No Estadão: Governo respira aliviado, mas não há otimismo com o que está por vir no país, por Vera Magalhães

Publicado em 05/12/2016 08:06
180 exibições

O governo respirou aliviado com o saldo das manifestações em todo o País: foco no Congresso, em geral, e em Renan Calheiros, em particular, apoio à Lava Jato e nada de coro de “fora, Temer”. Mas não há otimismo no Executivo com o que está por vir na política e na economia.

A expectativa é de que a delação de mais de 70 pessoas ligadas à Odebrecht implique ao menos sete ministros de Michel Temer. Sabe-se, ainda, que o próprio presidente será citado nas delações de Marcelo Odebrecht e de mais ao menos dois executivos da empreiteira, por doações eleitorais negociadas diretamente por ele.

No front econômico, a fritura de Henrique Meirelles, na qual Temer tentou jogar água no fim de semana, não deve cessar. Chamada de “devaneio irresponsável” por um auxiliar do presidente, ela parte do PSDB e de setores do PMDB que veem na demora de melhora dos indicadores econômicos risco real para Temer concluir o mandato-tampão.

A expectativa é de que o envio (finalmente) da reforma da Previdência reforce Meirelles, que, diante de um Eliseu Padilha (Casa Civil) acuado, vai protagonizar sozinho os debates e as explicações sobre a proposta.

Temer já conhece os nomes que devem aparecer na “delação das delações”. Há quem aconselhe uma ação profilática, com o afastamento de ministros antes da homologação dos acordos. Mas a tendência do presidente é agir como tem feito em casos semelhantes: aguardar o auxiliar se enforcar, para só então descartá-lo. O problema é que, a depender do estrago no coração do governo, não haverá biombo do Congresso que impeça que as ruas se voltem na sua direção.
 

Leia o artigo na íntegra no site da Estadão

Tags:
Fonte: Estadão

0 comentário