EUA: Otimismo ou falta de informação? Por Amilcar Centeno

Publicado em 11/10/2013 08:05 e atualizado em 11/10/2013 11:34
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Amilcar Centeno Novo - Páginas InternasNormalmente a estas alturas do ano, com a colheita avançando nos seus estágios iniciais nos Estados Unidos, já deveríamos ter uma boa noção do que esperar da produção norte-americana. Porém, em função de vários fatores e incertezas, permanece o suspense dos últimos mesese somente nas próximas semanas é que de fato vamos conseguir uma definição mais concreta do potencial desta safra.

Um dos grandes problemas no momento é qua a colheita avança as cegas, uma vez que o USDA encontra-se paralisado desde 1º de outubro em função da absoluta falta de verbas federais, motivada pela crise política entre o governo e o senado norte-americanos.

O último relatório de colheita do USDA, publicado em 29 de setembro,indicava que os agricultores norte-americanos ainda não haviam colhido 20% das lavouras de milho e soja, o que corresponde a menos da metade da área colhida nesta mesma época no ano passado.

Na semana seguinte, iniciada em 30 de setembro, só para complicar ainda mais, o Meio Oeste norte-americano recebeu pesadaschuva, da ordem de 250 a 750 mm, paralizando a colheita em muitas das principais regiões produtoras. Isto leva a crer que os números publicados em 29 de setembro provávelmente não evoluitam muito, aumentando ainda mais os atrasos de uma colheita que já era tardia.

Com esse atraso, cresce ainda mais o temor pela chegada das primeiras geadas do outono. De fato, o frio já anda por perto. Neste último final de semana a parte mais a oeste do Cinturão do Milho, incluindo importantes estados produtores como Wyoming, Dakota do Norte, Dakota do Sul e Nebraska, foi atingida por intensas tempestades de neve, com algumas regiões recebendo rajadas de vento de mais de 100 km/h e acumulandomais de 50 cm de neve. 

O principal impacto deste acúmulo de neve é a paralização da colheita, enquanto as baixas temperaturas provocadas pelos ventos frios impedem a perda de umidade pelas plantas, atrasando sua maturação e ponto de colheita. O mais crítico, porém, é que esta onda de frio pode provocar as primeiras geadas na região, o que teria um impacto mortal nas lavouras ainda não colhidas. Esse quadro de alto risco tem colocado muitos agricultores à beira do pânico!

Apesar desta situação difícil e da total falta de dados, os resultados das primeiras áreas colhidas estão entusiasmando o mercadoe muitas consultorias norte-americanas estão indicando que a produtividade média da soja e do milho poderão ser superiores às publicadas no último relatório do USDA.

A Informa Economics, em relatório publicado na semana passada, indicou que a produtividade média do milho norte-americana poderá ser maior do que os 169 sacos/ha indicado no último relatório do USDA, devendo ficar na faixa de 165 a 170 sacos/ha.

O Zaner Ag Hedge Group indica que talvez a soja produza maisdo que o mercado avaliou ao longo do mês de agosto quente e seco. As áreas colhidas até agora têm mostrado produtividades relativamente altas. Apesar da baixa estatura das plantas, há um grande número de vagens por planta, muito embora com um menor peso por grão. A estas alturas, com base nestas primeiras áreas, é difícil imaginar que a produtividade da soja seja tão baixa quanto os 44 sacos/há indicado por alguns analistas nos últimos meses. Um ponto interessante levantado por esta consultoria é que o último relatório do USDA indicou produtividades mais altas do que estas expectativas, de modo que não deverão havergrandes reajustes no próximo relatório de Oferta e Demanda.

Porém, este otimismo é muito questionável, uma vez que a maior parte das áreas colhidas até agora estão nos estados do sul e sudeste, onde o clima correu relativamente bem, o plantio atrasou menos e as lavouras se aprontaram mais cedo (e por isso mesmo estão sendo as primeiras a serem colhidas). Quem irá de fato decidir este jogo são os grandes estados produtores do Meio Oeste, que ainda não colheram 5% da área e são aqueles mais expostos aos riscos do clima.

Todas estas incertezas e a total falta de informações confiáveis têm provocado um mercado bastante volátil nos últimos dias, com as cotações oscilando mas andando de lado, principalmente no caso da soja. Porém, apesar dos relatórios otimistas, os maiores riscos apontam para uma redução na colheita norte- americana, o que deverá manter os preços pelo menos nos patamares atuais. Isto dá aos agricultores brasileiros uma certa traquilidade no que diz respeito às decisões a serem tomadas para a safra que estamos começando a plantar. 

PENSE NISSO!

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Fonte: Centeno Consultoria Empresarial

1 comentário

  • daniel glat Porto Alegre - RS

    Grande Amilcar,

    Otimo perspectiva, como sempre...Por onde andas ? Ainda na JD ?

    Abraços

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