Café: Preço atual já tem tudo o que é bullish descontado?

Publicado em 09/03/2011 12:25 1027 exibições
Comentário Semanal - de 28 de fevereiro a 4 de março de 2011

A diminuição da taxa de desemprego nos Estados Unidos no mês de fevereiro foi ofuscada pela subida do preço do petróleo, em função dos conflitos na Líbia – que é o 8ª maior evento em termos de perda global da oferta global do produto, passando inclusive a queda de produção na guerra do Iraque em 2003.

No começo da semana os mercados acionários subiram com as notícias de que Warren Buffet está atrás de grandes aquisições, dado que o caixa de seu fundo tem US$ 38.2 bilhões de dólares para serem alocados. As commodities também tiveram uma performance positiva, sendo que apenas três componentes do índice CRB caíram nos últimos 5 dias, o açúcar, o gás natural, e o suco de laranja.

Para as moedas a novidade ficou por conta da declaração do presidente do Banco Central Europeu que sinalizou um provável incremento da taxa de juros no mês de abril, e como consequência provocou uma alta do Euro para o maior nível desde 8 de novembro de 2011. O Real-brasileiro também teve uma forte reversão na sexta-feira com rumores de que novas medidas para conter a apreciação da moeda serão divulgadas após o carnaval (que segundo os maldosos é quando de fato começa o ano no Brasil).

O mercado de café em Nova Iorque negociou entre o intervalo de US$ 265.55 e US$ 279.20 centavos por libra-peso durante a semana, fazendo a máxima na sexta-feira para fechar no mesmo dia em 272.80cts – haja coração! As mínimas serviram para descobrir compras da indústria e as máximas vendas de origens, e o mercado físico nos países produtores só viram atividade com o mercado em alta.

No FOB parece que os cafés com diferenciais mais atrativos para se comprar estão na África, mas em geral a demanda não se mostrou muito ávida, mesmo que alguns compradores em alguns casos busquem embarque para os meses de março e abril.

O preço de café no Brasil bateu um novo recorde para as bicas finas, com negócios reportados a R$ 545.00 a saca, o que representa um custo de reposição próximo ao nível que o contrato “C” está negociando.

Olhando para as entregas nas duas principais bolsas de café no mundo, notamos que em Londres quem estava carregando uma boa parte dos certificados resolveu se desfazer deles, mesmo depois do spread de março/maio ter negociado a 54 dólares de desconto – o que assume-se é mais do que suficiente para pagar o custo do carrego. Até agora 1.7 milhões de sacas desceram para serem entregues, quase 40% do total dos estoques. Já em Nova Iorque a estória é diferente, até quinta-feira apenas 3 lotes tinham sido notificados para entrega, e sexta-feira finalmente desceram outros 124 lotes. Ou seja foram apenas 36 mil sacas que os detentores dos estoques resolveram abrir mão, de um total de 1.584 milhões de sacas. Vale lembrar que a qualidade dos estoques não é lá das melhores pois a idade média é de 914 dias, 2 anos e meio, e a penalidade (desconto) médio é de US$ 15.75 centavos por libra. Como a escassez é de arábica no mundo – o que se prova pela diferença de preço entre este e o robusta (arbitragem) – mesmo os cafés de baixa qualidade entres os certificados acabam sendo uma aposta de uma valorização do basis dos mesmos (diferenciais).

Pelas performances que estamos vendo no terminal tudo indica que a negociação se manterá entre 260 e 280 centavos por algum tempo, com riscos de testarmos os pontos de suporte caso o real se desvalorize fortemente, ou caso haja uma retração dos preços das commodities tão logo a crise no Norte de África se acalme. A preocupação dos governos com a questão da inflação, e uma mudança no rumo da política de juros nos países desenvolvidos podem tirar um pouco de dinheiro da mesa também.

De notícias altistas creio que já estamos bem abastecidos, e parece que só questões climáticas poderiam trazer mais força para a subida do café. Fica então a questão, que colocamos também no comentário da semana anterior: será que o preço atual da bolsa já não tem embutindo toda a questão de estoques baixos no mundo e da menor safra brasileira de 11/12?

Uma ótima semana e muito bons negócios para todos,
Rodrigo Costa*
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

 

Fonte:
Archer Consulting

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