Carne bovina ganha preço no exterior, mas queda nos embarques exige estratégia
As exportações brasileiras de carne bovina in natura somaram 195,19 mil toneladas em setembro de 2026, queda de 38% em relação ao mesmo mês de 2025. Em contrapartida, o preço médio alcançou US$ 6,28 por quilo, alta de 11,9% na comparação anual. Essa combinação indica que a valorização por quilo não compensou a retração do volume embarcado. O cenário comercial também exige atenção à China: a cota brasileira foi esgotada em 29 de setembro, e o país passou a cobrar tarifa adicional de 55% sobre os volumes excedentes a partir de 1º de outubro. A restrição reforça a importância de diversificar mercados e reduzir a exposição a mudanças nas condições de acesso. Para interpretar corretamente os resultados, é necessário observar quantidade, preço e receita, além da composição dos produtos e dos destinos das vendas.
Na minha avaliação, o Brasil tem espaço para ampliar sua presença e buscar melhor remuneração pela carne exportada, desde que avance em sanidade, rastreabilidade, produtividade e qualidade. O preço médio mais alto é um sinal favorável, mas não demonstra, isoladamente, maior valor agregado, pois também pode refletir mudanças nos cortes vendidos, nos compradores e nas condições de oferta e demanda. A concorrência permanece relevante: a Austrália, por exemplo, projeta produção recorde de carne bovina em 2026, segundo a Meat & Livestock Australia. Nesse ambiente, pecuaristas, frigoríficos, autoridades sanitárias e diplomacia comercial precisam atuar de forma coordenada. Cumprir exigências sanitárias, comprovar a origem dos animais e manter regularidade nas entregas fortalece a confiança dos compradores. Transformar oportunidades em crescimento sustentável exige gestão, competitividade e capacidade de atender às exigências de cada cliente.