Atenção, produtor! Economias do Brasil e dos EUA em foco e câmbio lado a lado

Publicado em 19/09/2016 12:48 e atualizado em 27/09/2016 08:55
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Embora a segunda-feira traga mais uma semana cheia para o produtor rural brasileiro, ao lado de previsões climáticas, o caminhar das renegociações de suas dívidas em meio à greve dos bancos e à burocracia típica do Brasil, à dificuldade de acesso ao crédito e o planejamento e os investimentos da nova safra, ainda há de se ter olhos para o desenvolvimento, ou seria melhor o desenrolar, da economia nacional.

Henrique Meirelles tem trabalho pela frente e não é pouco. Além de todas as contas que terá de fazer, sua articulação política deverá ser minunciosa. Em entrevista à Veja, o Ministro da Fazenda voltou a defender a PEC do Teto, ou seja, a limitação dos gastos públicos à inflação do ano anterior, além do ajuste fiscal, que deve continuar a esbarrar em algumas resistências no Congresso Nacional. Veja você! A reforma da previdência tem votação prevista somente para o segundo semestre de 2017. 

>> Na Folha: Planalto já admite votação final da reforma da Previdência só no segundo semestre de 2017

Enquanto isso, mais de vinte governadores solicitam ao ministro uma solução para sua crise financeira e, sem dinheiro - em suas próprias palavras - a situação paliativa foi em aval às lideranças estaduais para que possam levantar novos empréstimos de até R$ 20 bilhões ainda este ano. A ameça do decreto de calamidade pública continua batendo à porta. 

>> Na Veja: 'Congresso não pode desfigurar a PEC do Teto', diz Meirelles

E Michel Temer também não está com a agenda tranquila. Afinal, um dos pilares de sua gestão - o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) -  já começa a te trazer novas dores de cabeça. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o cassado Eduardo Cunha partiu para um novo ataque, acusando o secretário do esperado programa, Moreira Franco, de irregularidades na operação para financiar obras do Porto de Maravilha, no Rio de Janeiro. 

>> No Estadão: Cunha liga homem forte de Temer a irregularidades na Caixa

O Boletim Focus desse 19 de setembro trouxe uma singela melhora nas projeções para os números não só deste ano, mas também de 2017. Se já há consistência nesse ritmo de recuperação, no entanto, ainda é cedo para afirmar. Os números da atividade econômica do Brasil, no terceiro trimestre do ano, vieram indicando ainda fraqueza e instabilidade, com uma baixa de 0,09%, contra uma expectativa do mercado de 0,25%. 

O futuro do câmbio, entre tantos números, ainda chama a atenção. A expectativa do mercado para o fim de setembro 2016 passsou de R$ 3,22 para R$ 3,26, já para o top 5 - as cinco instituições que mais acertam dentre as mais de cem que participam da formulação do boletim semanal - passou de R$ 3,20 para R$ 3,27. Para o fim de outubro 2016 o mercado aposta em um dólar de R$ 3,26, enquanto o top 5 acredita em R$ 3,25. Tanto para o mercado como também para o top 5, 2016 deverá encerrar com a moeda americana em R$ 3,30, enquanto que para 2017, o mercado manteve a expectativa em R$ 3,45 e o top 5 em R$ 3,50.

>> Boletim Focus: Expectativas para economia apresentam leve melhora, projeção para juro fica inalterada

>> Atividade econômica do Brasil cai 0,09% em julho, pior que o esperado

Enquanto esses são alguns dos destaques no Brasil, no cenário externo o foco dos investidores permanece sobre a maior economia do mundo já que suas autoridades monetárias voltam a se reunir nesta semana para trazer - ou não - uma mudança na taxa de juros dos Estados Unidos, atualmente em 0,5%. E acredite, Henrique Meirelles está cuidando disso também!

Começa na quarta-feira, 21 de setembro, uma nova reunião do Federal Reserve e de lá a decisão sobre a política monetária pode mudar a direção do dólar frente ao real e a uma cesta de outras importantes moedas. Essa movimentação, caso se confirme, pode influenciar diretamente no andamento das commodities e, consequentemente, na formação dos preços de dezenas de produtos no Brasil. À espera, a divisa norte-americana tem um início de semana exibindo algum equilíbrio frente ao real, devolvendo parte das expressivas altas observadas nas últimas sessões da semana passada. 

Na sequência, acompanhamento diário e contas na ponta do lápis. O câmbio tem sido um dos mais importantes - se não o mais - componentes na formação dos preços para o produtor brasileiro, bem como de seus custos. E em anos-safra onde o crédito tem sido o insumo mais caro e escasso para o agricultor, atenção redobrada!

Por: Carla Mendes e André Bitencourt Lopes
Fonte: Notícias Agrícolas

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