Carne bovina ganha preço no exterior, mas queda nos embarques exige estratégia

Publicado em 09/10/2026 16:34
Por Marcelo Prado - CEO MPrado Consultoria

As exportações brasileiras de carne bovina in natura somaram 195,19 mil toneladas em setembro de 2026, queda de 38% em relação ao mesmo mês de 2025. Em contrapartida, o preço médio alcançou US$ 6,28 por quilo, alta de 11,9% na comparação anual. Essa combinação indica que a valorização por quilo não compensou a retração do volume embarcado. O cenário comercial também exige atenção à China: a cota brasileira foi esgotada em 29 de setembro, e o país passou a cobrar tarifa adicional de 55% sobre os volumes excedentes a partir de 1º de outubro. A restrição reforça a importância de diversificar mercados e reduzir a exposição a mudanças nas condições de acesso. Para interpretar corretamente os resultados, é necessário observar quantidade, preço e receita, além da composição dos produtos e dos destinos das vendas.

Na minha avaliação, o Brasil tem espaço para ampliar sua presença e buscar melhor remuneração pela carne exportada, desde que avance em sanidade, rastreabilidade, produtividade e qualidade. O preço médio mais alto é um sinal favorável, mas não demonstra, isoladamente, maior valor agregado, pois também pode refletir mudanças nos cortes vendidos, nos compradores e nas condições de oferta e demanda. A concorrência permanece relevante: a Austrália, por exemplo, projeta produção recorde de carne bovina em 2026, segundo a Meat & Livestock Australia. Nesse ambiente, pecuaristas, frigoríficos, autoridades sanitárias e diplomacia comercial precisam atuar de forma coordenada. Cumprir exigências sanitárias, comprovar a origem dos animais e manter regularidade nas entregas fortalece a confiança dos compradores. Transformar oportunidades em crescimento sustentável exige gestão, competitividade e capacidade de atender às exigências de cada cliente.

Fonte: Por Marcelo Prado - CEO MPrado Consultoria

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