MERCADO DO AÇÚCAR: Sem lenço, sem documento

Publicado em 24/10/2011 07:43 386 exibições
O mercado começou a semana em território positivo, mas depois cedeu às noticias de que a situação na Grécia vai demorar mais tempo para encontrar uma solução, jogando um balde de água fria no mercado e fazendo os especuladores liquidarem suas posições tomando lucro. Também houve reação à notícia de que a China vai crescer “apenas” 9.1% e que a Malásia demore um pouco mais para realizar suas compras de açúcar; que a Rússia não vai mais importar açúcar este ano e finalmente, o número revisado pela Canaplan disponibilizando mais açúcar Centro-Sul . Contrapondo-se a elas, às chuvas excessivas em países produtores asiáticos. Por fim, acabou fechando a semana com queda de 32 dólares por tonelada, com o março/2012 cotado a 26,48 centavos de dólar por libra-peso. Todos os demais meses fecharam com queda entre 51 e 120 pontos (11 a 26 dólares por tonelada) com os meses de vencimento mais curto sendo os mais pressionados.

A crise europeia afeta a negociação das commodities junto aos bancos franceses, principais financiadores das tradings, segundo executivos do setor, da ordem de estratosféricos US$ 114 bilhões. Os traders temem que os bancos franceses batam em retirada do mercado de commodities. Com crédito escasso, o custo do dinheiro vai aumentar, o trading proprietário (tomada de risco direcional por parte das tradings) diminui, a liquidez das bolsas de mercadorias cai, a volatilidade das opções derrete, o especulador foge, e o produtor paga parte dessa conta. Corremos o risco de ver apenas as grandes tradings sobrevivendo num cenário como esse, dizimando as tradings médias e pequenas. Tomara que não.

Ou seja, o mundo não mudou apenas em 11 de setembro de 2001, mas, principalmente, em 18 de setembro de 2008 quando o Lehman Brothers quebrou. As manifestações que ocorrem em Wall Street (Occupy Wall Street) e se espalham por todo o país podem fazer com que a classe politica (americana, europeia) aja por impulso criando restrições ao mercado que podem ter efeitos colaterais desastrosos, respingando nas commodities. O debate junto ao CFTC (órgão oficial que regula as negociações nas bolsas de commodities americanas) continua, mas duvida-se que os burocratas tenham avaliado de maneira adequada o tiro na culatra que restrições à excessiva especulação podem trazer. Primeiramente, como definir “excessiva especulação?”, ou como definir quando ela se torna excessiva, pergunta um dos membros do comitê que estuda a regulamentação, segundo o jornal Financial Times.

Tomando o exemplo apenas do açúcar, que deve terminar o ano negociando 28 milhões de contratos na bolsa de NY, o volume nas mãos dos especuladores será adequado? Se amanhã tivermos uma safra recorde de açúcar no mundo, o volume de negócios muda (em função dos hedges) e então qual seria o novo patamar “adequado”? Muito complicada essa discussão, difícil de resolver, o que colabora para que os traders mais experientes desacreditem em qualquer mudança. Se o pior ocorrer, no entanto, abre-se uma brecha para que as bolsas de mercadorias de outros países passem a ser o porto seguro dos traders mundiais. Essa regulamentação deve ser votada no primeiro trimestre de 2012.

Para quem não viu: a comissão europeia decidiu extinguir as cotas e liberar o mercado de açúcar após setembro de 2015. Quando comecei a trabalhar no mercado de açúcar em 1995, a conversa era que a liberação ocorreria até 2000. Segundo um atento leitor do relatório, baseado na Europa, “essa medida é muito positiva e trará um ambiente livre, em que poderemos buscar fornecimento fora daqui, precificando no mercado e se livrando desse preço fixo empurrado pelo sistema”.

Um dado interessante: de 1996 a 2000, em apenas 6,6% das vezes o mercado de açúcar em NY fechou acima de 12 centavos de dólar por libra-peso. No período entre 2001 e 2005 esse percentual caiu para 2,4%. Depois de 2005 (com influência das mudanças estruturais ocorridas no setor e o advento dos carros flex ), o mercado negociou acima de 12 centavos de dólar por libra-peso em 68% das ocasiões. Não há dúvida que depois de 2005 todos tivemos que reaprender e se adaptar a um novo mercado. Tem gente que ainda usa dados históricos observando as correlações de açúcar e etanol antes desse período. Não serve mais.

Há um mês dissemos aqui que ambiente macro hostil recomendava oportunidade de compra. De lá para cá o mercado subiu de 35 a 52 dólares por tonelada.

A volatilidade do mercado continua em baixa. A média de 20 dias baixou para 39,40%. A de 50 dias 41,21% e a de 100 e 200, 41,89% e 44,72%, respectivamente. Para quem tem vendido opção nos últimos meses a sensação é de “roubar” pirulito da boca de neném.

Lula deve estar de luto pela morte do ditador sanguinário Kaddafi, a quem chamou num encontro de países africanos, quando ainda era presidente, de “meu amigo, meu irmão e líder”. Para quem baba ovo para gente desclassificada como Mahmoud Ahmadinejad, Castro e Chavez, sem surpresas. Imagine o que aconteceria se algum político que não fosse da turma do PT fizesse uma declaração como essas.

Dilma defenestrou mais um ministro, dessa vez o do Esporte. O tal ministro é do PC do B, Partido Comunista do Brasil. O muro de Berlim caiu em 1989, mas ainda temos esses dinossauros por aqui. Para as Olimpíadas de 2016, o ouro olímpico na categoria corrupção, canalhice e deboche é do Brasil e ninguém tira.

Fonte:
Archer Consulting

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