Café: Flores e a revelação da idade dos certificados

Publicado em 04/10/2010 09:30
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O terceiro trimestre de 2010 surpreendeu os altistas, que viram os principais índices de ações e commodities fazendo suas mínimas do ano no começo de julho, para finalmente encerrar o período com o S&P subido 10.77%, e o CRB 10.96%. Em contrapartida o dólar americano desmoronou, perdendo 11.40% contra o Euro, ou 8.49% contra uma cesta de moedas chamada de índice do dólar (dollar index).

O real brasileiro não ficou para trás e também bateu na moeda ianque, negociando no nível mais forte desde 3 de setembro de 2008.

A semana foi turbulenta para os mercados, principalmente para as commodities, que oscilaram bastante.
O café não foi diferente. Na segunda-feira o contrato de dezembro em Nova Iorque bem que tentou cair abaixo das mínimas da semana anterior, porém encontrou suporte por parte da indústria, e na terça-feira em meio a notícias de greve no porto de Nova Iorque, e deslizamento de terras no México, o mercado subiu fortemente negociando a US$ 190 centavos/libra, onde origens apareceram para vender.
Dois dias mais tarde, o final do trimestre trouxe uma onda de tomada de lucros por parte dos fundos, que ao resolverem colocar um pouco de ganhos no bolso, provocaram uma queda que levou o C de volta para US$ 180.00 centavos no açúcar a queda foi de 5% em apenas uma sessão.
Uma verdadeira montanha-russa!

O largo intervalo de negociação do café serviu para mostrar onde estão estacionados os interesses de compra e de venda das casas comerciais. A alta da semana fez com que o fluxo de negócios no físico no Brasil aumentasse, fazendo os diferenciais enfraquecerem tanto na reposição quanto no FOB. Na baixa os torradores saíram de dentro da toca para comprar, o que aparentemente parece ser mais fácil, o mercado futuro, dado que ainda não há disponibilidade de café de outras origens além dos naturais-brasileiros.

As chuvas que caem no cinturão de café no Brasil, segundo fontes, não poderiam ser melhores é a chamada chuva cativeira, constante e em volume perfeito. Em algumas regiões as árvores já começaram a abrir suas flores, e fotos com as bonitas imagens andaram circulando pelos e-mails de várias pessoas na Europa e nos Estados Unidos. Psicologicamente o efeito sem dúvida acaba não sendo positivo para os preços, mas ao mesmo tempo é sem dúvida um grande alívio para todos, produtores e indústria.

Nos países da América Central e Colômbia começam a chegar as primeiras amostras de café de safra-nova, ainda em volume pequeno. Ao mesmo tempo autoridades de alguns destes países apontam para problemas de fungos e perdas em função das chuvas excessivas, porém o mercado internacional por enquanto tem dado mais crédito para as notícias que mencionam problemas de infra-estrutura em estradas e portos causados pelas enxurradas, e ainda não se mostra preocupado com perdas na produção.

O destaque da semana fica por conta da divulgação pela ICE da idade dos cafés certificados, algo que apenas poucas casas tinham conhecimento. Muito embora pode haver uma discrepância quanto a idade real dos cafés, dado que há algum tempo tem tido re-certificações que rejuvenescem o inventário, o retrato é significativo, mostrando que a idade média das 1,959,146 sacas no dia 1 de dezembro próximo, será de 851.78 dias, com um desconto médio de US$ 13.91 centavos por libra. Vale lembrar que tem café que tem descontos maiores do que US$ 30 e 40 centavos contra NY, equivalentes a negociação do sweedish brasileiro recentemente. Em outras palavras, entre um brasileiro novo e um certificado velho, o primeiro é mais interessante, o que pode provocar uma diminuição do ritmo da utilização dos estoques da bolsa, caso os diferenciais brasileiros não firmem.

A notícia de que o governo brasileiro leiloará o saldo das 480 mil sacas de café das safras de 1987 a 1999 para a indústria local, em plena safra recorde, não causou impacto no mercado, e demonstra que até a CONAB está querendo aproveitar a boa oportunidade dos preços. Lá se vão os últimos cafés comprados pelo extinto IBC...

Para a semana que se inicia creio que veremos novas baixas, que apenas uma desvalorização ainda maior do dólar pode tentar evitar.
Fonte: Archer Consulting

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