Trigo: Qualidade novamente em cheque

Publicado em 23/09/2010 16:40
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A safra nacional é posta novamente à prova após um grande otimismo e expectativa gerada por um excelente cenário climático e com a adoção de cultivares de trigo pão e melhorador, exatamente os tipos de grão mais consumidos pelos moinhos. No entanto, vários fatores interferem diretamente para que no momento da classificação se tenha um equilíbrio perfeito entre todos os parâmetros de qualidade primordiais para a produção de farinhas para massas, panificação, especiais e pré-misturas. Uma conversa esclarecedora com o novo chefe-geral da Embrapa Trigo, Dr. Sérgio Roberto Dotto mostra exatamente a dimensão e os desafios já superados e que ainda terão de ser enfrentados para o fortalecimento da triticultura nacional. O Engenheiro Agrônomo que dedicou-se 34 anos à pesquisa da cultura afirma que a preocupação com a qualidade é bastante recente e remonta à década de 90 em diante, quando a concentração da compra da safra nacional deixou de ficar a cargo do governo federal. Anteriormente a este período o direcionamento das pesquisas era para a obtenção de maiores produtividades e resistência às doenças. A partir desta mudança de foco do melhoramento, deu-se o ponta pé inicial, porém como a criação de uma nova variedade demora de 10 a 12 anos tem-se aí uma defasagem grande de tempo, que aliada à primavera chuvosa e fria do extremo Sul do país torna mais difícil ainda a produção. A interação e o intercâmbio de informações entre o que a indústria precisa que as empresas detentoras de cultivares produzam é ainda mais recente e sem dúvida é atualmente o ponto primordial para a falta de profissionalização do agronegócio do trigo. Pode parecer incoerente destacar este fator dentre tantos, mas é plenamente justificável. De acordo com o Dr. Dotto, a produtividade é inversamente proporcional à qualidade do grão, isso porque para se obter uma força elevada é preciso que o grão possua alto teor de proteínas solúveis em água o que por sua vez diminui o seu teor de amido diminuindo o rendimento por área plantada. Aí está uma grande dificuldade que exige um empenho extra de toda a cadeia produtiva, que é mudar o direcionamento da produção para se produzir menos, mas com elevada qualidade. Esta tarefa não é nada fácil, pois dizer a um produtor que ele deve optar por uma variedade com menor potencial de produção e que ainda precisa de um cuidado especial com a adubação nitrogenada é algo que racionalmente só se faz com garantia de venda a preços de mercado superiores e se sujeitar ao risco da grande variabilidade climática enfrentada no Sul do país.
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Fonte: AF News

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