Brasil avança para retomar exportações de frango e mel à União Europeia
A auditoria da União Europeia trouxe uma sinalização positiva para a retomada das exportações brasileiras de carne de frango, seus derivados e mel. O relatório final, divulgado em 28 de setembro, concluiu que os controles oficiais brasileiros são capazes de oferecer as garantias exigidas pelo bloco.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o resultado não aponta impedimento técnico à reinclusão dessas cadeias na lista de fornecedores autorizados. A retomada, entretanto, ainda depende das etapas formais europeias. O ministério solicitou a análise do relatório na reunião do comitê responsável, prevista para 20 e 21 de outubro. Para os empresários, esse avanço representa uma perspectiva importante de recuperação de mercado e de retomada das relações comerciais, desde que a autorização seja efetivamente concluída.
O episódio também deixa uma lição sobre a necessidade de antecipar exigências dos mercados compradores. As regras europeias proíbem antimicrobianos para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais e também os antimicrobianos reservados ao tratamento de determinadas infecções humanas. Cumprir essas exigências requer controles, registros e comprovação ao longo da cadeia produtiva.
A carne bovina enfrenta uma avaliação distinta, com necessidade de demonstrar conformidade durante
toda a vida dos animais, e não foi abrangida por essa auditoria de aves e mel. Na minha avaliação, precisamos transformar esse episódio em aprendizado: acompanhar mudanças regulatórias, ajustar procedimentos com antecedência e integrar produtores, empresas e autoridades. Recuperar um mercado é positivo, mas preservar o acesso exige vigilância permanente. Sanidade, rastreabilidade e documentação devem fazer parte da estratégia dos negócios, porque falhas nessa preparação podem interromper vendas e comprometer a confiança construída com os clientes.