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MERCADO DO AÇÚCAR: O lado amargo

Publicado em 22/10/2012 13:33 476 exibições
Comentário Semanal – de 15 a 22 de outubro de 2012. Por Arnaldo Luiz Corrêa.
O mercado de açúcar fechou a semana surpreendentemente em alta depois de grande parte do tempo visitando territórios negativos. O vencimento março de 2013 fechou a 20,28 centavos de dólar por libra peso com variação positiva na semana de 23 pontos. Os demais meses de negociação, no entanto, encerraram com alta nos vencimentos da 2013/2014 e com baixa de até 9 pontos em todos os meses seguintes.

O Jantar do Açúcar em Londres uma vez mais primou pela qualidade e pela pompa ritualística tão apreciada pelos ingleses e admirada pelos estrangeiros. Infelizmente, problemas na sonorização interromperam  por várias vezes o discurso de um membro do parlamento britânico e frustraram os 600 convivas que em sua maioria optaram por cancelar as apostas feitas nas mesas sobre a duração do discurso, tradição dos jantares do açúcar aqui em Londres, bem como em NY e no Brasil.

Tirando o caráter festivo da semana, em geral o sentimento sobre o mercado foi bem negativo. Argumentos inegavelmente baixistas abundavam nas diversas rodas de conversas e um ou outro altista aqui e ali eram olhados com desconfiança ou espanto, como “avis rara”. Previsão de estoque alto de açúcar na entressafra do Centro Sul, descrédito na possibilidade de mudança no preço interno da gasolina no Brasil, baixa demanda, descontos generosos no mercado físico, situação econômica mundial, pegue o argumento que quiser e faça um discurso sobre ele. Era essa a tônica da semana. Entre taças de champanhe e copos de uísque, salvaram-se todos. O que ninguém esperava era esse fechamento vigoroso na sexta-feira.

Como se sabe, eventos como esse de Londres são péssimos indicadores para medir o nível de otimismo do mercado. Apenas para citar um exemplo,  lembro-me do sentimento extremamente baixista durante o Jantar no Açúcar em NY há dois anos. Mercado a 13 centavos de dólar por libra peso, os abutres sobrevoando Manhattan e todo mundo cantando o mantra do “vai cair mais” como se fossem obedientes pingüins cantando Hare Krishna. E o que aconteceu? Bem,o mercado foi para 31 centavos de dólar por libra peso. “Ah, mas aconteceu muita coisa”, dirão os céticos.
 
Mas não é sempre assim? Parafraseando John Lennon, aproveitando que estou no trem agora a caminho de Liverpool, “a vida é o que acontece com você enquanto está ocupado planejando outras coisas”, ou no nosso caso, o mercado é aquilo que acontece quando estamos ocupados olhando só para um lado das coisas. Taleb já teve essa sacada quando escreveu sobre o cisne negro.

Estou muito longe de ser altista mas gosto de instigar meus leitores a refletirem desapaixonadamente sobre o mercado. Quão baixistas podemos ser? E em quais circunstâncias? E por quanto tempo? Fui interpelado por um respeitável gestor de fundos que me pergunta como poderia eu ser altista na visão dos spreads março/maio e maio/julho? Referia-se ao meu comentário de algumas semanas quando sugeri aos leitores que a compra dos citados spreads, que negociavam a zero, era uma boa estratégia. E foi. A análise baseou-se nas conversas ouvidas aqui e ali de diversas usinas. Como um quebra-cabeças, e encaixando as peças como  Holmes ou House, guardadas as devidas proporções e as limitações deste que vos escreve, as vezes o diagnóstico não é tão óbvio quanto parece.

As usinas estão razoavelmente bem fixadas para 2013/2014 e não existe pressão neste momento para uma avalanche de fixações que poderia forçar o mercado a atingir novas mínimas (abaixo dos 18,46 centavos de dólar por libra peso negociados em setembro). Isso só aconteceria depois de iniciada a próxima safra e existe ainda um enorme caminho a percorrer. Muitas questões terão que ser respondidas até lá: o tamanho da atual safra na Índia, a política de formação de preços do etanol, a expansão canavieira no Centro Sul no ano que vem, entre outras. Quem que ficar short a 19 centavos de dólar por libra peso base maio de 2013 agora?

Os mais pessimistas do mercado apontam preços para 16 centavos de dólar por libra peso. Apenas como curiosidade, existem apenas 5.000 puts em aberto no maio de 2013 para preços de exercício entre 18 e 16 centavos de dólar por libra peso.

O mercado nos surpreende a cada semana e os fundos que tem ensaiado ficar short em açúcar estão conhecendo o lado amargo de tal estratégia.

Uma boa semana para todos e uma volta tranquila para aqueles que estavam aqui em Londres. 
Fonte:
Archer Consulting

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