Açúcar: Falta de política e de visão

Publicado em 28/03/2011 09:40 428 exibições
Comentário Semanal – de 21 a 25 de março de 2011
O mercado de açúcar fechou a semana com altas modestas de 5 dólares por tonelada em média para os meses de vencimento da safra 2011/2012. Para a safra seguinte a média foi de 10 dólares por tonelada. O vencimento maio/2011 fechou cotado a 27,86 centavos de dólar por libra-peso. No meio da semana o mercado foi atingido pelas noticias de que a Índia teria anunciado a exportação de 500.000 de açúcar, bem acima dos 200.000 com os quais o mercado trabalhava. Independentemente das notícias, considerando o quadro de oferta de cana para este ano vis-à-vis o potencial de consumo, preços de açúcar abaixo de 24-25 centavos de dólar por libra-peso constituem-se em excelente oportunidade de compra. Imagine só se tivermos excesso de chuvas no Centro-Sul. Combine isso com vendas de put (opção de venda) de alta volatilidade e estamos falando de gordos prêmios para diminuir o custo de aquisição (no caso de consumidores industriais) ou de recompra (no caso de usinas). Uma put (opção de venda) de outubro preço de exercício de 24,50 centavos de dólar por libra-peso negocia a 267 pontos, ou quase R$ 5,00 por saca de açúcar!!!

A ANP (Agência Nacional do Petróleo) autorizou a elevação da mistura de água no álcool anidro que é adicionado à gasolina de 0,4% para 1%. A mudança é provisória (só até o final de abril) e atende às necessidades de importação do etanol americano de 200 milhões de litros. Como para importar gasolina o governo pagaria no exterior um preço maior do que o produto é comercializado aqui, decidiu-se pela compra do etanol de milho por ser economicamente viável. A alta do etanol no mercado interno fez com que a paridade de 70% fosse ultrapassada, provocando a migração dos consumidores que começaram a optar pela gasolina. No frigir dos ovos, toda essa movimentação mostra uma vez mais a falta de uma política inteligente de combustíveis por parte do governo. Poderiam começar com estoques reguladores para atender a entressafra, por exemplo. Preferem a política do imediatismo. E jogam o ônus dos preços altos do etanol nos produtores.

Tem gente que diz que os produtores estão segurando o etanol para especular com o preço. Conversa fiada. Somente agora etanol e açúcar liquidam para o produtor rigorosamente o mesmo valor. Por meses o etanol negociava bem abaixo do açúcar e ninguém falava nada. Com um agravante: o açúcar é um mercado livre regido pela lei da oferta e procura; o etanol está limitado à sinuosa politica de combustíveis do governo.

Não tenho dúvidas que passaremos pela mesma situação (senão pior) na próxima safra. Com as vendas elevadas de veículos flex, a economia aquecida, vamos chegar à próxima entressafra com uma necessidade maior de consumo sem a contrapartida da produção e estoques. Os preços caem agora com a entrada da nova safra, mas deverão ter altas mais cedo do que tivemos na safra que se encerrou. Os números não mentem. O retorno estimado para o açúcar na safra que se inicia, tomando como base o fechamento de NY na sexta-feira e assumindo que não haja prêmio nem desconto no mercado internacional, é de R$ 43,98 por saca líquido na usina, ou seja, vai se dar prioridade ao açúcar na produção da 2011/2012, o que prejudica ainda mais a equação da oferta e demanda de etanol. Falta de política.

O CFTC, órgão responsável nos EUA pela fiscalização dos mercados de commodities, estuda a introdução de regras para limitar o número de contratos por comitente levando-se em consideração todos os meses com posição em aberto, exceto o mês presente. Dessa forma, baseando-se na sugestão do órgão, o máximo de posição por comitente seria de 25.600 lotes de futuros e opções pelo delta por mês de vencimento, algo como 1,3 milhão de toneladas de açúcar.

O mercado ainda esconde alguns perigos não tão visíveis: apenas neste mês a variação do contrato com vencimento maio foi de 558 pontos, ou 123 dólares por tonelada. Uma volatilidade altíssima. A volatilidade histórica anualizada dos últimos 20 dias chega a 62,6%, a de 45 dias 55,9% e a de 90 53,9%. Paga-se muito caro para comprar opções. A menos que a compra faça parte de uma estrutura que embuta a venda de opções, não vale a pena comprar opções no seco.

No Fundo Fictício da Archer Consulting, vendemos 200 lotes no maio a 27,40. Fechamos a semana com uma posição vendida no delta equivalente a 193 lotes, o que significa que vamos ajustá-la comprando 250 contratos caso o maio negocie a 28,20, ou vendendo 250 contratos caso o maio negocie a 26,50 centavos de dólar por libra-peso. Na semana, ganhamos US$ 982.905,89 graças a queda da volatilidade e a deterioração do tempo afetando o prêmio das opções. Nosso lucro acumulado em 813 dias é de 6.021.169,37 com um ganho líquido anualizado de 140,03%.

Fonte:
Archer Consulting

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