Alta do boi gordo melhora poder de compra na reposição, por Marcelo Prado
A valorização do boi gordo no início de outubro trouxe um alívio para o pecuarista que precisa repor o rebanho. Segundo levantamento do Farmnews com indicadores do Cepea,a arroba passou de R$ 364,30, em 30 de setembro, para R$ 373,00, em 5 de outubro, avanço de 2,4%. Nesse último dia, a alta acumulada em 2026 era de 16,8%. A relação entre o boi gordo de São Paulo e o bezerro de Mato Grosso do Sul também melhorou: a quantidade necessária para comprar um animal caiu de 9,46 para 9,28 arrobas nesse intervalo. Isso significa maior poder de compra para quem vende boi gordo e adquire reposição. O bezerro, porém, também ficou mais caro em reais; sua valorização foi menor que a do boi. Portanto, a melhora está na relação de troca, enquanto o desembolso por cabeça continua elevado.
Na minha avaliação, esse movimento reforça a importância de acompanhar o mercado e transformar informação em decisão. O invernista e o confinador precisam analisar o custo de aquisição dos animais, a alimentação, o prazo de engorda e as despesas financeiras antes de definir a reposição. Já o criador deve avaliar como a venda dos bezerros remunera sua atividade e se encaixa no planejamento da propriedade. Cada posição na cadeia exige uma estratégia própria, construída com preços locais e custos reais. A arroba mais valorizada abre espaço para revisar as contas, mas a rentabilidade depende da combinação entre compra, produção e venda. Estar bem informado e conhecer a margem esperada de cada operação ajuda o pecuarista a negociar com mais segurança e aproveitar oportunidades com disciplina.