Açúcar- Precisa-se: Sessenta bilhões de dólares em seis anos

Publicado em 14/02/2011 09:18 437 exibições
Comentário Semanal – de 07 a 11 de fevereiro de 2011

O mercado de açúcar fechou em baixa pela segunda semana seguida. O vencimento março, cujas opções vencem na próxima sexta e pode trazer surpresas, caiu 30 dólares por tonelada, fechando a 31,30 centavos de dólar por libra-peso. Os demais vencimentos tiveram quedas entre 8 e 23 dólares por tonelada com maior pressão nos meses de inicio de safra (maio e julho de 2011 e 2012). Com esse fechamento, o açúcar é a única commodity agrícola que tem desempenho negativo em 2011, com queda de 1,2% (o algodão é a melhor com 31,2%).

Há duas semanas comentamos sobre os bons ventos que sopram no setor no médio e longo prazo. Recente estudo elaborado pela Archer Consulting apontava a estimativa de uma frota brasileira de veículos perto de 51 milhões de unidades no final de 2018. Desses, 68% serão flex. 59 bilhões de litros de etanol serão consumidos pela somatória dessa frota devoradora de energia mais a exportação residual e um consumo de álcoois outros fins. Além disso, imaginando que o consumo de açúcar no mercado interno crescerá vegetativamente (estimativa de pouco mais de 13 milhões de toneladas) e o mercado internacional continua sua dependência do açúcar brasileiro, leva-nos a uma necessidade de cana de extraordinários 1,046 bilhões de toneladas. Para alcançar essa proeza, o setor precisa de investimentos da ordem de 50 a 60 bilhões de dólares nos próximos 6 anos. Conseguirá?

O mercado físico continua largado. Açúcar para embarque junho FOB Santos é oferecido a 35-40 pontos de desconto sem comprador.

Finalmente a luz: o prestigioso jornal Financial Times trouxe matéria na última terça citando a dura carta que o Comitê Mundial do Açúcar, um grupo consultivo que reúne os grandes negociadores de açúcar, fundos de hedge, produtores e refinarias, enviou para a bolsa de NY criticando a presença dos “parasitas” fundos HFT (High Frequency Traders) “que servem somente para enriquecer a si mesmos à custa dos tradicionais usuários do mercado”.

Não há dúvidas que os fundos trazem liquidez ao mercado tirando dos ombros dos produtores, operadores, consumidores e refinarias, os riscos que esses não querem, não podem ou não devem tomar. No entanto, a falta de comprometimento desses negociadores faz com que a mentalidade de cassino seja instaurada na bolsa, alijando do dia-a-dia aqueles que usam o mercado como importante instrumento para a gestão de seus riscos. Ninguém está achando que a alta dos preços tem a ver com a presença desses especuladores. A alta é função do quadro fundamentalista. Mas, esses operadores quantitativos (algorithmic traders) trazem excessiva volatilidade ao mercado. Ou seja, não se discute a direção (calcada pelos fundamentos), mas a oscilação (que provoca volatilidade). Como não prescindir deles sem prejudicar a liquidez do mercado?

O Comitê pede que a bolsa reintroduza um sistema informatizado, já utilizado anteriormente, que consiste em combinar as ordens de compra e venda (cotação implícita), diminuindo assim os espasmos de preços. Quando a bolsa desligou esse sistema em março de 2009 o volume de negócios cresceu (a média diária de negócios passou de 82.464 lotes de setembro/2008 até fevereiro de 2009 para 121.980 de março/2009 até agosto/2009, portanto quase 48% a mais), e os tais operadores começaram a participar do mercado, especialmente nos spreads, arbitrando contra as pontas individuais do spread e ganhando na velocidade. A reintrodução do sistema, com as cotações implícitas, diminui as oportunidades de arbitragem. Os HFT terão – a partir de 1º de março quando o sistema será “religado” - que se adaptar a nova realidade. Segundo um executivo do mercado, “quem tiver modelo bom vai continuar ganhando dinheiro. Quem ganhava na velocidade apenas vai sair do mercado e isso poderá impactar no volume da bolsa a partir de primeiro de março”.

Alguns operadores teriam também sugerido à bolsa de NY que fosse estabelecido um limite diário de variação de preços como meio de estancar a volatilidade. Discordo de limites. Limitar a variação do mercado torna difícil a visibilidade de preços e ainda mais cruel a vida do gestor que não sabe a extensão do seu risco mascarado por um fechamento limitado artificialmente. A volatilidade recuou um pouco e pode ser que recue ainda mais. Ótima oportunidade para quem quer embolsar prêmios polpudos.

A Archer Consulting aderiu ao twitter. Você pode nos seguir no @ArcherBrazil.

No Fundo Fictício da Archer Consulting, tivemos que vender 200 lotes no vencimento maio a 29,10. Fechamos a semana, vendidos no delta em 47 lotes e, graças a deterioração do tempo ganhamos US$ 491,989.18 na semana, elevando nosso portfolio para US$ 2.971.361,18 com um rendimento líquido anualizado de 92,19% ao longo desses 771 dias. Nossos próximos níveis de ajuste são 27,90 e 30,20 no maio, vendendo e comprando 200 lotes, respectivamente.

Arnaldo Luiz Corrêa

Fonte:
Archer Consulting

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