Conab eleva estimativa de safra brasileira de trigo e USDA mantêm projeção modesta

Publicado em 10/11/2010 16:36
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O relatório de novembro do USDA divulgado ontem (09/11) não trouxe novidades para a safra brasileira de trigo, mantendo as estimativas fixadas no mês anterior. Em sua primeira projeção da safra 2010/11, feita em maio deste ano, o Departamento chegou a estimar a safra brasileira em 5,5 milhões de toneladas, reduzindo para 5,0 milhões de toneladas em agosto e voltando a subir a estimativa para os atuais 5,15 milhões de toneladas em outubro. A projeção de importação também é audaciosa, já que até o final do ano safra em junho do próximo ano estima-se que o volume trazido do exterior possa chegar a 6,5 milhões de toneladas.
 
O fato é que com o novo relatório divulgado hoje pela Conab, a discrepância entre o relatório da Companhia Nacional de Abastecimento e o Departamento de Agricultura americano fica cada vez maior, isso porque a Conab elevou em 155 mil toneladas a estimativa de produção, que agora é de 5,6 milhões de toneladas. Este número é suficiente para classificar a safra atual como uma das maiores dos últimos anos, inferior somente à de 08/09 e 04/05, ambas superando a marca das 5,8 milhões de toneladas. As únicas estimativas mais contundentes referem-se à exportação, estimada em 600 mil toneladas pelo USDA e 700 mil toneladas pela Conab e o consumo, que deve ficar em 10,8 milhões de toneladas segundo a entidade americana e em 10,25 milhões de toneladas de acordo com a brasileira. Já as maiores diferença entre as duas projeções refere-se às importações já que a Conab espera a compra de 5,3 milhões de toneladas enquanto o USDA mantém sua estimativa em 6,5 milhões de toneladas. Da mesma forma, o estoques  iniciais da safra 2010/11, ou seja, o volume que sobrou da temporada anterior, também não é consenso, já que para a Companhia de Abastecimento tínhamos 2,4 milhões de toneladas armazenadas e para o Departamento de Agricultura esta quantidade estaria restrita a somente 1,55 milhões de toneladas. 
 
Ao que tudo indica, a Conab está mais em linha com a realidade do campo quando falamos de produção, enquanto que a estimativa de importação do USDA parece estar mais próxima da realidade, uma vez que a ausência de tarifa de importação entre os países do Mercosul e o real valorizado devem atrair os moinhos para as compras externas, superando a necessidade prática para atender à nossa demanda interna.
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Fonte: AF News

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