Mercado de café: Arbitragem alarga em caça aos vendidos

Publicado em 07/04/2013 17:12 e atualizado em 06/06/2013 16:19 951 exibições
Por Rodrigo Corrêa da Costa, que escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting
O cenário macroeconômico se surpreendeu com a decisão do Banco Central Japonês (BoJ em inglês) em dobrar a base monetária do país nos próximos dois anos para estimular crescimento e um pouco de inflação. O objetivo do BoJ é que o índice inflacionário atinja 2%, e para tanto a injeção de recursos será de até US$ 1.4 trilhões.
 
O Banco Central Europeu manteve os juros inalterados, dentro do previsto, mas sinalizou que pode reduzir a taxa dos 0.75% se necessário (já tinha dito isto antes, não?!).
 
Nos Estados Unidos a criação de postos de trabalhos em março foi a menor em nove meses, decepcionando os mercados que tomaram lucros das altas fortes que as ações fazem no ano.
 
Os principais índices de commodities caíram entre 2.5% e 4%, com queda acentuada do complexo de energia (gasolina, óleo de aquecimento, e petróleo), seguido pelos metais. O café em Nova Iorque, diferente do que imaginava, conseguiu romper e se manter acima de US$ 140 centavos, mesmo com Londres perdendo US$ 2.40 por saca em cinco dias.
 
Fundos cobrindo parte de suas posições vendidas (“short”) e um Real um pouco mais forte ajudou a recuperação modesta dos preços. Alguns analistas dizem ter um “player” tentando provocar uma recompra maior dos fundos, que têm uma posição bruta de 19.4 milhões de sacas de 60 quilos “short”.
 
No mercado físico, lotes maiores foram negociados no Brasil, com a reposição um pouco mais larga, e nos outros produtores de arábica o interesse de compra está um pouco mais longe dos níveis de oferta. Um grande “dealer” internacional mencionou em seu relatório que as perdas na América Central em função de fungo e ferrugem não devem ser tão ruins quanto alguns falam. Isto não significa que não haverá perda, mas sim que talvez seja da ordem de 3 milhões de sacas e não de 5 milhões que os mais pessimistas acreditam.
 
O começo da primavera no hemisfério norte traz consigo uma procura menor dos torradores, que buscam cobertura para a segunda metade do ano e primeira metade de 2014. 
 
A proximidade da safra da Indonésia, do conillon no Brasil, e o prognóstico de chuvas no Vietnã devem tirar suporte do contrato da LIFFE, e trazer mais ofertas na principal origem do produto.
 
Segundo a CECAFE o Brasil exportou 22,95 milhões de sacas entre Julho de 2012 e Março de 2013. O número é menor do que as 23.77 milhões de sacas exportadas no ano-safra anterior, cuja safra foi menor do que a atual. Por falar em tamanho de safra, já tem quem fale da produção brasileira de 2014/2015... 
 
Como resultado da movimentação distinta do “C” e do robusta em Londres a arbitragem alargou para US$ 49 centavos de libra, duas semanas depois de ter negociado a US$ 35 centavos por libra, ou seja não conseguiu se manter por muito tempo abaixo dos US$ 40 centavos como acreditávamos.
 
Os volumes negociados em Nova Iorque vão aumentar nas próximas duas semanas em função da proximidade do primeiro dia de notificação do contrato de Maio. O spread deve alargar um pouco com a rolagem dos fundos de índice e o pouco interesse pelos certificados.
 
Uma ótima semana e muito bons negócios a todos.
Fonte:
Archer Consulting

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