Mercado de Café: Temperaturas de um dígito e reversão de arbitragem

Publicado em 13/05/2013 12:00 559 exibições
Comentário Semanal - de 6 a 10 de maio de 2013. Por Rodrigo Corrêa da Costa, que escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.
Os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos baixaram nesta semana para o menor patamar em cinco anos – dado-estatístico que os investidores têm usado como termômetro para adivinhar quando o FED diminuirá sua atuação no mercado de títulos.

Notícias de que o Banco Central Europeu estuda comprar ativos securitizados, assim como baixas de juros em outras economias, como Coréia e Austrália, e um aumento de investimentos de investidores japoneses em títulos internacionais ajudaram o dólar americano a ter seu melhor fechamento desde março último.

Os principais índices acionários voltam a subir, e entre as commodities os grãos e o café em Nova Iorque foram os ganhadores da semana.

O arábica tomou novo fôlego com as temperaturas de 2º Celsius em Poços de Caldas e cidades da Mogiana, que não queimaram café mas deram sequência a cobertura de fundos que vimos na semana anterior. A arbitragem entre ICE e LIFFE também foi outro combustível já que vários participantes reverteram suas posições ganhadoras com o movimento acima dos US$ 50 centavos de desconto (que vale lembra em meados de março quase tocou US$ 35 centavos).

A forte alta do “C” fez aparecer mais cafés nas praças de negociações no Brasil, e em outras origens Africanas. Os diferenciais finalmente alargaram um pouco dando oportunidade para torradores e trade-houses colocarem mais compras nos seus livros, tanto para o curto quanto para o segundo semestre do ano.

A divulgação do preço mínimo no Brasil em R$ 307.00 a saca confirmou a expectativa antecipada por alguns, e o governo se defende dizendo que o patamar é igual ao custo de produção da CONAB para a safra atual. Os produtores esbravejam usando como argumento que a própria CONAB está prevendo o custo de R$ 333.86 para a safra 13/14. O próximo passo esperado seria um plano de opções ou o PEPRO, para que se transfiram estoques para a União.

As exportações brasileiras em abril totalizaram 2,7 milhões de sacas acumulando para o período de julho de 2012 a abril de 2013 um volume de 25,70 milhões de sacas. O número é similar aos 25.78 milhões do mesmo período anterior, e Maio e Junho devem ser meses também de altos embarques, porém provavelmente não suficientes para bater os 32 milhões de sacas exportadas neste ciclo, que muitos esperavam anteriormente.

Chuvas regulares no Vietnã fazem com que a comunidade volte a trabalhar com prognóstico de uma safra superior a 25 milhões de sacas. Uganda confirmou mais um mês de exportações acima da média, e a produção no país deve passar os 3 milhões de sacas.

Outro produtor importantíssimo, a Colômbia, deu notícias alegres para os consumidores com a produção no mês de abril passando de 1 milhão de sacas pela primeira vez desde a safra 2007/2008. Mesmo assim a safra atual (principal e safrinha) mais uma vez deve ficar abaixo do alvo de 10 milhões que órgãos oficiais tentam atingir.

O fechamento da semana do terminal não é desanimador para os altistas do arábica, mas servem de cautela depois de tantas vezes o mercado falhar em ficar acima de 145 centavos. Já para Londres continuo achando que quem tem café deve aproveitar para fixar (vender), a não ser, é claro, que novas ondas frias voltem a assustar os fundos que já diminuíram bem suas posições vendidas em Nova Iorque.

Uma ótima semana e muito bons negócios a todos.
Fonte:
Archer Consulting

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