em aberto das puts (opções de venda) de julho, cujo vencimento é daqui a duas semanas, não é nada de anormal 6.600 lotes no preço de exercício de 19 e 6.700 no preço de exercício de 18. Não se espera nenhum susto a ser provocado pelo vencimento das opções. Conclusão: não fosse pelo cenário macro, teríamos certamente já visto o ponto mais baixo.

A desvalorização do real em relação ao dólar e a queda do preço do petróleo no mercado internacional adiaram a urgência que o governo tinha em reajustar os preços dos combustíveis na bomba. A importação de gasolina está mais ou menos no mesmo nível de preços em reais de dois meses atrás, deixando inalterado o impacto no fluxo de caixa da estatal do petróleo e consequentemente, sem necessidade no momento de reajustar o preço da gasolina e, pior ainda para o setor, sem pressa para aumentar imediatamente a mistura de anidro para 25%.

Segundo um jovem trader, a coisa no açúcar não está tão ruim assim. Pelo menos se comparado com a ação do Facebook que ele subscreveu, o açúcar teve um desempenho muito melhor desde o IPO da empresa. O Face caiu de 45,00 a máxima para 26,83, ou 40%. 

Na maioria dos postos, apesar de os preços do etanol terem caído, não houve mudança para o consumidor.

Junho tem sido um mês difícil para o açúcar. Juntamente com maio é o mês em que ocorrem as cotações mais baixas. 
Fonte:
Archer Consulting

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