O clima do mercado de clima, por Amilcar Centeno

Publicado em 25/07/2013 11:47 e atualizado em 26/07/2013 17:37
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Passado o conturbado período de plantio nos Estados Unidos, as atenções do mercado de grãos mudam das discussões sobre a área e os atrasos do plantio para as especulações em torno do clima ao longo do desenvolvimento das lavouras.

E poucas vezes se viu tanta incerteza e tantas especulações sobre as possíveis influências do clima no resultado projetado para esta safra norte americana!

Neste momento, as maiores discussões giram em torno dos relatórios semanais sobre as condições das lavouras norte americanas, previsões do clima ao longo da safra e possíveis atrasos ou outros problemas no período colheita.Um erro muito comum a ser evitado é fazer projeções ou tomar decisões com base em apenas um destes indicadores, pois individualmente são muito limitados e apresentam pouca correlação com o que de fato aconteceu nas últimas safras ou o que poderá acontecer nesta safra.

Devido aos atrasos no plantio e o consequente atraso no desenvolvimento das lavouras, o clima ganha um peso muito grande nas análises e projeções de mercado, e continuará a ter uma grande influência ao longo dos próximos 2 a 3 meses. 

De todos os fatores climáticoso foco das discussões nas últimas semanas têm se concentrado em torno da frequência e intensidade das chuvas, principalmente nas regiões a Oeste e Sudoeste do cinturão do milho. Porém, enquanto escrevo esta coluna, os boletins climáticos indicam que as chuvas dos últimos dias aliviaram as perspectivas de uma seca mais prolongada nestas regiões. Deste modo, nas próximas semanas é muito provável que o foco das especulações mudem para outros fatores climáticosque possam ter alguma influência na produtividade das principais culturas.
Um destesfatores é a temperatura, que podem ser afetadas por ondas de calor ou frio. Neste momento algumas especulações estão girando em torno das ondas de calor que vêm atingindo as principais regiões produtoras neste aquecido verão do hemisfério Norte. As altas temperaturas têm oscilado em torno dos 32ͦC a 35  ͦC, o que neste momento é positivo para o desenvolvimento das lavouras, porém pode vir a ser um problema caso estas altas temperaturas se extendam até o período de floração e polinização do milho. 

No caso da soja, para a maior parte das variedades norte americanasa temperatura ideal para seu desenvolvimento gira em torno dos 30ºC, sendo que temperaturas acima de 40ºC normalmente interrompem o desenvolvimento das plantas. 

Qualquer alteração em relação a estas temperaturas tendem a atrasar o desenvolvimento das plantas. Este efeito, combinado com o plantio tardio, poderá aumentar significativamente o risco de geadas no final do período.A necessidade de se manter um prêmio pelo risco de geada dependerá principalmente da evolução nas previsões e da situação do clima nas primeiras semanas de Setembro, quando de fato será possível avaliar os eventuais impactos das baixas temperaturas.

Ao avaliar estes riscos é preciso considerar que nem sempre o plantio tardio significa colheita tardia. Estudorealizado por Matt Montgomery, agronomo da Burrus Hybrids, analisando dados das últimas 17 safras dos Estados Unidos, concluiuque existe muito pouca relação entre atrasos no plantio com atrasos na colheita. De acordo com este estudo, 70% do milho foi colhido até a segunda quinzena de setembro mesmo em anos em que o plantio havia avançado até o final de maio, como ocorreu este ano.De fato, em dois anos ao longo deste período o milho foi plantado dentro do período adequado acabou sofrendo atrasos na colheita.

Por outro lado, este mesmo estudo encontrou outros fatores que têm maior correlação co os atrasos na colheita, como a acumulação de graus dia ao longo do desenvolvimento das plantas. O período mais decisivo para este acúmulo de graus dia ocorre agora, entre meados de Julho e início de Agosto. Portanto, o clima ao longo das próximas semanas será muito mais importante do que os atrasos ocorridos no plantio. Neste momento, de acordo com o último boletim do clima do USDA, publicado em 20 de Julho, a maior parte das principais regiões produtoras nos EUA está dentro da média histórica de graus dia para esta época do ano.

Muitos fatores ainda estão em jogo para definir o resultado final da safra norte-americana, e isto tem gerado muitas dúvidas e incertezas no mercado. Ao longo do último mêsos contratos de soja para Novembro oscilaram em até USD 1,00/bushel. 
Apesar de todas estas incertezas e indefinições, o relatório do USDA de Julho mateve as produtividades do milho e da soja em níveis realtivamente elevados, muito embora a maior parte dos fatores em jogo tendem a reduzir, e não aumentar estas previsões, o que nos permite imaginar que se houver alguma alteração nos preços do milho e principalmente da soja nos próximos meses, estas tendem a ser para cima, e não para baixo. 
O principal fator que poderá manter ou mesmo provocar uma redução nos preços é a indicação de alguns analistas, que acreditam que o USDA projetou uma demanda um pouco acima do normal, mantendo uma margem para compensar possíveis reduções na produtividade das lavouras.

PENSE NISSO!

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Fonte: Centeno Consultoria Empresarial

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