Crise da carne bovina nos EUA traz lições para o Brasil
Os Estados Unidos enfrentam um cenário preocupante na pecuária bovina. O país possui hoje o menor rebanho desde 1952 e, mesmo com medidas para ampliar a oferta, os preços da carne continuam subindo. A importação de 300 mil toneladas de carne moída de países como Brasil e Argentina, além da autorização para entrada de animais vivos do México, não foi suficiente para equilibrar o mercado. O número médio diário de abates caiu cerca de 10%, de aproximadamente 121 mil para 109 mil cabeças, enquanto a previsão de bezerros nascidos neste ano está 2% abaixo do registrado no ano passado. Esse conjunto de fatores mantém a pressão sobre a oferta e abre oportunidades relevantes para a carne brasileira.
Mas o cenário americano também traz um aprendizado importante para o Brasil. Um dos principais problemas enfrentados pelos Estados Unidos foi o abate excessivo de fêmeas, reduzindo a capacidade de reposição do rebanho e, consequentemente, a produção futura de bezerros. Para a pecuária brasileira, preservar novilhas e matrizes de forma equilibrada é fundamental para garantir a renovação do rebanho e sustentar a oferta no longo prazo. O avanço do preço do bezerro acima da arroba do boi gordo reforça esse alerta. Precisamos olhar para os problemas de outros mercados e aprender com eles, porque antecipar riscos e tomar decisões de forma estratégica é uma das melhores maneiras de proteger a eficiência e a rentabilidade da nossa pecuária.