Demanda por biocombustíveis pode sustentar a soja diante de safra robusta

Publicado em 09/10/2026 08:17
Por Marcelo Prado - CEO MPrado Consultoria

Uma safra volumosa de soja não determina, sozinha, a direção dos preços. A demanda também precisa entrar na análise, especialmente diante da expansão do uso de óleos vegetais em biocombustíveis. No relatório de setembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou produção mundial de 442,35 milhões de toneladas de soja para 2026/27 e estoques finais de 124,02 milhões, ligeiramente inferiores aos da temporada anterior. O órgão também previu aumento do consumo de óleo de soja para biocombustíveis nos Estados Unidos. Na minha avaliação, esse movimento pode ajudar a sustentar as cotações, mesmo com oferta robusta. Isso, porém, dependerá da evolução efetiva do consumo, da colheita norte-americana e do desenvolvimento da safra sul-americana. O produtor precisa acompanhar esses fatores e avaliar se os preços oferecidos remuneram adequadamente sua atividade.

O câmbio é outra variável decisiva nessa conta. Em 7 de outubro, o dólar comercial fechou acima de R$ 5, enquanto o contrato de soja para novembro de 2026 encerrou próximo de US$ 13 por bushel em Chicago. Na mesma data, o indicador Cepea/Esalq de Paranaguá ficou em R$ 153,90 por saca de 60 quilos. Em Mato Grosso, o indicador do Imea havia registrado R$ 140,85 em 30 de setembro. Essas referências têm datas e bases diferentes e precisam ser confrontadas com as condições de cada negociação. Por isso, recomendo
analisar câmbio, Chicago, prêmios, frete e custo de produção antes de definir a comercialização. A expectativa de preços firmes deve ser tratada como possibilidade, enquanto as decisões precisam considerar margem, compromissos financeiros e necessidade de caixa. Informação atualizada e planejamento ajudam a aproveitar oportunidades com mais segurança.

Fonte: Por Marcelo Prado - CEO MPrado Consultoria

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