2025: o ano em que o agro precisou decidir melhor, por Andrea Cordeiro

Publicado em 02/01/2026 07:15

O ano de 2025 ficará marcado como um período de transição e ajuste, tanto para o agronegócio quanto para a economia global e brasileira. Foi um ano menos exuberante, porém mais revelador. Revelador de fragilidades, de excessos cometidos no passado recente e, sobretudo, da importância crescente da gestão em ambientes complexos.

No cenário internacional, a economia global seguiu convivendo com juros elevados por mais tempo, especialmente nos Estados Unidos. Essa condição manteve o dólar forte, reduziu o apetite ao risco e pressionou fluxos de capital para mercados emergentes. Ao mesmo tempo, conflitos geopolíticos, disputas comerciais e o uso do comércio como ferramenta política continuaram interferindo diretamente nas cadeias globais de suprimento, afetando preços, logística e previsibilidade.

O Brasil navegou esse ambiente com méritos e limitações. O agronegócio novamente sustentou parte relevante do crescimento econômico, enquanto outros setores mostraram menor dinamismo. Por outro lado, a fragilidade fiscal, o ruído institucional e a dificuldade de ancorar expectativas adicionaram volatilidade ao câmbio e incerteza ao ambiente de negócios.

Além do contexto internacional adverso, o país enfrentou desafios domésticos relevantes ao longo de 2025. A dificuldade em avançar com uma agenda fiscal consistente, a elevada carga tributária, a complexidade regulatória e a insegurança jurídica seguiram pesando sobre decisões de investimento. O ambiente de negócios foi marcado por mudanças frequentes de regras, aumento de custos operacionais e um crédito mais seletivo, exigindo das empresas e das famílias produtoras uma capacidade cada vez maior de adaptação, planejamento e resiliência.

Mesmo diante desse ambiente desafiador, 2025 também deixou números robustos que ajudam a explicar a resiliência do setor. O Brasil colheu uma safra recorde de grãos, ampliou mercados internacionais e avançou em tecnologia, digitalização e inovação no campo. A expansão da presença brasileira no comércio global e o peso crescente do agronegócio no PIB reforçam que o setor segue estruturalmente forte. Ainda assim, esse desempenho conviveu com um cenário de insegurança crescente, marcado por restrição de crédito, aumento de pedidos de recuperação judicial e maior seletividade financeira. A mensagem foi clara ao longo do ano: produzir muito não blindou empresas e famílias produtoras de erros de gestão, decisões comerciais mal calibradas e estruturas financeiras frágeis.

Dentro da porteira e fora dela, o agronegócio viveu um ano de margens mais estreitas em diversas cadeias. Custos ainda elevados, preços menos favoráveis e crédito restrito exigiram um nível de profissionalização que nem todos estavam preparados para entregar. O aumento dos processos de reestruturação e recuperação judicial funcionou como um alerta contundente para o setor.

Se há um aprendizado central deixado por 2025, é que produzir bem segue sendo essencial, mas está longe de ser suficiente. Gestão de risco, estratégia comercial, disciplina financeira e acesso à informação confiável para a tomada de decisão passaram a separar quem atravessa ciclos difíceis de quem fica pelo caminho.

O agronegócio brasileiro segue forte, competitivo e estratégico. Mas sai de 2025 mais consciente de que decisões mal calibradas custam caro e que, no fim das contas, dinheiro definitivamente não aceita desaforo.

Fonte: Andrea Cordeiro

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