Mercado do café: Enfim um respiro e uma oportunidade

Publicado em 17/12/2013 16:59 913 exibições
Por Rodrigo Costa, que escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer

As principais bolsas de ações no mundo fecharam em baixa na semana encerrada na sexta-feira (13), com o S&P500 acumulando o pior resultado semanal desde agosto último.

Os investidores se preparam para o final do ano, tomando lucro em suas carteiras, e deixando de lado por ora indicadores que mais uma vez reforçam a recuperação dos Estados Unidos.

A ansiedade gira em torno de alguma redução de liquidez pelo FED, que não deve anunciar uma diminuição de compra de títulos na reunião do dia 18, quarta-feira próxima, mas que mesmo assim faz com que as agências de notícias citem o assunto frequentemente.

Os índices das commodities tiveram performances mistas, com aqueles que dão maior peso para grãos e energia (SPGSCI) cedendo, enquanto os que têm mais equilíbrio entre os ativos (DJAIG e CRB) subiram.

O café em Nova Iorque foi a matéria-prima que mais subiu, acumulando em cinco dias ganhos de US$ 11.71 por saca, em resposta à firmeza da arbitragem contra Londres (ponto que defendi neste espaço no meu último comentário). O maior patamar desde o dia 23 de outubro foi atingido com o rompimento dos níveis de 112.80 centavos, e uma figura técnica positiva que chamou fundos para cobrir parte de suas posições vendidas.

As diversas tentativas frustradas em perfurar médias importantes, fez com que os especuladores de curto-prazo ficassem mais corajosos em tentar agarrar uma nova falha da alta (vendendo acima de 110 centavos), e também contribuiu para o fechamento forte, indicando como próximo objetivo os 120 centavos por libra.

Os diferenciais já tinham dado a dica de que as mínimas do ano já tinham sido vistas, e um ambiente onde todos estavam baixistas completou o cenário para uma mudança rápida dos preços. Creio que temos espaço para subir mais um pouco, já que historicamente os produtores tendem a segurar suas vendas em movimentos acentuados.

O vencimento das opções de janeiro, tanto na ICE como na LIFFE, com um número alto de calls (opções de compra) expondo que estava vendido, assustou e puxou as volatilidades implícitas, finalmente fazendo com que alguns participantes comprassem algumas proteções de alta.

No mercado físico as origens não venderam tanto quanto muitos acreditavam (por enquanto). O comportamento foi ajudado pelas notícias de que o Brasil fará outro leilão de puts (opções de venda) em um volume de 5 milhões de sacas para a safra 14/15, e pela confirmação de que o subsídio colombiano está garantido para o ano de 2014, inclusive tudo indica que a níveis mais altos.

Ponto interessante também foi o pedido de autoridades dos dois países que mais produzem o café arábica, para que os fazendeiros não plantem mais café. No Brasil foi noticiado que haverá estímulos financeiros para que o parque cafeeiro diminua, em busca de diversificar culturas, e assim resolver o problema dos preços baixos.

O contrato do robusta teve um enfraquecimento do spread Janeiro / Março, mas em compensação o Março / Maio está bem firme, reflexo do desaparecimento dos estoques certificados (que caíram 30% em quinze dias), e de uma aposta de um novo squeeze. A bolsa tem limitado as posições e colocou um teto para o spread no primeiro mês, mas não há indícios de que faça o mesmo para o segundo mês em diante.

As altas recentes ajudam a desafogar um pouco os produtores, ainda que o rallye não tire o gosto ruim das perdas do terminal.

Quer dizer, ajuda se a oportunidade for aproveitada, e isto vale tanto para Nova Iorque quanto para Londres. Afinal, é difícil apostar que estes mercados consigam se sustentar por muito tempo acima de US$ 120 centavos por libra, e 1800 dólares por tonelada, dado o volume de café que ainda precisa ser vendido.

Na semana que vem escreverei o último comentário do ano para aqueles que não terão férias, assim como eu.

Uma boa semana e muito bons negócios a todos.

Fonte:
Archer Consulting

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