Colheita do trigo no Rio Grande do Sul está em 3% da área e preços seguem em queda no mercado de lotes

Publicado em 18/10/2010 17:02
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Até o final da semana passada, a Emater do Rio Grande do Sul reportava a colheita de 3% da área plantada com trigo no estado, enquanto 20% das áreas apresentam grãos maduros e prontos para serem colhidos. A maior parte das lavouras, no entanto, ainda atravessa a fase de enchimento de grãos, mais exatamente 60% da área, mas o clima tem favorecido o rápido desenvolvimento das plantas e este percentual deve cair rapidamente nas próximas semanas. Quanto às estimativas iniciais, acredita-se que a previsão prévia de colheita de 1,6 milhões de toneladas pode ser superada devido ao incremento na produtividade, ainda que a colheita ainda seja incipiente. De acordo com técnicos da entidade, a colheita segue acelerada nas regiões de Missões e Santa Rosa e os números confirmam o excelente potencial produtivo e também de qualidade, sendo que 70% da safra gaúcha este ano deve atender às especificações de trigo Tipo Pão. Nesse campo da qualidade, contudo, a cautela é maior, já que o manejo adotado será um fator crucial para garantir índices elevados dos principais atributos assim como foi no Paraná.
 
Outro fato que mereceu destaque há alguns dias atrás foi o aparecimento de bacterioses em algumas lavouras justamente da região de Missões, à Noroeste do estado e do Planalto Médio, onde situa-se importantes pólos produtores como Passo Fundo, Ijuí e Júlio de Castilhos. A ocorrência de período prolongados de chuva e temperaturas amenas (em torno de 15ºC) e estáveis ofereceram condições ideais para a entrada e proliferação da bactéria Pseudomonas syringae pv. Syringae nas lavouras de trigo causando queima nas folhas da planta e surpreendendo muitos produtores que até então registravam poucos problemas fitossanitários. De acordo com a Nota Técnica divulgada pela Embrapa Trigo, como trata-se de uma doença esporádica e, portanto, secundária, não existem dados científicos sobre o potencial de danos e perdas causado pela bacteriose, bem como não há agrotóxico registrado para seu controle no trigo. Os registros da doença começaram a partir da segunda quinzena de setembro, mas o tempo mais seco especialmente na última semana devem ser suficientes para melhoria dos sintomas e consequente recuperação do ritmo normal de enchimento de grãos.
 
Quanto aos preços do cereal neste início de colheita, houve queda do valor médio estadual no mercado de lotes pela segunda semana consecutiva. Se fizermos um pequeno retrospecto, tínhamos na última semana de setembro negociações em torno de R$ 440,00/ton, que caíram para R$ 430,00/ton na semana posterior e atualmente estão fixados em R$ 425,00/ton. Dessa forma, com esta última desvalorização de praticamente 1,2%, as perdas no acumulado do mês já chegam a 3,4% no trigo negociado em grandes volumes nas cooperativas gaúchas. A preocupação dos produtores é grande, pois já se esperava um nível de preços mais elevado, já que a safra paranaense está no auge da sua oferta e pressiona os preços no cenário nacional para baixo. Apesar disso, neste primeiro momento é muito provável que as cotações consigam se estabilizar neste nível atual, voltando a cair somente a partir da segunda quinzena do mês. Porém, esta análise leva em consideração apenas o aumento da oferta, sendo que serão cruciais os laudos técnicos dos primeiros lotes comercializados confirmando níveis elevados de Força e Estabilidade do glúten e também a estratégia comercial dos produtores, que tendem a armazenar o grão neste primeiro momento. Ainda há também o fator Política Agrícola do governo, que voltou à pauta das discussões no final da semana passada, quando o diretor da pasta da Conab, Silvio Porto, anunciou após reunião com lideranças do setor produtivo gaúcho a destinação de até R$ 300 milhões para o escoamento da safra de trigo. Ainda de acordo com Porto, as operações devem começar a partir de novembro e contemplar o escoamento do Rio Grande do Sul para o Nordeste do país. Com este aumento da liquidez provocado pelos leilões de PEP é absolutamente provável que os preços naquele mercado se estabilizem daqui até o final da colheita.
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Fonte: AF News

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