Açúcar: Demanda no mercado internacional continua firme e preços encerram a sexta-feira em alta em Nova York

Publicado em 14/06/2010 08:48 e atualizado em 14/06/2010 13:25 799 exibições
Comentário Semanal de 07 a 11 de junho de 2010
O mercado de açúcar em NY encerrou o pregão de sexta-feira acumulando ganhos de 28 dólares por tonelada na semana para o vencimento julho/2010. Os demais meses tiveram variações positivas entre 3 e 20 dólares por tonelada, com maior peso para os vencimentos mais curtos. A demanda por açúcar no mercado internacional continua firme. Alguns negócios foram feitos para entrega imediata com prêmios que ficaram ao redor de 30-35 pontos.

Irã, Iraque, Índia e Bangladesh foram vistos fazendo compras. Da Rússia, nem o som da balalaica. Lembram quando o spread (diferença entre dois meses de negociação) Julho/Outubro estava negociando a 65 de desconto? Pois é, fechou a semana em menos de 5, empurrado pela demanda. O estreitamento do spread indica melhora na percepção do mercado à vista. Vai permanecer? Depende, entre outras coisas, das condições climáticas, do cenário macro, etc. Os números de exportação divulgados pela China, por exemplo, mostram que o desaq uecimento da economia global talvez seja menor do que se fala e as commodities reagiram positivamente. Agora tudo ajuda.

 De maio para cá, toda vez que o mercado desabou aparecia interesse de compras e fixações por parte dos importadores. O outro lado da moeda é que todo rally (subida de preços após um período de baixa) é aproveitado pelos produtores que precificam seus açúcares com clara limitação na subida. Estou falando basicamente do julho.

 A temporada de preços baixos para o açúcar no mercado interno pode estar com os dias contados. ESALQ a R$ 40,00 por saca como temos visto pode ter sido uma excelente oportunidade de compra. A Archer Consulting estima que o indicador ESALQ no terceiro trimestre de 2010 pode chegar em R$ 50,14/saca. Como sempre costuma ocorrer, o consumidor industrial só acorda para as compras quando a Inês é morta.

 Diz a história que Inês de Castro era filha espúria de um primo de Dom Pedro I (não o nosso, que na verdade era o IV para Portugal), com quem teve um tórrido romance.  A corte portuguesa e o povo, porém, por uma questão de moralidade, já que Inês era uma das aias da mulher de Dom Pedro I, desaprovavam essa situação e o rei de Portugal, Dom Afonso IV, condenou Inês ao exílio.  Quando sua mulher faleceu, Dom Pedro I trouxe Inês de volta. Viveram juntos e tiveram 3 filhos. No entanto, o rei e o príncipe não se entendiam.

Aproveitando a ausência de Dom Pedro I numa temporada de caça, o rei enviou seus asseclas para assassinar Inês. Sua morte provocou a ira de Dom Pedro. Quando esse se tornou rei de Portugal, não apenas se vingou dos assassinos como também deu a Inês de Castro o título de Rainha, mas isso de nada adiantava naquele momento, pois Inês já estava morta.
 Começa a haver uma grande procura de vários segmentos (indústria química, distribuidoras, empresas de insumos) para entender melhor como funciona o novo contrato de etanol da BM&F Bovespa.

Considero-me, como disse um executivo ligado à bolsa, uma das viúvas da entrega física porque há muito defendia que contratos de commodities tivessem obrigatoriamente que ter a entrega do produto. Devido à minha formação de trader, prefiro ter a entrega como última opção caso não consiga vender meu produto no mercado físico. Ocorre que a experiência da BM&F Bovespa com o contrato de milho, que passou a ser liquidado financeiramente e viu crescer seu volume de negócios, trouxe nova visão sobre o assunto. E no frigir dos ovos, um contrato com liquidação financeira ainda é bem melhor do que não ter contrato nenhum. Esse contrato é melhor do que aquele lançado em 2000.

 Com pouco tempo de vida, dá para se fazer excelentes operações de arbitragem com NY, especialmente se levarmos em consideração as discrepâncias de volatilidade. Uma delas, por exemplo, é vender puts (opções de venda) em NY (no outubro ou no março) e comprar calls (opções de compra) na BM&F Bovespa (no dezembro). O alto prêmio obtido pela venda da opção em NY dá para comprar uma opção na BM&F Bovespa com preço de exercício bem próximo do mercado. Qualquer elevação do preço do etanol para dezembro (e nosso palpite é que deverá ficar acima dos R$ 1.000) vai fazer com que a arbitragem traga bons resultados. Preços altos para dezembro talvez sejam, segundo um expert em etanol, mais um desejo do que uma vontade.

 A semana teve dois seminários de excelente nível. Um promovido pela IETHA focando o novo contrato de etanol da BM&F Bovespa e o já celebrado (mais de 10 anos) seminário da trading suíça Glencore que se constitui, na esmagadora opinião, no melhor evento dessa natureza no Brasil. No primeiro, um executivo do setor comentou em sua palestra que uma das razões dos investimentos mal sucedidos em 2005/2006 foi que sobrou PowerPoint (eufemisticamente, gestão) e faltou Excel (objetivamente, gerenciamento). Arrancou gargalhadas da platéia. O pior que foi isso mesmo!

 No Fundo Fictício da Archer Consulting, fechamos a semana com uma posição equivalente em delta a 357 futuros comprados. O resultado da semana foi um ganho de US$ 798.196,00, com ganho acumulado até sexta-feira chegando a US$ 3.929.032,13 e retorno anualizado de 202,72%. Na segunda-feira vamos zerar o long se o outubro negociar a 16.00 centavos de dólar por libra-peso.
Fonte:
Archer Consulting

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