Mercado do Açúcar: Partida de dominó

Publicado em 03/12/2012 15:55 e atualizado em 15/01/2013 09:23 975 exibições
Por Arnaldo Luiz Corrêa.
O mercado de açúcar em NY fechou a semana em alta, com variações de 20 a 35 pontos ao longo da curva de vencimentos (ganhos entre 4,40 e 7,70 dólares por tonelada). O vencimento março/2013 encerrou a sexta-feira cotado a 19,34 centavos de dólar por libra-peso, 20 pontinhos melhor do que sexta passada. Nada de extraordinário aconteceu em termos de notícias e o mercado teve o entusiasmo equivalente a assistir a uma partida de dominó pela televisão em preto-e-branco. Foi difícil de aguentar.

O mercado segue sofrendo com as notícias que apontam para um cenário baixista de médio e longo prazos alimentado por uma produção de cana maior no Brasil para a safra 2013/2014, maior produção chinesa este ano, apesar de diminuições na produção de Rússia, Índia e Tailândia. Não há mudança tampouco no superávit mundial que implique – nesse momento – em um cenário mais sombrio. No entanto, como sempre acontece, tem gente apostando em 16 centavos de dólar por libra-peso para o ano que vem, convicta que o mercado não suporte os níveis atuais caso haja uma piora no cenário macro mundial. Vai saber. Acho difícil o mercado de açúcar em NY negociar e se sustentar por muito tempo abaixo dos 18-19 centavos de dólar por libra-peso pelas razões aqui expostas por várias vezes. Acredito que para os consumidores industriais de açúcar, a temporada de oportunidade para fixação de preço de matéria prima é excelente.

Crescem as chances de o governo finalmente mexer no preço da gasolina no começo do ano. A situação está insustentável e esse descaso e inércia vão custar ainda mais caro se algo inteligente não sair das cachimônias desse pessoal de Brasília. O mercado acredita que o aumento virá no início do ano na proporção da queda do preço da energia de tal maneira que não haja impacto inflacionário combinando os dois eventos. Se o governo não fizer isso, essas férias de verão poderão ser marcadas pelo desabastecimento de combustível.

O dólar médio dos últimos 30 dias (R$ 2,0658) coloca o custo de produção de açúcar apurado pelo modelo desenvolvido pela Archer Consulting em 17,58 centavos de dólar por libra-peso FOB Santos, sem custo financeiro. Para as usinas mais eficientes, esse custo pode ficar abaixo dos 17 centavos de dólar por libra-peso.

Aproveitando o dólar mais forte em relação ao real, se alguma usina quiser fazer o hedge do açúcar em NY em reais com as instituições financeiras que estão oferecendo largamente o produto, é possível fechar para 2013/2014, na média, melhor do que R$ 43,00 por saca equivalente posto usina. Um retorno respeitável de pelo menos 20% sobre o custo de produção. Pena que o etanol leva boa parte desse retorno.

O contrato de etanol hidratado na BM&F Bovespa para vencimento fevereiro/2013 alcançou 1.220 reais por metro cúbico, com rentabilidade muito pequena sobre o custo de produção apurado pela Archer Consulting (que é de R$ 1,1376 por litro posto usina). A posição em aberto na BM&F Bovespa é de pouco mais de 6.500 contratos.

Já a posição de contratos em aberto de açúcar em NY tem subido gradativamente, alcançando 740.000 contratos, o maior volume desde 20 de junho. O volume diário de negociação continua baixo. No entanto, ainda está bem acima das mínimas observadas este ano. Por exemplo, nos últimos 20 pregões a média de negociação diária foi de 75.000 contratos, 18 % acima da mínima alcançada no início de novembro de 63.000 contratos diários.

Numa recente reunião privada entre executivos do setor, alguém teceu comentário sobre o fato de a Ambev ter superado a Petrobrás em valor de mercado. Ao que um dos participantes da animada roda de conversa disparou; “É que o preço da gasolina tá tão barato que o consumidor enche o tanque e ainda sobra dinheiro pra cerveja”. Faz sentido.

Algumas empresas do setor pensam em utilizar swap de variância, um derivativo de balcão que permite que a empresa se proteja de mudanças bruscas na volatilidade do ativo objeto. Numa ponta está aquele que vai pagar um valor baseado na volatilidade atual, na outra ponta está aquele que vai pagar um valor fixo de volatilidade. O mundo está se sofisticando.
Fonte:
Archer Consulting

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