Precisão ou Revolução? Parte 3

Publicado em 01/04/2013 15:11 e atualizado em 09/07/2013 09:22
1355 exibições
Por Amilcar Centeno Silva.
Amilcar Centeno - Páginas Internas
Nos dois últimos artigos abordamos o conceito da Agricultura de Precisão, bem como as ferramentas disponíveis para medir e avaliar a variabilidade dos processos de produção agrícola. 
Hoje gostaríamos de concluir esta série de artigos discutindo um pouco sobre como agir sobre esta variabilidade para melhorar a rentabilidade dos negócios.
Pelo que já foi possível observar em outras regiões do mundo em que a Agricultura de Precisão está sendo aplicada a mais tempo, existem duas formas mais comuns de interferir na variabilidade das lavouras. Poderíamos denominá-las de “nivelamento da produtividade” e de “redução do custo de produção”.
O nivelamento da produtividade é provavelmente a mais utilizada, e quase sempre é o que os produtores têm em mente quando decidem investir na Agricultura de Precisão. Nesta estratégia o objetivo principal é homogenizar a produtividade. Para isso, procura-se elevar a produtividade daquelas “manchas” em que a produtividade é mais baixa. Isto normalmente é feito cruzando as informações dos mapas de produtividade com os mapas de fertilidade do solo e aplicando mais fertilizante nas áreas de menor produtividade.
De certa forma. esta técnica tem sido induzida pelo fato dos mapas de produtividade e de fertilidade serem as ferramentas mais populares (para não dizer as únicas) disponibilizadas pela indústria. Também contribui para tornar esta estratégia mais popular a crença de que quanto mais fertilizante colocar no solo, mais as plantas irão produzir. 
O principal problema desta estratégia é partir do pressuposto de que a fertilidade é o fator limitante, e isto nem sempre é verdadeiro.
Aqueles que leram o artigo da semana passada devem estar lembrados da discussão sobre a famosa regra do barril, que afirma que o nível da água dentro de um barril equivale à altura do furo mais baixo! Da mesma forma, na agricultura, a produtividade de uma área depende do fator limitante (o furo mais baixo do barril). Podemos interferir de todas as formas nos outros fatores, mas se não eliminarmos este fator limitante,não obteremos a resposta esperada na produtividade da lavoura.
Deste modo, muitas vezes aqueles que investem na estratégia de nivelamento da produtividade, nem sempre alcançam os resultados esperados e não conseguem um retorno adequado ao investimento nos equipamentos de agricultura de precisão ou na maior quantidade de fertilizante utilizado.
Por isso, muitos agricultores de precisão mudaram de estratégia e passaram a praticar a dose variável com o objetivo de reduzir custo e não de nivelar a produtividade. Essa técnica parte do pressuposto de que as áreas de menor produtividade têm algum fator limitante que não é necessariamente a fertilidade, de modo que não adianta colocar mais insumos nestas áreas pois elas não responderão ao investimento realizado. Existe um outro furo mais baixo no barril que está limitando o nível da água dentro dele, e não adianta tapar os furos de cima pois o barril não vai encher!
Em consequência desta constatação, e muitas vezes pelo desconhecimento de qual é o fator limitante, alguns agricultores estão utilizando as aplicações em dose variável para fazer exatamente o oposto: colocar menos fertilizantes nas áreas de menor produtividade, pois existe uma grande probabilidade de que estas áreas não responderão com uma produtividade maior. Deste modo conseguem alcançar a mesma produtividade com um custo menor!
Estas são técnicas são formas relativamente simples de interferir na variabilidade do processo de produção agrícola, e provavelmente são boas alternativas para quem quer iniciar a investir em dose variável.
Safra após safra, na medida em que se colhe mais informações no campo e se conhece melhor as causas da variação espacial da produtividade, é possível adotar técnicas mais sofisticadas, atacando os diferentes fatores limitantes da produção de cada metro quadrado da lavoura. É evidente que isto tornará o processo muito mais complexo, exigindo um investimento em ferramentas de análise, capazes de lidar com uma enorme quantidade de informações, e capazes de identificar e mapear estes fatores.
Será necessário investir, também, em máquinas mais sofisticadas para aplicar insumos diferentes em diferentes metros quadrados da lavoura. Máquinas como estas já estão sendo produzidas pela indústria, e em breve estarão disponíveis em nosso mercado. 
Um bom exemplo são os sistemas de injeção direta estarão sendo oferecidos em nossos pulverizadores. Com este sistema, diferentes agroquímicos ou fertilizantes líquidos são colocados em diferentes reservatórios, e o tanque principal recebe apenas a água que irá diluir estes produtos. 
A mistura dos produtos é feita diretamente na linha de pressão, um pouco antes de atingir os bicos, fazendo a aplicação não só em dose variável como também em composição variável, ajustando-as conforme mapa de aplicação preparado anteriormente e com base no conhecimento dos fatores limitantes em cada ponto da lavoura.
Solução semelhante também está sendo desenvolvida para os distribuidores sólidos, que variam a composição em tempo real durante a operação no campo.
Por tudo isso, o mais importante antes de começar a investir em Agricultura de Precisão é avaliar como se pretende utilizar esta técnica para melhorar a rentabilidade do negócio. Pode ser que um primeiro investimento tenha que ser feito apenas para começar a entender a variabilidade das lavouras. Se for esse o caso, é preciso ter consciência de que o retorno não será imediato e exigirá alguns anos antes de começar a colher os resultados.
Caso tudo isso pareça muito complicado, faça como eu quando compro um celular novo: entregue o assunto para seu filho que ele vai aprender rapidamente e no final ainda vai dar aulas sobre o assunto!
PENSE NISSO!
Tags:
Fonte: 100teno Estratégia Planejamento

Nenhum comentário