"Se gritar pega ladrão…" Celular de Vorcaro é a caixa de Pandora de Brasília, por Ronaldo Fernandes

Publicado em 12/02/2026 14:38

O caso Banco Master virou um dos episódios mais sensíveis do sistema financeiro recente, talvez da história do Brasil. 

Como tudo começou...
O banco estava emitindo CDBs pagando entre 130% e 150% do CDI, enquanto o padrão para banco médio gira perto de 98% a 100% do CDI. Quando alguém paga muito acima da média, algo não está certo, não é bondade, é necessidade de captar dinheiro rápido. Quando o crescimento vem acelerado desse jeito, o mercado começa a perguntar: qual é o lastro real disso tudo? Que tipo de carteira sustenta esse custo?

A investigação começou na parte fiscal, mas logo virou penal! Ganhou outra dimensão quando surgiu a venda de uma carteira estimada em cerca de R$ 12 bilhões para o BRB. Uma carteira 'falsa', porque o valor real era bem menor, e o BRB comprou pelos R$ 12 bi ofertados. Por que um banco público assume uma carteira que já estava sob suspeita? Já sabiam antes que havia fragilidade ou indício de irregularidade. A decisão carrega responsabilidade política, essa fraude começou a escancarar tudo. (Nem tudo, porque ainda tem muito a ser escancarado.) 

No meio desse cenário, entra a perícia no celular de Daniel Vorcaro. As mensagens analisadas indicariam menção a pagamento de R$ 20 milhões a empresa ligada ao ministro Dias Toffoli. Não existe confirmação pública de que houve transferência. Mas só o fato de aparecer isso aumenta o peso do caso. E dependendo do que for comprovado, pode gerar discussão sobre conflito de interesse dentro do próprio STF. 

Vale lembrar que Dias Toffoli não é o único servidor público envolvido, há outros nomes que pegam à direita, à esquerda e ao centrão. Se as apurações confirmarem conexão entre decisões financeiras, banco público e agentes políticos ou judiciais, o impacto não fica restrito a um lado, é corrupção sistêmica. O que pode sair do conteúdo do celular e das auditorias na carteira vendida tem potencial para mexer com confiança institucional, regulação bancária e ambiente político. O que estou dizendo com isso? Impacto eleitoral! Porque dinheiro, poder e Estado juntos raramente produzem crise pequena. Podemos esperar impacto também no câmbio, porque quando há abalo na credibilidade nas instituições de um país, fulga de capital, talvez pequena, talvez grande. Isso faz o dólar subir, mas claro, a depender do que vier e quem estiver envolvido. Vamos ter que acompanhar.

Fonte: Royal Rural

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