Açúcar: Pontos e Contrapontos

Publicado em 27/09/2010 08:51
695 exibições
O mercado de açúcar fechou mais uma semana em alta. O vencimento outubro/2010 cuja expiração ocorre na semana que vem, encerrou a sexta-feira com valorização acumulada de 77 pontos (17 dólares por tonelada), fechando a 25,38 centavos de dólar por libra-peso. No acumulado do mês, é uma variação positiva de 24%. O vencimento março/2011 fechou com valorização semanal de 118 pontos (26 dólares por tonelada) em 24,42 centavos de dólar por libra-peso. Os demais vencimentos oscilaram positivamente entre 5 e 22 dólares por tonelada.
Açúcar para entrega em NY, nos meses de vencimento da próxima safra, liquida na média R$ 36,05 por saca posto usina. Compare isso com o custo médio apurado pela Archer Consulting de R$ 27,15 por saca. O retorno médio do período, sem custo financeiro, é de 32,8%.

Muito difícil não sugerir fixação de venda nesse nível, mas uma fence pode ser mais interessante por dar mais tempo para a tomada de decisão. Não recomendaria fixação de venda para a 2012/2013. Consumidores industriais devem ficar atentos às oportunidades de compra ou de seguro, pois a viagem nos próximos 18-24 meses será sobre estrada esburacada.

Os fundamentos do mercado ainda pairam sobre as nossas cabeças. É crescente a preocupação sobre as condições climáticas no Centro Sul. Existe um consenso, embora muito cuidadoso, de que teremos uma redução na disponibilidade de cana para a safra 2011/2012. O modelo da Archer Consulting aponta uma necessidade de 55.000.000 de toneladas de cana a mais para a próxima safra brasileira para atender a demanda de etanol no mercado interno e de açúcar aqui e lá fora. Ninguém acredita que podemos crescer isso. Fala-se cada vez mais em redução da safra e em inicio mais tardio do que o habitual da moagem da 2011/2012. Menor disponibilidade de cana levará as usinas a iniciar a moagem mais tarde para obter maior rendimento da cana.

Essas 55 milhões de toneladas necessárias que não estarão disponíveis vão provocar a disputa entre açúcar e cana, pendendo evidentemente para o primeiro porque remunera melhor agora. Além de afetar no devido tempo o spread março/maio que deverá sofrer maior valorização quanto mais evidente ficar esse atraso na disponibilidade. O spread fechou a 186 pontos, ou seja, paga-se hoje 41 dólares por tonelada a mais para o março em relação ao maio. Será que o mercado já precificou isso? Lembre-se que o ano passado esse spread estava bem mais largo.

Existem os contrapontos e eles devem ser ouvidos. Muita gente acredita que como existe excesso de gasolina no mundo, a estatal do petróleo tem todas as condições de suprir a eventual falta do etanol de tal sorte que tudo estará às mil maravilhas com o suprimento de combustível. Desde que, como disse um alto executivo do setor, haja planejamento em tempo hábil. É aí que mora o perigo.

Outra corrente, na qual me incluo, acredita que fora do aumento de preços dos combustíveis (leia-se gasolina), ou da importação de etanol de milho não haverá salvação. Ponho mais fichas no primeiro, acho que a demanda vai ser controlada via preços.

Os portos continuam com uma fila de mais de 100 navios. Levam-se na média 17 dias entre a chegada do navio e sua saída do porto, segundo um trader. Outra fonte estima, em conversas de happy hour, que o total de demurrage desde julho acumulado esteja em US$ 200 milhões. Garçom, traz a conta!

Começam, ainda que timidamente, as conversações para renegociação de contratos de entrega de açúcar para a próxima safra. É o seguinte: menor cana para o próximo ano joga para baixo as expectativas de volume de produção otimistas de muitas usinas, que elevaram suas previsões e tomaram empréstimo baseado nelas. Não vão produzir o que esperavam e terão que renegociar volumes e prazos. Negocia melhor quem negociar antes apesar do nariz torcido dos bancos.

Mais e mais empresas do setor estão olhando com carinho o contrato de etanol na BM&F Bovespa. A posição em aberto cresce. Hoje, a melhor venda é o janeiro/2011 que liquida na usina o equivalente a R$ 0,9600 por litro contra um custo médio estimado pela Archer Consulting de R$ 0,8497 por litro (tem usinas com um custo muito mais baixo do que esse).

Agradeço as inúmeras manifestações dos leitores sobre as posições políticas aqui assumidas no relatório passado. Um deles lembrou a vergonhosa omissão da oposição que durante anos deixou o grande líder se apropriar indevidamente das realizações de FHC calada. Verdade.

No Fundo Fictício da Archer Consulting, não fizemos nada já que o nível de ajuste não foi alcançado. Ele permanece em 24,89 (compra) ou 21,48 (venda). Na semana, em função da deterioração do prêmio, ganhamos US$ 176.425,83, acumulando o patrimônio do fundo em US$ 5.326.721,77 colocando nosso retorno anualizado em 190,91%.
Fonte: Archer Consulting

Nenhum comentário