Análise do mercado de açúcar

Publicado em 09/03/2010 10:14 e atualizado em 29/03/2010 08:11 1723 exibições

ENTRE DELÍRIOS E MIRAGENS

O mercado de açúcar fechou a semana em queda de 32 dólares por tonelada. A cotação de fechamento de sexta-feira (22,25 centavos de dólar por libra-peso) representa uma queda de mais de 25% nas cotações do produto desde a máxima de 29 anos alcançada em 1º de fevereiro. Os meses de vencimento referentes à safra do Centro-Sul de 2010/2011 (maio, julho e outubro de 2010 e março de 2011) tiveram uma queda média de 23,64 dólares por tonelada. Para a safra seguinte, a queda foi um pouco mais modesta, caindo 7,38 dólares por tonelada.

Em um mês, o vencimento para maio de 2010 caiu quase 70 dólares por tonelada. O maio de 2011, 13 dólares por tonelada. E o maio de 2012, subiu 1 dólar. Portanto, não há tanta pressa para pensar em hedgear duas safras na frente.

Como normalmente ocorre em mercados nervosos, os preços exageram na alta negociando empatamares irreais à luz do retorno para a usina, assim como exageram na baixa num sentimento de pânico que muitas vezes beira o delírio. É o tal negócio, no início do mês passado quando o mercado atingiu 30,40 centavos de dólar por libra-peso, tinha usineiro que colocava o relógio para despertar só para lembrar-se de gargalhar aos borbotões com o mercado em alta. Agora fica todo mundo encostado na parede. Segundo um trader do mercado, o pessoal que foi a Dubai voltou extremamente otimista, hipnotizados pelas miragens do deserto, mas agora parece ter caído do camelo.

Muita calma nessa hora.

A Índia ainda pode surpreender nos próximos 2-3 meses. O jogo não está fechado e aquele país cresce uma São Paulo metropolitana por ano. Gente ávida por consumir açúcar. Os preços podem aí, reagir novamente. Não será difícil ver o mercado em 25 centavos de dólar por libra-peso novamente.

Nesta semana passada, em um seminário privado em São Paulo, um tarimbado executivo disse acreditar que a exportação de 500.000 toneladas de açúcar pela Europa repercutiu de forma exponencial na visão que os fundos tinham sobre a trajetória de preços da commodity, reduzindo suas exposições e disparando liquidações de forma devastadora. É um ponto a ser considerado com muito respeito.

Existem motivos para olhar esse derretimento dos preços de soslaio.

Os números preliminares de possível moagem no centro-sul comparados à perspectiva de extraordinário aumento na venda de veículos leves esse ano (8% segundo os mais otimistas), somados ao crescimento do PIB e do consumo de açúcar no mercado interno, levam a uma necessidade de moagem de cana que dificilmente será atingida. Segundo estimativa da Archer Consulting, a necessidade de cana no Brasil para esta safra que se inicia em breve é entre 663 e 686 milhões de toneladas. A ÚNICA acredita em expansão de 10% no Centro-Sul, o que colocaria a safra em 583 milhões de toneladas mais 67 milhões do Nordeste, teríamos um total de 650 milhões de toneladas, no máximo. Em outras palavras, espera-se para 2010/2011 novamente um quadro bastante equilibrado de oferta e demanda e, portanto, suscetível a quaisquer eventuais descompassos tanto no mercado de açúcar quanto no mercado de etanol. Isso significa que quedas acentuadasde preço como essa que estamos presenciando, de quase 70 dólares por tonelada em apenas 4 semanas, devem ser vistas como oportunidades de compra.

Os consumidores industriais devem aproveitar essas quedas e começar a fixar suas compras. Observe o seguinte: a média de preços de 2009, considerando os fechamentos diários, foi de 18,00 centavos de dólar por libra-peso, dos quais 13,74 centavos de dólar por libra-peso no primeiro semestre e 22,09 centavos de dólar por libra-peso no segundo. Dado o custo de produção hoje ao redor de 17 centavos de dólar por libra-peso FOB Santos, considerado o custo financeiro, é arriscado acreditar que vamos ver NY abaixo desse nível.

Corrobora com essa tese o modelo de preços da Archer Consulting, que considera a correlação ajustada entre o açúcar no mercado interno, NY e o etanol, todas com uma correlação bem próxima a 0,9000, a estimativa de intervalo de preços para a 2010/2011 é de 18 a 25 centavos de dólar por libra-peso para NY; ESALQ mínima de R$ 46,00 e máxima de R$ 67,00 por saca e etanol médio de R$ 0,9000 por litro sem impostos. Dentro da mesma estimativa, as usinas devem ter na safra 2010/2011 um lucro operacional de US$ 12,07 por tonelada de cana moída.

A frase da semana foi ouvida numa reunião entre executivos do setor e têm as petroleiras como alvo: “os biocombustíveis têm a mesma importância para as petroleiras que a ala das baianas para a escola de samba. Não tem nada a ver com o enredo, mas se não tiver a ala, a escola perde ponto”.

No Fundo Fictício da Archer Consulting, zeramos o delta no início da semana, vendendo 459 lotes no maio/2010 a 23,60 que foi negociado na abertura de segunda-feira passada. Fechamos a semana com uma posição long (comprada) de 281 lotes no maio/2010. Vamos zerar essa exposição vendendo esses 281 lotes na abertura de segunda-feira.

Encerramos a semana com um prejuízo de US$ 123.558,86 e um lucro acumulado de US$ 4.530.906,74 com um retorno anualizado de 330,42%.

Boa semana para todos.

Fonte:
Archer Consulting

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