Açúcar: Entre a cruz e a caldeirinha

Publicado em 18/04/2011 08:23 419 exibições
Comentário Semanal – de 11 a 15 de abril de 2011.
O mercado de açúcar fechou a semana com baixa em todos os meses de vencimento. O vencimento maio fechou na sexta-feira, cotado a 24,59 centavos de dólar por libra-peso, com queda de 26 dólares por tonelada na semana. Os vencimentos seguintes que compõem a safra 2011/2012 caíram entre 24 e 41 dólares por tonelada na semana. A pressão maior foi no maio/2011 em função da percepção de que a demanda física por açúcar desapareceu.

Some-se a isso a disponibilidade de açúcar tailandês, o início da safra no Centro Sul, os relatórios de bancos que dizem que as commodities no mercado internacional estão muito caras (não podemos esquecer que muitos desses relatórios são do mesmo pessoal que dizia que o petróleo ia bater US$ 200 o barril), e até mesmo a noticia de que uma das maiores refinarias do Oriente Médio está temporariamente parada por falta de demanda. Ou seja, vamos do céu ao inferno com a velocidade da luz. Os argumentos altistas de algumas semanas atrás parecem não fazer efeito quando tudo cai. Nos dez últimos pregões, o mercado fechou em baixa em sete sessões. E agora estão todos baixistas. Normalmente em commodities fica-se altista na alta e baixista na baixa.

O que precisamos analisar com cuidado é o seguinte: a safra do Centro Sul talvez não se inicie com o mesmo vigor que se esperava. E vai haver uma propensão a se produzir mais etanol no inicio da safra para atender a demanda represada e para aproveitar os preços altamente remuneradores do etanol (veja abaixo). Qual será a consequência disso? Problemas climáticos podem fazer com que não se tenha muita folga no inicio da produção até meados de maio e se o mercado consumidor internacional acordar, como ocorreu o ano passado, e todos fizerem suas compras ao mesmo tempo, lembrem-se do que ocorreu?

Maio e junho normalmente são meses que estabelecem os menores preços da safra, assim como fevereiro tem sido geralmente o mês em que as maiores altas ocorrem. Portanto, é possível que vejamos os preços escorregarem um pouco mais ainda antes de se recuperarem. Acredito que visitas eventuais do preço próximo de 20-21 centavos de dólar por libra-peso são excelentes oportunidades de compra, de fixação para os consumidores industriais e de recompra para quem já está carregado nos hedges de venda. Pense na alternativa de fazer essa compra via venda de puts pelo delta, embolsando polpudos prêmios e diminuindo o custo final da matéria prima. Outra coisa é que o mercado está bem fixado em NY em termos de volume e não há pressa nem desespero para fixar o saldo a qualquer preço. Isso pode fazer a diferença. E certamente fará.

O etanol anidro foi negociado na semana passada por inacreditáveis R$ 2.700 o metro cúbico. É de longe o maior preço que se tem registro nos últimos tempos. A liquidação do anidro equivalente em açúcar é algo em torno de 48 centavos de dólar por libra-peso FOB Santos. Segundo um trader de etanol, o Centro Sul já providenciou a importação de 150 milhões de litros que devem chegar agora em abril, o Nordeste mais 120 milhões de litros chegando neste mês e no próximo. “O mercado está seco”, segundo um experiente trader. Único estado em que o etanol é competitivo hoje é no Mato Grosso, responsável por 2,5% do consumo nacional.

De acordo com estimativas do mercado, o estoque de etanol nas usinas neste final de semana, deverá se situar em 600.000 litros apenas, ou seja, basicamente temos apenas etanol para mais uma quinzena até a entrada da produção. Não se admira porque os preços explodiram.
Na mesma toada de consumo que tivemos esse ano, considerando que a produção de cana este ano será menor do que o potencial de demanda, o problema que estamos enfrentando agora deverá se repetir com maior magnitude em janeiro/fevereiro de 2012. Vamos conferir.

Há muitos anos, um dos decanos empresários do mercado, de tradicional família do setor, foi perguntado por um jornalista quais dos negócios que geria era o mais lucrativo. Ao que o respeitado empresário disparou: “O que dá mais dinheiro é uma usina de açúcar bem administrada”. “E qual dá mais prejuízo?”, inquiriu o jornalista. “Uma usina de açúcar mal administrada”. Nas próximas 3-4 semanas, segundo um bem informado executivo, poderemos assistir mais aquisições dentro do setor.

Na semana passada, nosso comentário que abordava as ameaças do governo ao setor, bateu recorde de repercussão por parte dos leitores aqui e lá fora. Um deles, da Europa, demonstrou receio que “do jeito que estamos indo o governo venha a ressuscitar das cinzas o IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool) movido pela força de uma penada”.

Conforme dissemos aqui, liquidamos nossa posição no Fundo Fictício da Archer Consulting na segunda-feira passada. Recompramos o Straddle por 144 pontos, e liquidamos o futuro a 26,02 (média entre a máxima e a mínima). Assim, acumulamos US$ 7.677.100,80 em 830 dias com ganho de 158,79%. Vamos esperar antes de fazer outra posição.

Fonte:
Archer Consulting

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